Tintas e Revestimentos

5 de novembro de 2004

Tintas: Tintas imobiliárias recuperam vendas

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Indústria inicia 2005 com cautela, justificada pelo ainda baixo poder aquisitivo dos consumidores e pela alta mundial dos insumos

    Química e Derivados: Tintas: abre_tintas. ©QDA venda de tintas imobiliárias deu sinais de recuperação, principalmente a partir do segundo semestre de 2004, acompanhando o desempenho da economia nacional. A recomposição, ainda que tímida, do poder aquisitivo da população brasileira não foi suficiente para animar completamente os fabricantes: os preços dos insumos consumidos pelo setor dispararam e ainda não foi possível repassar totalmente seu impacto na matriz de custos, comprimindo margens em toda a cadeia de produção e comércio.

    Na parte química, o crescimento da demanda mundial por ácido acrílico e acrilatos provocou elevação de preços e a escassez desses insumos, que se tornaram muito requisitados na linha imobiliária, considerados uma evolução tecnológica sobre os látices vinílicos, mais conhecidos. Ao mesmo tempo, durante 2004 houve problemas mundiais de suprimento de monômero de estireno, depois de alguns anos de baixas consistentes de cotações. Isso significou uma dupla punição para os solicitados produtos obtidos por modificação de resinas acrílicas com estireno. Também o principal agente opacificante e pigmento branco do setor, o dióxido de titânio, apresentou-se mais caro e raro durante o ano, por conta de um desbalanceamento mundial de oferta para uma demanda ampliada de forma rápida e inesperada (ver QD431). A corrida para cima dos preços do petróleo, que pularam de US$ 30 para US$ 50, para fechar o ano perto de US$ 40 por barril atingiu em cheio a produção de solventes, reajustando as cotações até o limite suportável pelo mercado (idem).

    Do lado metalúrgico, a demanda chinesa desencadeou alta de preços do aço laminado, principal insumo para embalagem de tintas imobiliárias. Já se espera para fevereiro deste ano um novo aumento, da ordem de 20%, do produto siderúrgico. A alternativa dos baldes plásticos não ofereceu refresco: subiram até mais do que as cotações do petróleo. É preciso ainda somar as despesas de transporte de produtos, cada vez mais encarecidas pelas deficiências notórias da infraestrutura nacional (ver QD429), sem esquecer o aumento dos custos de seguro de cargas.

    Química e Derivados: Tintas: Ferreira - juros e impostos muito altos brecam a construção civil. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Ferreira – juros e impostos muito altos brecam a construção civil.

    “Houve uma recuperação de vendas em 2004, mas a rentabilidade segue baixa, porque os custos subiram muito”, avaliou Dilson Ferreira, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). As estatísticas da entidade indicam ter havido um crescimento de vendas de 6,2% em volume físico e de 14% em faturamento neste ano. “Além disso, é preciso salientar que 2002 e 2003 foram anos muito ruins.”

    Embora com números diferentes, Roberto Ferraioulo, diretor-presidente do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp), concorda com a explicação. “O mercado brasileiro total de tintas e vernizes crescerá aproximadamente 4,5% neste ano, acompanhando o PIB, e não foi melhor porque o poder aquisitivo da população é baixo e os insumos consumidos pela cadeia de produção sofreram aumentos expressivos de preços”, afirmou.

    Responsável por 60% das vendas do setor, o segmento de tintas imobiliárias teve desempenho razoável, crescendo por volta de 6% em volume físico, depois de ter perdido 1,5% em volume em 2003. “A construção civil deveria receber tratamento diferenciado por parte do governo federal, pelos seus efeitos sociais”, defendeu Ferraioulo. A redução do déficit habitacional representa melhor qualidade de vida para os cidadãos, principalmente de baixa renda, reduzindo a incidência de doenças. Além disso, abre postos de trabalho para todos os níveis de escolaridade, principalmente os menos qualificados, irrigando a economia com um fluxo grande de dinheiro, revertido em consumo. “O déficit de habitações chega a 7 milhões de unidades”, comentou.

    O efeito multiplicador desse setor empresarial também é gritante. “Quando alguém tem uma casa nova, ele compra móveis, eletrodomésticos e usa mais os meios de transporte individual ou coletivo; tudo isso consome tintas”, afirmou Ferraioulo. Falta aos investidores contar com uma política industrial na área de construção, incluindo juros diferenciados e até uma revisão tributária coerente. “Seria preciso introduzir essas reformas logo, mas não há previsão que saia nada até 2006”, desanimou.

    “Carros populares contam com redução do Imposto sobre Produção Industrial (IPI), mas os itens usados para construções populares não têm, por quê?”, questiona Dilson Ferreira. A incidência de tributos inibe o consumo, tanto ou mais do que a taxa de juros e é capaz de afugentar a procura por financiamentos imobiliários. “Os juros elevados que temos no País tornam impraticáveis os financiamentos de longo prazo, além de canalizar os recursos disponíveis junto a investidores para aplicações no mercado financeiro”, lamentou.

    Essas condições locais, somadas às incertezas mundiais quanto ao preço dos derivados de petróleo e do impacto da desvalorização do dólar americano, sem mencionar a provável desvalorização das commodities exportadas pelo Brasil, desestimulam os líderes setoriais a projetar aumentos de vendas superiores a 5% para o próximo ano.


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