Logística Transporte e Embalagens

16 de abril de 2009

Transporte – Transportadora baiana é a primeira a obter o Sassmaq

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Concórdia Transportes Rodoviários, dona de 100 cavalos mecânicos e 200 carretas que transportam, principalmente, produtos químicos na Grande Salvador, em dezembro de 2008 tornou-se a primeira empresa do Brasil a conseguir a certificação associada ao módulo denominado Estação de Limpeza, contido no Sistema de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade (Sassmaq) da Abiquim. O módulo estabelece as exigências necessárias à limpeza de tanques de navios, trens e carretas transportadores de produtos químicos.

    Química e Derivados, Leandra Pessoa Alves, Gerente de Meio Ambiente, Segurança e Qualidade da Concórdia Transportes Rodoviários , Transporte

    Leandra Pessoa Alves comemora alta pontuação na auditoria

    A certificação, atestada por uma empresa de auditoria credenciada pela Abiquim – a SGS – resultou de uma campanha feita em menos de um ano, iniciada com a viagem da gerente de Meio Ambiente, Segurança e Qualidade, a engenheira civil Leandra Pessoa Alves, a São Paulo, para receber, na própria Abiquim, treinamento sobre o Sassmaq/Estação Limpeza – e também sobre a portaria 255 do Inmetro. “A Portaria 255 estabelece o padrão técnico de segurança para toda empresa que tem estação de limpeza”, explica. “Assegurar tal padrão é condição para a posterior obtenção da certificação do Sassmaq.”

    De volta à Bahia levando o protocolo da auditoria, que corresponde ao manual do que é necessário fazer para alcançar a certificação – “o escopo do que precisa ser realizado” –, a engenheira mobilizou a Concórdia. Começou com uma auditoria em todos os setores. “A auditoria gerou planos de ação e responsáveis”, enfatiza. Ela ressalta o treinamento dos gestores e operadores de cada setor, com ênfase nos tópicos mais associados aos aspectos operacionais e de segurança. “No final, obtivemos alta pontuação”, festeja.

    A Concórdia realiza em suas instalações, na cidade de Dias D’Ávila-BA, todas as operações requeridas na lavagem interna dos tanques de suas carretas, excetuando a vaporização, necessária apenas em determinadas situações, quando é feita por uma empresa especializada. “Não temos caldeira de vapor”, desconta a engenheira gerente, justificando o fato de o serviço ser feito fora.

    Uma equipe de cinco operadores e um assistente administrativo, coordenada pela própria engenheira, cuida da limpeza interna dos tanques. Dois dos operadores trabalham no turno das 7 às 16 horas, outros dois entre 12 e 21 horas e um permanece em stand by, sempre executando outro trabalho quando não está cobrindo férias e licenças médicas dos demais. O assistente administrativo cuida dos papéis.

    A engenheira justifica a necessidade do assistente administrativo: “Toda limpeza de tanque gera um certificado de descontaminação, com informações detalhadas sobre o serviço realizado.” O certificado, assinado por ela, segue no veículo para dar ao cliente certeza de que o tanque está descontaminado, em condições de transportar o seu produto.

    Dentro do tanque da carreta, munido de uma lanterna à prova de explosão, o operador trabalha segundo a NR 33 do MT, que também estabelece os cuidados que deve tomar, incluindo o uso de EPIs – dentre os quais a máscara de ar-mandado e o cinto especial, que possibilita seu içamento em situação de emergência.

    A mesma NR estabelece também que enquanto estiver trabalhando dentro de tanque esteja guarnecido por outro operador, o de observação, que permanece do lado de fora, pronto a iniciar um eventual resgate. Uma das exigências feitas ao candidato a operador é não sofrer de claustrofobia, limitação incompatível com o trabalho confinado dentro do tanque.

    Na Concórdia, no decorrer de três meses, o candidato a operador é monitorado via relatórios e inspeções semanais por um químico, consultor da empresa, e acompanhado por um operador “já experiente”. Decorrido o prazo é submetido a uma prova teórica e à avaliação prática. Se não for aprovado, repete o aprendizado mais uma vez.

    Leandra Alves ressalta que os motoristas, mecânicos e operadores de limpeza recebem treinamentos constantes, específicos contra possíveis riscos inerentes aos produtos transportados pela Concórdia, dentre os quais ácido nítrico, ácido sulfúrico, ácido sulfúrico fumegante, cianeto de sódio, ácido clorídrico, hipoclorito de sódio, metanol e outros alcoóis, acetonas e tolueno diisocianato (TDI). “São os mais frequentemente transportados”, aponta.

    Em razão dos riscos, são feitas as operações de treinamento sempre de acordo com a classe do produto: oxidante, corrosivo, inflamável ou tóxico. “A gente consulta a ficha de informação do produto, a Fispq, que especifica riscos, cuidados, EPIs que devem ser usados e aponta as medidas de controle contra eventuais vazamentos”, revela a engenheira. “A ficha contém o padrão normatizado pela ABNT”, resume. Ela lembra que a cada dois anos a certificação deve ser renovada para o controle não cair no esquecimento. O treinamento constante e as auditorias internas asseguram que em 2010 a Concórdia renovará a certificação sem problemas, espera.

    Química e Derivados, Bacia contém efluentes antes do tratamento externo, Transporte

    Bacia contém efluentes antes do tratamento externo

    Por causa das lavagens há uma bacia de contenção para onde são conduzidos os resíduos gerados na lavagem – bacia de três estágios referentes ao recebimento, transferência e acumulação, onde os resíduos ficam retidos até a transferência para a Cetrel, a estação de tratamento localizada na vizinha cidade de Camaçari, sede do 2º Polo Petroquímico. “Na licença ambiental concedida pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado, o IMA, consta a existência da bacia de contenção”, acrescenta Leandra Pessoa Alves.

    Quanto à vaporização, única operação da limpeza dos tanques não realizada nas instalações da empresa em virtude de exigir uma caldeira de vapor, a engenheira explica que é requerida principalmente antes de determinados serviços de manutenção, que incluem soldagens na carreta e são indispensáveis à “capacitação do equipamento”. Tal capacitação, revela, atesta que o conjunto formado por cavalo mecânico, carreta e tanque está apto a continuar operando. Os procedimentos exigidos para renovar a capacitação dependem da idade do equipamento e dos produtos que transportará. “A manutenção de determinados componentes do tanque, como a válvula de segurança, está associada às diferentes classes de produtos”, resume.

    Em 2008, a Concórdia Transportes Rodoviários movimentou 600 mil t de produtos químicos, 80% líquidos, e o restante sólidos acondicionados em contêineres, revela o diretor-comercial e operacional, Benedito Teles. Ele valoriza o fato de a frota apresentar idade média de dois anos e receber manutenção das próprias montadoras. Trabalham na empresa 165 empregados diretamente contratados e mais 55, indiretamente, revela também. Benedito Teles e o sócio, Rogério Leodegário Caetano Filho, fundaram a Concórdia em 1979.

     



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