Química

15 de março de 2010

TIO2 – Crise mundial levou setor a fechar quase 5% da capacidade instalada e poderá faltar pigmento se a demanda crescer

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    mercado mundial de dióxido de titânio busca um novo ponto de equilíbrio. Depois da derrocada nas vendas do principal pigmento branco e agente opacificante das tintas, plásticos e papéis, iniciada no quarto trimestre de 2008 e prolongada durante 2009, agora despontam os primeiros sinais de reação de demanda nos principais mercados consumidores, a América do Norte e a Europa. Falta saber se essa recuperação suportará os solavancos atuais da economia global, como a crise grega. E também acompanhar os impactos da recente redução da Tarifa Externa Comum (TEC) no mercado brasileiro.

    Até 2008, o balanço de oferta e demanda se equilibrava. A demanda anual era praticamente igual à capacidade de produção anual instalada. Como o consumo é muito maior durante a primavera e o verão do Hemisfério Norte, com pico entre abril e agosto, as indústrias precisavam operar cheias mesmo nos demais meses, com o objetivo de montar estoques suficientes para satisfazer o apetite dos clientes. A crise de 2008, deflagrada no outono setentrional, desarrumou o tabuleiro. As fábricas demoraram um pouco para sentir que o mercado perdera a vitalidade, mas acabaram sendo colocadas em ociosidade ou definitivamente fechadas.

    “Como a cadeia toda vinha carregando estoques elevados, temendo uma escassez, e já estavam a caminho grandes volumes de dióxido de titânio importado para o Brasil, tivemos dois trimestres de desova de produtos, com uma queda dramática de pedidos”, comentou Ciro Marino, diretor de negócios para a América Latina da Cristal-Millennium Inorganic Chemicals. Ele se refere ao quarto trimestre de 2008 e ao primeiro trimestre do ano passado. Depois desse período, segundo avaliou, os clientes preferiram concentrar suas compras no único produtor local, a Cristal-MIC, a importar, por falta de segurança quanto ao comportamento do mercado.

    “Durante o primeiro semestre de 2009, nós só vendemos os estoques mundiais que tínhamos acumulado”, concordou Fernando Antunes, gerente de vendas da área de pigmentos de dióxido de titânio para a América do Sul da Huntsman. “Em 2008, a companhia fechou definitivamente a fábrica da Inglaterra e, em 2009, parou a da Espanha, que só está sendo reativada em março.”

    Segundo Antunes, as estimativas globais indicavam que os produtores de TiO2 iniciaram 2009 com estoques para 120 dias de consumo “normal”, enquanto a média histórica para o mês de janeiro não passa de 60 dias. A conjunção de estoques altos e preços baixos provocou a parada das fábricas. “A crise derrubou o consumo mundial em 30% a 35%”, afirmou.

    Esgotados os estoques, as operações tiveram de ser reiniciadas, mas em outros conceitos. “Antes da crise, planejávamos a produção com base no histórico das vendas passadas, mas depois da crise o que passou a determinar a produção é a previsão de vendas, com a intenção de não formar estoques”, comentou Antunes.

    “Pela primeira vez em pelo menos vinte anos, as indústrias de TiO2 paralisaram suas operações”, salientou Marino. Segundo explicou, grande parte do parque produtor mundial voltou à ativa no início do segundo semestre de 2009. Porém, a situação financeira das empresas estava deteriorada. “Não havia caixa nem para bancar a produção”, explicou Marino. Por isso, a ordem da companhia para todas as suas unidades foi a de gerar caixa, atitude que se generalizou no setor. Isso significa produzir o suficiente para atender aos pedidos e, ao mesmo tempo, buscar redução de custos.

    No caso da fábrica brasileira, instalada em Camaçari-BA, a situação é um pouco mais amena. Marino explicou que a unidade é integrada com a mina própria de ilmenita, aliviando um pouco os custos. Mesmo assim, em 2008, já sob o controle da Cristal (empresa saudita), o processo foi revisado, aumentando-se o consumo de sucata para melhorar a produtividade. Isso permitiu reduzir de três para dois o número de fornos de calcinação operantes, sacrificando 10% da capacidade produtiva. “O gás natural representa um dos nossos maiores custos, ao lado da eletricidade”, disse o diretor.

    Até abril de 2009, a Cristal-MIC operou a fábrica baiana a 60% da capacidade já diminuída no ano anterior. “Em agosto, voltamos a acionar o terceiro calcinador e recuperamos nossa capacidade nominal de 60 mil t/ano”, afirmou. A capacidade efetiva histórica da fábrica se limita a 56 mil t/ano, como informou. Entre setembro e dezembro de 2009, a planta rodou cheia. Mesmo assim, a Cristal iniciou o ano com estoques baixos, suficientes para apenas 20 dias de consumo.

    Em termos mundiais, ele citou o fechamento de fábricas como a da Tronox em Savannah (EUA), o da Huntsman na Inglaterra e o da própria Cristal em Baltimore (EUA). Combinados com outros cortes, Marino calcula uma redução permanente de capacidade produtiva global em torno de 5%. Além disso, atualmente, nota-se uma redução na oferta de cloro desde o final de 2009, capaz de criar problemas para os processos do tipo cloreto de TiO2. Os tipos sulfato sofrem com a elevação dos preços mundiais do enxofre e do ácido sulfúrico dele derivado.

    Para piorar o quadro, há muito tempo não se fala em construir novas fábricas do pigmento. “Isso evidencia que a remuneração ao produtor não está sendo adequada, situação comprovada pelo fato de o terceiro fabricante mundial, a Kerr McGee (Tronox), estar em processo de recuperação judicial nos EUA”, avaliou.

    Estimativas do setor indicam, segundo Marino, que um quarto da capacidade instalada opera acima do custo médio global. Em geral, as plantas europeias têm custos de produção em euros, mas vendem seus produtos em dólares, e têm excesso de produção. Nos Estados Unidos, há um melhor balanço de oferta e demanda. Em contraste com esse quadro, as indústrias consumidoras de TiO2, como a de tintas, de plásticos e de papel se revelam saudáveis e com possibilidade de retomar o ritmo de crescimento.


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