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12 de julho de 2016

TiO2: Setor aguarda reestruturação

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, TiO2: Setor aguarda reestruturaçãoO mercado global de dióxido de titânio (TiO2) aguarda uma profunda reestruturação. O comportamento descasado de oferta e demanda conduziu a uma situação de preços baixos, insuficientes para justificar novos investimentos produtivos ou para incrementar a qualidade e segurança das operações. Alguns produtores de alcance mundial já começaram a fechar unidades menos eficientes, buscando aumentar sua competitividade. Mas esse movimento ainda é tímido para o tamanho do desafio a ser enfrentar.

    A produção do principal agente opacificante e pigmento branco resulta de um longo encadeamento de processos, desde a mineração até as etapas de acabamento dos produtos finais mais sofisticados. Dependendo do caso, a atividade apresenta elevado potencial de gerar resíduos poluentes, obrigando a adotar medidas de contenção, tratamento e disposição avançadas, que incidem no custo de produção, inevitavelmente. No passado, alguns países, a exemplo da China, adotaram a política de ignorar os efeitos ambientais para incentivar a produção de pigmentos, entre eles o TiO2, mas já mudaram de postura e passaram a adotar padrões ambientais mais próximos dos exigidos nos principais mercados.

    “A China, que desequilibrou o mercado durante a década de 1990 com a abertura de um grande número de fábricas, também está fechando unidades menores e ineficientes”, comentou Ciro Mattos Marino, diretor comercial da Cristal Pigmentos, empresa ligada ao grupo saudita Cristal, de atuação global. Como informou, os produtores chineses também estão operando no vermelho, justificando uma reorganização. Como a China atualmente abriga 30% da capacidade mundial de produção do pigmento, ela deverá apresentar movimentos relevantes de reestruturação. “Muitas empresas internacionais montaram e operam unidades nesse país e conhecem a sua realidade”, disse.

    Além da questão ambiental, Marino aponta que a produção de TiO2 é voraz consumidora e água e eletricidade, ambas escassas em território chinês, cujas autoridades estão impondo severas restrições de consumo.

    Os produtores internacionais vão, aos poucos, promovendo adaptações. Além de fechar unidades menos econômicas, as companhias buscam tornar suas operações mais racionais, especializando unidades em poucos grades, de modo a especializar unidades, evitando paradas e perdas. Mesmo assim, ainda se formaram estoques elevados de produtos. “Até o ano passado, os estoques em poder dos fabricantes estava muito alto e isso provocou uma derrubada de preços internacionais”, explicou Marino. “Agora, os estoques estão mais curtos, porém a demanda cresceu muito pouco e não está sustentando preços mais elevados.”

    Outra medida adotada pela indústria global foi investir em produtos mais sofisticados, com maior valor e menor concorrência do que os grades commoditizados. “São produtos que oferecem alternativas tecnológicas para os mercados aos quais se destinam, podem aumentar o poder de cobertura, a durabilidade e outas características das tintas, por exemplo”, disse. A Cristal passou a se dedicar ao desenvolvimento de produtos especiais, indicados para a produção de catalisadores e revestimentos antipoluentes. “São pigmentos que, quando aplicados a telhados ou fachadas de prédios, conseguem catalisar a degradação de hidrocarbonetos presentes no ar das grandes cidades, transformando-os em substâncias menos agressivas à saúde humana e ao meio ambiente”, explicou. A inovação existe, mas será preciso aguardar a sua assimilação pelo mercado.

    Brasil sofrendo – O mercado brasileiro sofre em dobro. Por aqui, a retração de demanda é muito maior que a verificada no agregado global. É notória a péssima situação da economia local, dispensando maiores considerações. “Os principais consumidores de TiO2 são a indústria automobilística, a construção civil e os plásticos, todos eles em retração profunda no país”, apontou Marino. Nem mesmo a repintura das habitações, o chamado consumo formiga, está sendo mantido, refletindo o baixo poder de compra da população.

    A produção de tintas, segmento que sempre se mostrou resistente às crises brasileiras, fechou 2015 com redução de 7% no volume fabricado. Como as tintas são as maiores usuárias do TiO2, o impacto na venda do pigmento foi muito forte.


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      Um Comentário


      1. Daniela

        Aos preços do mercado assim o advinhavam ! Era previsível que chegaríamos aqui , tal como em 2011 chegamos . Crises cíclicas que limpam e fazem acertar a poeira .



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