Química

15 de fevereiro de 2011

IYC 2011 – Trabalho Químico – Economia em expansão melhora salários, mas impõe novos desafios

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Trabalho Químico – Economia em expansão melhora salários, mas impõe novos desafios

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    s bons ventos que animam a economia nacional também sopram a favor das carreiras químicas no Brasil. Tanto o número de postos de trabalho nos últimos dez anos quanto a remuneração percebida pelos profissionais aumentaram. A expectativa para o futuro é de dias ainda melhores. O desenvolvimento dos campos de óleo e gás da região do pré-sal absorverá grandes contingentes de pessoal especializado, em parte trabalhando hoje na indústria química, provocando um considerável impacto.

    Ao mesmo tempo, os profissionais que atuam em atividades químicas precisam se manter em constante atualização. Os investimentos realizados em controle e automação de processos reduziram o número de trabalhadores nas fábricas. No entanto, estas passaram a contratar profissionais de qualificação mais alta, capazes de operar sofisticados sistemas computadorizados e de interpretar a grande quantidade de informações coletadas no campo pelos instrumentos avançados.

    “O perfil dos trabalhadores do ramo químico e farmacêutico no estado de São Paulo revela uma categoria altamente escolarizada e jovem”, avaliou Paulo Lage, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Similares do Grande ABC, valendo-se de estudos realizados pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no estado de São Paulo (Fetquim). Os números, reunidos pelo Dieese com base nos dados oficiais de 2008 da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e do Emprego, indicam que 42,5% do total de profissionais do ramo, em ambos os sexos, contavam com ensino médio completo. Do total, 16,6% dos homens e 23,4% das mulheres da categoria têm o diploma de nível superior. A média geral de 18,9% de formação superior no estado supera em muito a média nacional do ramo químico, calculada em 8,3%. Cerca de 70% da categoria paulista tinha menos de 39 anos de idade em 2008, sendo 36,6% com menos de 29 anos.

    A base da Fetquim contava, nesse estudo, com 172.210 profissionais (32% de mulheres), correspondentes a 56,4% do total da categoria no estado e a 27,9% no Brasil, este com 617.499 profissionais (30% mulheres). A base inclui todo o pessoal que atua na fabricação de produtos químicos, farmoquímicos, farmacêuticos, de artefatos de borracha e de material plástico.

    Com dados da Rais de dezembro de 2009, Lage aponta a alta concentração da indústria química nacional na Região Sudeste, especialmente no estado de São Paulo. Para um total nacional de 669.062 trabalhadores, atuavam em território paulista 325.169 profissionais, com remuneração média mensal de R$ 2.497,82, a maior da indústria. Apenas o Distrito Federal ostenta média mensal melhor: R$ 2.671,55, porém grande parte desses profissionais desenvolve atividades governamentais.

    Química e Derivados, Tabela - IYC 2011, Trabalho Químico, Piso da Categoria

    Tabela 1: Piso da Categoria – Clique para ampliar

    A consequência dessa concentração química está na relevância dos dissídios do estado como orientadores para os demais. A categoria renegocia todos os anos sua remuneração e condições laborais em abril (setor farmacêutico) e novembro (demais segmentos). “Desde 2004, temos obtido sucessivos aumentos salariais e do piso da categoria, sempre acima do INPC e do salário mínimo oficial, e também da participação nos lucros e resultados (PLR)”, afirmou Lage. “Aliás, o ramo químico foi o pioneiro no Brasil no estabelecimento de programas de remuneração variável associados a metas de produção e lucratividade, seja por empresa ou por convenção coletiva.”

    Química e Derivados, IYC 2011, Trabalho Químico, Ganhos Salariais Químicos

    Tabela 2: Ganhos Salariais Químicos – Clique para ampliar

    Os avanços salariais da categoria estadual acumularam ganho real de 11,4% entre 2005 e 2010. “Isso nos permitiu compensar as perdas dos dez anos anteriores”, avaliou o presidente do sindicato. No mesmo período, o piso salarial aumentou 18,6%, chegando a R$ 890,00 em dezembro de 2010 – para um salário mínimo nacional de R$ 510,00. Segundo o presidente, o sindicato tem negociado aumentos maiores na base do que no topo salarial.

    O estudo da Fetquim, porém, aponta que a massa de remuneração na base da categoria permaneceu inalterada entre janeiro de 2009 e março de 2010. A entidade sindical registrou um índice de rotatividade de 32,7% nas indústrias químicas e farmacêuticas nesse período. Os 56.416 trabalhadores admitidos na região de abrangência ingressaram com salários iguais a 78,1% do valor recebido pelos profissionais desligados. Lage considera esse dado como uma expressão isolada daquele período, ainda marcado por efeitos da crise no exterior. “Algumas empresas ainda têm essa mentalidade, mas a rotatividade atual é do bem; o profissional é que se demite para ganhar mais em outro emprego”, comentou.

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    Tabela 3: Aumento da PLR – Clique para ampliar

    O sindicato dos químicos do ABC, embora abrigue o polo petroquímico paulista, tem como o maior empregador da categoria a transformação dos plásticos. “Na maioria, são pequenas e médias empresas que sofrem com o câmbio, com a concorrência chinesa e com a pressão da concentração petroquímica nacional; mas mesmo essas empresas querem contar com profissionais com diploma”, comentou Lage. “E o próprio trabalhador quer se qualificar porque ele poderá ganhar salário maior, fora a melhoria da autoestima.”

    Atento ao anseio de seus filiados, o sindicato oferece cursos de aprimoramento e formação em parceria com as escolas do Senai instaladas na região. “Um dos trabalhos mais importantes que estamos fazendo é a qualificação dos portadores de necessidades especiais, até para suprir as vagas abertas pelo regime de cotas imposto pela legislação”, explicou.


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