Química

18 de agosto de 2010

Tintas – Tintas originais e de repintura crescem e oferecem inovações mais produtivas e amigáveis

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    grama está mais verde no quintal dos fabricantes de tintas automotivas. Desde 2000, as vendas das linhas original e repintura acumulam crescimento superior a 50% em volume, aproximando-se da casa dos 100% em valor de faturamento, nesse caso refletindo também o aumento dos preços dos insumos. Só houve um “soluço” do mercado em 2009, com redução de quase 5% do volume vendido, mas que será recuperado com folga, podendo atingir 7% de evolução positiva durante 2010, como aponta a Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati). Os sete primeiros meses deste ano acumularam vendas de 1,88 milhão de veículos (de passeio e de carga), 8,5% acima do registrado em igual período de 2009, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo.

    “A nova classe média, resultado da melhor distribuição de renda no Brasil, quer comprar carros e está sendo apoiada pela ampla disponibilidade de crédito, com taxas de juros em queda”, justificou Antonio Carlos Oliveira, presidente do conselho diretivo da Abrafati, e também diretor da Divisão DuPont Automotive Systems América Latina e gerente-geral da DuPont Performance Coatings, em Guarulhos-SP. Projeções de mercado apontam para uma taxa média composta de crescimento de 6,5% ao ano nas vendas de veículos leves no Brasil, saltando das três milhões de unidades comercializadas em 2009 para 4,5 milhões em 2016. Os caminhões e ônibus devem ampliar suas vendas anuais em 55% até 2016, embora partam de uma base muito menor. “É evidente que precisam ser feitos investimentos compatíveis na infraestrutura de trânsito para evitar o caos nas grandes cidades”, comentou.

    Química e Derivados, Tintas - Tintas originais e de repintura crescem e oferecem inovações mais produtivas e amigáveis

    Fonte: Abrafati

    Uma visão panorâmica do mercado automotivo nacional salienta a posição do Brasil como grande fabricante de veículos de passeio compactos e de pequeno porte. Os carros médios e grandes tendem a ser importados de outras origens. Isso se traduz na balança comercial do setor, na qual as importações estão crescendo, anabolizadas pela taxa cambial que sobrevalorizou o real. “O volume de importações automobilísticas ainda é baixo perto da produção local e a maior parte dos importados vem da Argentina, aproveitando os mecanismos compensatórios do Mercosul”, explicou Oliveira.

    Além disso, ele salientou que o mercado local de veículos está cada vez mais competitivo, com a presença de um grande número de montadoras de diversas origens, como a Hyundai (Coreia do Sul); Peugeot, Citroën e Renault (França); Mitsubishi, Nissan, Toyota e Honda (Japão). “O preço de uma cesta selecionada de veículos mostra que o preço médio do setor está em queda”, apontou Oliveira. Ele mencionou que a alta competitividade nacional nos carros pequenos garante a operação de algumas plataformas produtivas de porte mundial (acima de 150 mil unidades/ano) com taxas de ocupação elevadas, em torno de 80%. “Isso conduzirá à construção de novas fábricas dentro de poucos anos”, calculou.

    Apesar da disputa acirrada pelos clientes, as marcas tradicionais no Brasil – GM, Ford, Volkswagen e Fiat – ainda dominam o cenário, tendo suprido 73% das vendas em 2008. Mas a tendência, segundo Oliveira, é de essas marcas terem uma participação menor, de 64%, em 2015. Ele verifica uma dependência muito forte do mercado doméstico para a manutenção do nível de atividade, quando a situação ideal seria manter um índice de exportação mínimo entre 10% e 15% da produção para países de fora da região. “Isso forçaria o setor a manter uma evolução constante em qualidade, segurança e respeito ao meio ambiente, o chamado path global”, afirmou.

    As preocupações ambientais, ao lado da segurança ocupacional, estão em alta no setor automotivo. Isso favorece a redução do uso de solventes orgânicos, abatendo as emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC) com a adoção crescente de formulações de base aquosa ou de tintas com altos sólidos, ainda que não exista uma regulamentação oficial no Brasil sobre isso. Ao mesmo tempo, a eliminação dos componentes contendo metais pesados também é notável.

    Esses cuidados se estendem às tintas de repintura, aplicadas nas oficinas de reparação de veículos. Aliás, esse mercado acompanha o desempenho comercial das linhas OEM (pintura original), embora não tenha relação direta com elas em termos de produtos, contando com formulações e sistemas de aplicação muito diferentes. “As pessoas precisam pintar seus carros para vendê-los bem e usar esse dinheiro na compra dos carros novos, por isso as vendas dos dois segmentos caminham juntas”, explicou Oliveira. O alto índice de acidentes (a chamada sinistralidade) com veículos no Brasil também se reflete nas vendas da linha de repintura.

    A indústria química acompanha com atenção os movimentos do segmento de tintas automotivas. “Dos US$ 2 bilhões em investimentos globais em pesquisa e desenvolvimento da companhia, cerca de US$ 170 milhões são direcionados para o setor de tintas, buscando atender a necessidades ainda não cobertas especialmente no setor automotivo”, afirmou Armando Toledo, gerente de marketing de tintas industriais da Dow para a América Latina. Os desenvolvimentos precisam oferecer melhor desempenho na aplicação, reduzir o consumo de energia e devem ter origem em fontes naturais renováveis.

    No ano passado, a Dow exibiu seus poliuretanos da série Renuva, que usam polióis obtidos de fontes renováveis. “Esses produtos têm moléculas com tamanho adequado para gerar efeitos de self-healing [autocicatrização de riscos]”, comentou. Também têm destaque os aceleradores de cura para tintas OEM, reduzindo o consumo de energia nas montadoras.


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