Química

15 de julho de 2010

Tintas Solventes – Sistemas híbridos substituem aromáticos sem pesar no custo

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    cerco está se fechando contra os solventes aromáticos usados na indústria de tintas. Pressões de caráter ambiental e de proteção à saúde dos trabalhadores e dos consumidores restringem o uso de hidrocarbonetos muito conhecidos, como o tolueno e os xilenos. A situação abre, porém, uma oportunidade para a indústria química oferecer alternativas mais amigáveis para uso nas tintas.

    Enquanto as peças se movem no confronto de interesses, a Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati) decidiu estudar o problema dentro do setor, com o intuito de definir diretrizes para uma autorregulamentação. Essa postura foi adotada, com sucesso, na introdução de parâmetros mínimos de qualidade para as tintas imobiliárias, que se converteram em norma oficial no país.

    “Até o fim do ano definiremos o modelo de avaliação de compostos orgânicos voláteis para as tintas imobiliárias e de repintura automotiva no Brasil e instituiremos metas para serem cumpridas pelas empresas associadas”, disse Gisele Bonfim, supervisora técnica da Abrafati. Atualmente, os associados seguem o modelo europeu, que considera a quantidade de insumos orgânicos não formadores de filme com ponto de ebulição inicial, a uma atmosfera de pressão, igual ou inferior a 250ºC. O limite da presença desses compostos foi estabelecido com base nas metas europeias com dois anos de atraso, ou seja, de 2008.

    Um modelo alternativo é o californiano, que considera como VOC apenas os produtos que sofrem reação fotoquímica com óxidos de nitrogênio, liberando ozônio na troposfera, criando problemas de saúde e ambientais. Gisele salienta que o modelo americano é menos restritivo e mais trabalhoso que o europeu. Mas tem a desvantagem de não proibir o uso de solventes de alta toxicidade, alguns já banidos no Brasil.

    Enquanto a aplicação do sistema europeu é rápida, uma vez que o ponto de ebulição dos solventes é bastante conhecido, nem todos os índices de reatividade foram determinados. “No caso de aparecer uma substância nova, será preciso enviá-la para os laboratórios dos Estados Unidos para sua determinação”, disse Gisele.

    Dentro da Abrafati, as discussões sobre isso começaram em 2008, quando vários especialistas de diferentes origens foram ouvidos. Em 2009, durante o congresso internacional do setor, cada fabricante de tintas pôde apresentar e defender sua posição sobre o tema. “Verificamos que o conceito de reatividade é o mais adequado para o setor, mas precisamos inserir algumas restrições específicas para que os associados possam adotá-lo, talvez a partir de 2011”, revelou Gisele. Aliás, ela explicou que, na Califórnia, as exigências sobre VOC com base na reatividade estão limitadas às tintas em spray (os grafites). “Há estudos para adotar o método em outras tintas, mas não há exigências legais”, informou.

    A avaliação dos VOCs não diferencia solventes derivados de petróleo dos de origem natural renovável. “São produtos realmente diferentes, do ponto de vista da sustentabilidade, mas isso não pode ser levado em conta na avaliação de VOC”, salientou.

    Alternativas locais – Os solventes sintéticos ocuparam larga fatia de mercado dos hidrocarbonetos, oferecendo menor toxicidade e baixa agressividade ao meio ambiente. Como não são os solventes verdadeiros das resinas usuais do setor, sua utilização exige a formulação de misturas com poder de solubilização e ponto de ebulição adequados às necessidades dos clientes. Ou seja, demandam tecnologia de aplicação.

    Química e Derivados, Gisele Bonfim, Supervisora técnica da Abrafati, Tintas Solventes - Sistemas híbridos substituem aromáticos sem pesar no custo

    Gisele: Abrafati definirá seus critérios para VOC neste ano

    A Rhodia e a Oxiteno se destacam como produtoras locais de solventes sintéticos oxigenados e, agora, ampliam a oferta de produtos obtidos de fontes naturais renováveis. “O Brasil é a nossa grande base para solventes renováveis, contando com as plataformas do etanol e da glicerina de biodiesel”, afirmou Vincent Kamel, vice-presidente de intermediários e solventes da Rhodia para a América Latina e recém-nomeado principal executivo de duas novas unidades globais de negócios da Rhodia, a de solventes e a de fibras, ambas com sede no país, que representa 17% das vendas mundiais da companhia.

    “Nosso foco de desenvolvimento em solventes está direcionado para produtos com menor geração de VOC e origem natural”, comentou Maurício de Andrade Lopes, gerente de mercado para solventes da Oxiteno. Ele salientou que as vendas de solventes da companhia tiveram resultados animadores durante o primeiro semestre deste ano, principalmente pelo bom desempenho do setor de tintas. Especialmente a metiletilcetona (MEK) registrou vendas acima da média, por conta de paradas em produtores concorrentes e da ampliação dos usos do solvente em formulações para substituição do tolueno. “Essa ainda não pode ser considerada uma tendência firme, mas foi bastante significativa nos últimos meses”, explicou.

    Lopes salientou a boa aceitação do Ultrassolve N-1200 pelos segmentos industrial e automotivo. Trata-se de um acetato de sec-butila, lançado em 2009, com taxa de evaporação e preço inferiores aos do acetato de butila convencional.

    A Oxiteno pretende aproveitar a sua unidade oleoquímica de Camaçari-BA, inaugurada no ano passado, para obter solventes de fontes naturais renováveis. “Estamos estudando alternativas para coalescentes usados nas tintas imobiliárias”, afirmou Lopes. Na linha dos produtos “verdes”, a companhia já fornece acetato de isopentila, obtido de etanol canavieiro.


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