Tintas e Revestimentos

16 de fevereiro de 2009

TiO2 – Preços despencam e obrigam produtores a reorganizar a atividade

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, TiO2, Tintas e Revestimentos

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    stá longe de ser azul o mercado do dióxido de titânio. Espremidos pelo aumento dos custos dos minérios e da eletricidade, enquanto a demanda mundial se mantém retraída, os produtores do principal pigmento branco e agente opacificante das tintas começam a paralisar fábricas inteiras. Alguns desses fechamentos são definitivos.

    Os três maiores segmentos consumidores do dióxido de titânio – tintas, plásticos e papel – acusam os efeitos da crise econômica global, iniciada em setembro de 2008. Antes dela, as vendas eram crescentes, embora a rentabilidade das operações pouco animasse os investidores a pensar em instalar novas fábricas. O cenário de oferta muito justa para uma demanda aquecida motivou a formação de estoques nas cadeias produtivas. O corte abrupto de vendas e de expectativas de negócios para 2009 desencadeou movimento no sentido contrário: a desestocagem.

    Química e Derivados, Ciro Marino, Responsável pelos negócios da Millennium Inorganic Chemicals, Tintas e Revestimentos

    Ciro Marino: ajustes da operação local foram feitos em 2008

    “Desde outubro, a desova de estoques mundiais contribuiu muito para a queda de vendas calculada em 45% do TiO2”, comentou Ciro Marino, responsável pelos negócios da Millennium Inorganic Chemicals, pertencente à Cristal Global, liderada pela saudita Tasnee (66%), com a participação do fundo Gulf Investment, que reúne capitais oriundos de países do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Emirados Árabes, Omã e Kuwait. A compra foi concluída em maio de 2007.

    “A demanda brasileira no quarto trimestre de 2008 caiu mais da metade do que era esperado com base no desempenho do primeiro semestre”, aduziu Paulo Vieira, vice-presidente da DuPont Titanium Technologies – América Latina. Ele atribui a queda à retração das vendas de bens de consumo e duráveis, com a contribuição da desestocagem das cadeias consumidoras. “As linhas de tintas, plásticos e papéis encontraram dificuldades para financiar o capital de giro, fato que se somou à incerteza quanto ao comportamento da demanda, agravada pela desvalorização do real em relação ao dólar e ao euro”, disse.

    Fernando Antunes, responsável pelas vendas de dióxido de titânio da Huntsman Tioxide na América do Sul, salienta que a indústria do pigmento está sob forte pressão no curto prazo. Para enfrentar a queda de demanda e a elevação dos custos, os produtores adotaram a estratégia de só produzir as quantidades que possam ser absorvidas imediatamente pelo mercado. “Essa situação, se não for revertida, poderá levar a novos fechamentos de unidades produtivas, concentrando a produção nas fábricas mais eficientes”, explicou.

    Ainda há alguma esperança no mercado de TiO2. Os maiores consumidores – Estados Unidos e Europa – concentram seu consumo nos meses de primavera e verão, fase que se inicia em março, no Hemisfério Norte. Saliente-se que o inverno deste ano está muito rigoroso, postergando a renovação da pintura das casas. Nos últimos anos, com vendas crescentes, era preciso formar estoques do pigmento durante o período de baixa demanda, porque a capacidade instalada mundial era inferior ao volume no pico das vendas. Os estoques garantiam o abastecimento e evitavam a explosão dos preços.

    “O mercado sempre se mostrou muito ajustado entre oferta e demanda, mas neste ano não foram feitos estoques preventivos e os preços poderão apresentar uma recuperação depois de abril, mas isso ainda é incerto”, avaliou Ciro Marino. Paulo Vieira prefere não arriscar previsões, dadas as incertezas da crise econômica, mas entende que as cadeias produtivas estão sendo obrigadas pelas circunstâncias a gerar caixa no curto prazo. “Essa insegurança aumenta o valor da integração entre as empresas da mesma cadeia, tanto para melhorar a qualidade das estimativas quanto para evitar custos relacionados a mudanças repentinas”, afirmou. Ele acredita que os preços devem se estabilizar ao final do primeiro trimestre.

    No caso do setor de tintas, Antunes acredita que o mercado deverá passar até março pela fase de desova de estoques formados com preços elevados. “Daí em diante, a realidade será outra”, comentou. Mas a recuperação de rentabilidade só poderá acontecer depois de 2012.


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