Logística Transporte e Embalagens

27 de março de 2005

Transporte e logística: Indústria química busca reduzir custos e melhorar operação terceirizando serviços integrados de transporte e logística

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Aumento da produção, busca pela eficiência nos serviços, foco em seu próprio negócio e, principalmente, redução de custos têm feito com que as indústrias químicas e petroquímicas busquem cada vez mais empresas especializadas em logística para cuidarem de suas fábricas e armazéns. Algumas um pouco mais e outras bem menos, mas, no final, todas apontam para um mesmo caminho: a terceirização.

    Química e Derivados: Transporte: Caminhões na Polietilenos União - serviço tercerizado. ©QD Foto - Paulo Igarashi

    Caminhões na Polietilenos União – serviço tercerizado.

    Na atual fase do setor químico e petroquímico, as indústrias podem terceirizar toda movimentação, armazenagem, recepção, expedição e administração de materiais, ou apenas parte disso. Depende muito da complexidade do produto e da tecnologia empregada na sua fabricação.

    A divisão brasileira da Bayer CropScience, por exemplo, que faz fungicidas, herbicidas e inseticidas, assinou, em janeiro último, um acordo com a Ebamag Armazéns Gerais Logísticas para reformular toda sua logística industrial. “O contrato vale por dez anos e supera os R$ 50 milhões”, afirma Rafael Ughini Villarroel, diretor de supply chain da Bayer CropScience no Mercosul. De acordo com o executivo, R$ 17 milhões estão sendo investidos pela Ebamag na construção de um centro de distribuição com 20 mil posições paletes. A obra está localizada no complexo industrial do grupo Bayer, em Belford Roxo-RJ, em uma área de 20 mil metros quadrados.

    A compra da Aventis e a projeção de crescimento na produção para os anos seguintes foram decisivas para a Bayer CropScience buscar uma solução de sua logística. Há dois anos, a empresa previa que, em termos de volume, a sua produção sairia das 33 mil toneladas/ano para 55 mil toneladas/ano em 2008. “Isso gerou um estudo. Várias possibilidades foram analisadas, inclusive com apoio de especialistas da Alemanha”, diz Villarroel.

    A Ebamag teve sua proposta eleita por causa da sinergia que apresentou com outras empresas. “Esse investimento da Ebamag no nosso condomínio será 75% dedicado à Bayer CropScience e 25% a outras empresas do portfólio deles, com proposta de aumentar ainda mais essa fatia de terceiros”, justifica Villarroel.

    O novo armazém deverá ficar pronto no início do próximo ano e, quando isso acontecer, todas as tarefas de movimentação, recepção, abastecimento da linha de produção, armazenagem e expedição, que hoje é feito pela própria Bayer CropScience, será passada para a Ebamag. Na opinião de Villarroel, sem a terceirização da logística, a longo prazo, a situação poderia ficar caótica na empresa. “Estamos evitando problemas no futuro”, diz.

    Já na Bayer MaterialScience, outra divisão do grupo alemão no País que está entre os principais fabricantes de polímeros no mundo, a terceirização na logística só acontece na movimentação de materiais embalados. “Só terceirizamos o manuseio de produtos que não têm mais perigo de contaminação”, informa Eduardo Donni, responsável pelo supply chain da Bayer MaterialScience na América Latina. Além disso, a coordenação da operação dos centros de distribuição – dois em São Paulo, um em São Leopoldo-RS e outro em Belford Roxo – é da própria Bayer MaterialScience, apesar dos locais serem terceirizados. “É estratégico para nós termos o controle do serviço por se tratar de produtos tão sensíveis. Mas é claro, também, que terceirizar a movimentação desonera a companhia para ela se dedicar mais ao cliente”, justifica Donni. O executivo reconhece também que a terceirização conseguiu dar um ganho de 15% para empresa. A Bayer MaterialScience trabalha com seis empresas prestadoras de serviço de logística, sem especificar quais, e está há dez anos no processo de aprimoramento da área.

    Química e Derivados: Transporte: carlos antonio. ©QD Foto - Paulo IgarashiOutra empresa que há uma década busca melhorias em sua logística é a Polietilenos União, de Santo André-SP. “Terceirizamos para empresas que têm expertise no setor”, diz Carlos Antonio Alves de Souza, responsável pela logística da Polietilenos União. A Petrolog Soluções em Logística é a atual empresa terceirizada pela Polietilenos União. No mês passado, o contrato entre as duas companhias foi renovado por mais três anos e, com isso, a Petrolog é a responsável pelo ensaque, armazenamento e carregamento de todos os produtos da Polietilenos União.

    “Ganhamos em tempo e qualidade do serviço”, afirma Alves de Souza. Segundo ele, atualmente não há mais avaria do produto na hora do ensaque e o tempo de transporte por caminhão foi otimizado em 10%. A redução de custo com a terceirização também é muito significativa. “Conseguimos diminuir nossos custos com logística em torno de 20%”, completa o executivo.

    Na Henkel, fabricante de adesivos de consumo, cosmética capilar e tecnologias em adesivos industriais, selantes e tratamento de superfícies, toda a parte de armazenagem, expedição, transporte e faturamento de produtos acabados são terceirizados. O grupo Bueno é a empresa contratada pela Henkel para a administração de sua logística.

    O centro de distribuição de Diadema-SP fica a sete quilômetros de distância de uma das três fábricas da Henkel – as outras ficam em Jacareí e Itapevi, ambas no interior paulista – e é onde se concentra toda expedição e distribuição dos produtos feitos pela unidade de Jacareí e os de revenda. Por esse armazém, inaugurado em agosto de 2004, serão expedidos cerca de 24 mil toneladas/ano de adesivos e selantes. A produção da fábrica de Diadema, voltada para o setor automotivo, é expedida pelo grupo Bueno direto para as montadoras de veículos, e a de Itapevi, que são adesivos de consumo, saem da unidade direto para os clientes. “Em Itapevi apenas o transporte é terceirizado, por se tratar de um mercado muito grande e fracionado, com os produtos embalados em caixas muito pequenas. Acreditamos que a apresentação do produto é muito importante e por isso não enxergo a terceirização nessa parte”, afirma Roberto Rodrigues Júnior, coordenador de logística e exportação da Henkel.


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