Tintas e Revestimentos

15 de março de 2012

TiO2 – Tendência de preços altos estimula alternativas

Mais artigos por »
Publicado por: Domingos Zaparolli
+(reset)-
Compartilhe esta página

    química e derivados, tintas, dióxido de titânio

    É

    bom os formuladores de tintas, fabricantes de masterbatches plásticos, produtores de papel e outros usuários de dióxido de titânio se prepararem, o preço internacional desse insumo, o principal pigmento branco do mercado e também agente opacificante, está em alta. A tonelada de TiO2, que em janeiro de 2011 era comercializada por US$ 2,7 mil (FOB), fechou o ano em R$ 3,2 mil e a projeção da consultoria Ti Insight LLC é chegar ao final de 2012 em US$ 4,8 mil. E pode ficar pior. Concretizadas as projeções da consultoria, a tonelada do insumo será comercializada por US$ 5,3 mil em 2013 e superará a barreira dos US$ 6 mil (sempre FOB) em 2015. Ao receber essas projeções de um fabricante chinês, José Carlos Bartholi, diretor comercial da distribuidora Minérios Ouro Branco, confessa que levou um susto. “O pigmento é branco, mas se esses preços se confirmarem, o futuro deste mercado é negro”, vociferou.

    Não são muitos os fornecedores de TiO2 que se arriscam a projetar a evolução dos preços. Marco Aurélio Barboza, gerente de marketing da área de dióxido de titânio da DuPont América Latina, prefere não especular sobre o preço futuro do material, uma vez que a evolução dependerá da relação de oferta e procura. Mas confirma que os custos de produção do dióxido de titânio estão sendo pressionados pela alta de seus insumos. Ciro Marino, diretor comercial e de marketing para a América Latina da Millennium, empresa do grupo saudita Cristal, segundo maior produtor global, não faz projeção de preços, mas acredita que o movimento é altista e deve ser impulsionado com a chegada do verão no Hemisfério Norte, período em que o consumo global de tintas cresce substancialmente.

    Marino demonstra com números o aumento do custo dos insumos. Em um período de 14 meses terminados em fevereiro, o preço da ilmenita, o principal minério utilizado na produção de TiO2, subiu de US$ 90,00 a tonelada para mais de US$ 300,00. A tonelada do rutilo, mineral básico do insumo, avançou de US$ 700,00 para US$ 2.600,00, e o sintético slag (resíduo metálico) passou de US$ 600,00 para US$ 1.600,00 por tonelada. “Não há como a indústria absorver este aumento de custos, será preciso repassar. Quanto haverá de repasse? Isso vai depender do mercado”, disse o executivo.

    Marino e Barboza relatam o mesmo roteiro de problemas que ocasionam este movimento altista. Por quase duas décadas, afirmam, a indústria mundial de dióxido de titânio e as mineradoras que extraem ilmenita e rutilo – a principal delas é a Rio Tinto – não se sentiram estimuladas economicamente a investir em aumento da capacidade de produção. Para complicar, a crise financeira global iniciada em 2008 levou ao fechamento de várias fábricas produtoras no mundo. Agora, o momento é de recuperação da demanda. Produtores estão aproveitando para recompor margens de lucro. Esse cenário deve impulsionar investimentos produtivos no futuro, mas que exigem tempo de maturação. Como disse Marino, “não se deve esperar um grande aumento na oferta dos insumos minerais antes de 2015”.

    química e derivados, dióxido de titânio, Ciro Marino, diretor comercial e de marketing para a América Latina da Millennium

    Marino: demanda mundial dispara com início do verão no Hemisfério Norte

    Hoje a situação é de equilíbrio entre a oferta e a demanda de dióxido de titânio no mundo. A capacidade instalada global, calcula Marino, está em 5,8 milhões de toneladas para um consumo entre 5,2 e 5,5 milhões de t/ano. Mas, para cada 3% de crescimento da economia mundial – em 2011 os países do G-20 cresceram 2,8% –, a demanda de TiO2 cresce em 180 mil toneladas. Uma retomada mais forte da economia global, puxada pelos EUA, já afetará este frágil equilíbrio. Ou mesmo um maior desenvolvimento do potencial de consumo chinês. Uma comparação. Enquanto os 309 milhões de habitantes dos Estados Unidos consomem 1,2 milhão de t/ano de dióxido de titânio, os 1,34 bilhão de chineses consomem 900 mil t/ano. E não é por dificuldade de acesso ao material, pois eles produzem 2 milhões de t/ano.

    Da mesma forma, os investimentos anunciados em novas fábricas de TiO2 são poucos. Resumem-se às ações da DuPont. A companhia americana, maior produtora mundial, com uma capacidade de 1,1 milhão de toneladas de TiO2 em cinco fábricas nos Estados Unidos, México e Taiwan, pretende ampliar até 2014 em 200 mil t/ano a capacidade de sua fábrica mexicana de Altamira. Além disso, deve acrescentar outras 150 mil toneladas até 2015 em projetos de ampliação de suas outras fábricas, informou Barboza. Um outro movimento aguardado no mercado são os planos produtivos da joint venture que uniu, no final de 2010, a mineradora Exxaro com a fabricante Tronox, que está saindo de uma concordata.

    Importação desafia produção local – Nas contas de Marino, o mercado brasileiro de dióxido de titânio era de 167 mil toneladas em 2008 e caiu para perto de 150 mil t em 2009, no auge da crise financeira. Recuperou-se em 2010, com vendas de 192 mil t, com forte reposição de estoques. Em 2011, o consumo local ficou em 182 mil t, em decorrência de um posicionamento das indústrias para atender a um crescimento econômico no país na casa dos 4%, como o alardeado pelo governo, mas não efetivado.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next