Química

5 de outubro de 2004

Tio2: Suprimento apertado eleva preço

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Forte concentração da demanda mundial entre abril e agosto, somado à insperada recuperação de vendas,consumiu estoques e iniciou um ciclo de alta nos preços do principal opacificante e pigmento branco

    Evolução da capacidade instalada mundial

    Química e Derivados: Tio2: c. ©QDO preço do dióxido de titânio, principal agente opacificante e pigmento branco para tintas e plásticos, disparou neste ano e só deve oferecer algum alívio aos consumidores a partir de 2006.

    As cotações já superam a faixa de US$ 2 mil por tonelada, assustando os compradores, mas ainda estão distantes do patamar que desencadearia uma onda de investimentos pesados em novas capacidades produtivas, estimado em US$ 2,6 mil/t.

    Informações prestadas pelos principais fornecedores locais e mundiais justificam os aumentos por um descompasso entre oferta e demanda, gerado a partir da rápida e não prevista recuperação econômica dos Estados Unidos, a partir do final de 2003. Do outro lado do mundo, a China manteve seu ritmo forte de desenvolvimento, absorvendo generosas porções do material.

    “Acontece que a indústria de titânio em 2003 amargava uma fase de preços deprimidos e demanda fraca iniciada em 1999”, explicou Ciro Marino, diretor-geral e comercial da Millennium Chemicals para a América Latina. Dada a sazonalidade do consumo (60% realizado de abril a agosto), as indústrias precisam formar estoques nos primeiros três meses do ano, a fim de atravessar o restante do período sem problemas. Segundo Marino, como a expectativa de negócios para 2003 era ruim, os estoques formados foram pequenos e deram conta da demanda, encerrando o ano com estimativa de reservas para 70 dias.

    Química e Derivados: Tio2: abertura_aaaa__ti_o2. ©QDToda a indústria de titânio começou 2004 sem grandes expectativas, carregando estoques. “Na média, o setor começou o ano ocupando apenas 85% de sua capacidade, quando teria sido necessário operar a 95% para suprir a demanda que estava ainda reprimida”, comentou. Quando o consumo disparou, as fábricas aceleraram a produção, mas o mercado ficou apertado. “Em 2005, se a demanda continuar alta e não for possível montar estoques no início do ano, a situação poderá ser ainda pior”, afirmou. Sem alteração no quadro, a indústria de titânio passará a operar o ano todo ocupando 95% de sua capacidade, perigosamente próxima de seu limite físico. Qualquer problema operacional desencadeará uma crise global no produto.

    Marino observa que a escassez de outros produtos importantes para o setor de tintas, como acrilato de butila e estireno, ajudaram a conter o consumo do dióxido de titânio. Várias outras linhas, ligadas diretamente à cadeia petrolífera, apresentaram escalada de preços ainda mais íngreme, nem sempre absorvidos pelos consumidores finais. No quadro mundial, a demanda pelo material havia caído ligeiramente em 2003, mas apresentou forte recuperação neste ano, da ordem de 7%, chegando a 4,3 milhões de t.

    As projeções para os próximos cinco anos apontam evoluções mais modestas, na faixa de 2% ao ano. Já os investimentos em produção ficam muito abaixo disso. “Praticamente, a expectativa é de atender o mercado com ampliações das unidades produtivas existentes, que também serão aproveitadas ao máximo”, informou Marco Aurélio Barboza, gerente de vendas e marketing da Du Pont Titanium Technologies pa- para a América do Sul. A indústria considera os preços, apesar da alta recente, ainda insuficientes para bancar a construção de uma nova fábrica mundial, que deveria ter capacidade, pelo menos, para 150 mil t/ano de TiO2, orçada em US$ 500 milhões. “Foram vários anos de preços deprimidos, ninguém tem caixa para pensar nisso agora, basta mencionar que fábricas ainda estão sendo fechadas no mundo”, comentou.

    Química e Derivados: Tio2: abertura__ti_o2. ©QDCiro Marino avalia em 112 mil t/ano a capacidade produtiva do óxido fechada no mundo, equivalente a 2% da capacidade mundial e a 6% da capacidade total com base na via sulfato.

    Química e Derivados: Tio2: Marino - se não forem formatos estoques, 2005 será ainda pior. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Marino – se não forem formatos estoques, 2005 será ainda pior.

    Na avaliação de Ralf Ahlemeyer, gerente de negócios da Degussa Brasil para a área de tintas e resinas, que representa a linha de dióxido de titânio da Kronos, quinta maior produtora mundial, o fechamento de fábricas está mais ligado à questão ambiental do que a razões econômicas. “Cada tonelada de dióxido de titânio obtida pela via sulfato gera 7 toneladas de resíduos, enquanto pela via cloreto a relação é de 1:1”, explicou.

    A consolidação de fornecedores por meio de fusões e aquisições, durante a década de 1990, tornou o mercado mais previsível, encurtando a distância entre picos e vales no gráfico de preços. Essa estratégia de negócios foi adotada depois que os produtores do pigmento ficaram espremidos entre dois blocos fortes, o das mineradoras e o dos produtores de tintas, perdendo rentabilidade. Mesmo assim, o produto não voltou a despertar o interesse dos analistas dos principais financiadores mundiais.

    O titânio é obtido a partir de minérios, a exemplo da ilmenita, explorada no Brasil pela Millennium. O minério precisa ser atacado por ácidos fortes (sulfúrico ou clorídrico) para posterior recuperação e purificação do titânio na forma de sulfato ou cloreto, posteriormente oxidado. As formas anatase e rutilo se diferenciam nas grades cristalinas, que lhes conferem algumas propriedades específicas, como níveis de dureza.

    “Pelo processo sulfato, há sempre um teor residual de ferro, deixando o dióxido de titânio resultante um pouco amarelado”, disse Ahlemeyer. Porém, esse processo origina produtos menos duros e abrasivos que os obtidos pela via cloreto. “Essas características influem muito menos do que o preço na decisão de compra por parte dos clientes”, disse.


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