Logística Transporte e Embalagens

3 de fevereiro de 2001

Transporte: Transporte químico combina modais para cortar custos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Modal rodoviário ainda é o preferido, mas a exigência de cortar custos obriga a combiná-lo com ferrovias e navios, além de transferir operações logísticas para terceiros, atraindo empresas internacionais

    Química e Derivados: Transporte: Cargas químicas pedem equipamento específico.

    Cargas químicas pedem equipamento específico.

    O

    transporte de produtos químicos precisa mudar. A necessidade de transformação fica evidente quando se observa a elevada participação da atividade no preço de venda aos clientes, ponto fundamental considerando a crescente competitividade mundial no setor. Ao mesmo tempo, a atual matriz de transportes privilegia o modal rodoviário, responsável por mais de 60% (estimativas oficiosas) do volume químico produzido no Brasil, cujos operadores registram redução drástica dos preços pagos pelos fretes nos últimos cinco anos.

    Transportadores rodoviários apontam o fechamento de várias empresas concorrentes, além da adoção cada vez mais freqüente da estratégia de atender a outros setores industriais, de modo a usar melhor a frota e reduzir a dependência em um único contratante e suas sazonalidades. Os empresários remanescentes dedicados exclusivamente a produtos químicos buscaram o caminho da especialização por segmentos de cargas.

    Enquanto os caminhões padecem, as concessões de malhas ferroviárias e a alteração das leis sobre navegação de cabotagem e operações portuárias despontam como alternativas viáveis para escoar produtos, notadamente em grandes distâncias. Esses modais ainda apresentam importantes deficiências, como a inconstância dos embarques e a falta de ramais e depósitos estratégicos ao longo das vias férreas. Há intenção manifesta dos operadores de reduzir ao mínimo esses problemas, a médio e longo prazos. Mesmo assim, os pólos petroquímicos do Nordeste e do Sul já estão usando intensamente modais alternativos. Durante o ano 2000, o embarque de cargas do Pólo Petroquímico de Camaçari-BA por via marítima e ferroviária suplantou o rodoviário. Já a gaúcha Copesul transporta por via marítima quase todo o excedente de olefinas e aromáticos que produz.

    A alternativa para conquistar melhores posições caminha no sentido de os transportadores assumirem mais operações e responsabilidades, tornando-se operadores logísticos. “O preço do frete caiu e vai cair ainda mais, porque a indústria química fornece matérias-primas e insumos para seus clientes, que exigem custos cada vez menores”, afirmou o consultor especializado em transportes e logística Nelson Bindi Filho. “O operador logístico precisa identificar todas as necessidades de seus mercados e entendê-las como oportunidades de negócio.”

    Química e Derivados: Transporte: Bindi - logística deve racionalizar operações.

    Bindi – logística deve racionalizar operações.

    Para ele, a expressão “logística” está sendo usada indiscriminadamente e, por isso, afastou-se do sentido original de “planejamento, implementação e controle eficiente do fluxo e armazenamento de bens, serviços e informações do ponto de origem ao ponto de consumo”. “Hoje em dia qualquer um que tenha um caminhão e um galpão se diz operador logístico; não é esse o conceito ideal para as necessidades do mercado”, afirmou. Como exemplo, ele citou o transporte de resinas termoplásticas a partir das petroquímicas. O operador logístico poderia contar com armazém adequado, localizado dentro de área geográfica bem delimitada, respondendo pelas entregas na linha just in time para os transformadores. E iria além, assumindo também o armazenamento e entrega de aditivos diversos e outros produtos consumidos pelos transformadores, e ainda levar os artigos transformados por estes para distribuidores ou pontos de venda. “Isso permitiria gerar um fluxo de carga constante e racionalizar a operação, reduzindo custos para todos os envolvidos”, afirmou. A adoção dessa estratégia levaria a trabalhar com menor número de clientes, para os quais seriam oferecidos mais e melhores serviços.

    O próprio consultor considera essa situação como avançada demais para o Brasil. “O primeiro passo é o transportador virar agente logístico para as indústrias, regularizando o fluxo de cargas e reduzindo a contratação de fretes avulsos”, disse Bindi.

    Atualmente está em curso uma revolução no segmento de encomendas de baixo peso (até 30 kg), no qual concorrem empresas como a empresa Brasileira de Correios (ECT), empresas nacionais especializadas e gigantes internacionais como FedEx e UPS. “Esse mercado representa de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões por ano no Brasil”, estimou. Na sua opinião, quando esse segmento estiver saturado, as atenções devem se voltar para a logística de cargas industriais. “Isso foi deixado para mais tarde também por causa de problemas estruturais do País, como a péssima conservação das estradas, risco elevado de perdas (por acidentes ou roubo), custo elevado de seguros e ausência de pontos de apoio para reparo mecânico, por exemplo”, informou. Também o preço dos veículos de carga assustou as grandes companhias internacionais. “Ainda há espaço que pode ser ocupado por empresas nacionais de pequeno, médio e grande porte”, comentou.

    “O Brasil está em pleno processo de mudança para adotar o conceito de logística terceirizada”, afirmou Francisco Uceda, gerente geral de carga aérea da Schenker do Brasil Transportes Internacionais Ltda. “Já estão no País empresas atuantes nos conceitos mais avançados de logística, ao lado das iniciativas mais retrógradas”, comentou. A Schenker foi fundada na Alemanha em 1872 e estatizada nos anos 30, assumindo as operações postais alemãs, sendo privatizada em 1991 e adquirida pelo grupo Veba/Stinnes. Com a incorporação da sueca BTL AB, em 1999, a empresa tornou-se a maior operadora logística e de transportes da Europa. Faz parte do grupo a Brenntag, uma das maiores distribuidoras de produtos químicos do mundo. A Schenker atua no Brasil desde 1973, mas intensificou atividade desde 1996, concentrando-se nas operações de comércio exterior nos modais aéreo e marítimo.


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