Química

24 de maio de 2010

Tintas – Setor de embalagens prepara as máquinas para aproveitar o boom imobiliário e automotivo

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Publicado por: Hilton Libos
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    os últimos anos, as duas grandes preocupações dos fabricantes de embalagens para tintas se dividiram entre o enquadramento de sua produção aos parâmetros atuais de sustentabilidade e a adequação à regulamentação do transporte de produtos perigosos, que aumentou o rigor das exigências de segurança. Isso ocorre no exato momento em que as empresas de toda a cadeia produtiva preparam as máquinas para responder ao aumento da demanda por tintas, induzido pelo boom da construção civil e da indústria automotiva.

    O diretor de inovação e tecnologia da Metalúrgica Prada, Valdeir Giorgini, vai direto ao ponto: “Quanto mais carro, mais tinta e embalagem se precisam. É uma cadeia lógica de crescimento de demanda, à qual estamos observando cuidadosamente e reservando investimentos.” No último elo da cadeia produtiva das tintas, os fabricantes de embalagens plásticas são os primeiros a anunciar que o setor está pronto para duplicar o número de turnos para responder à ampliação de mercado que se anuncia à altura e conforme as novas exigências de qualidade ambiental com mais segurança em seus produtos.

    Com a Resolução nº 420 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e modificações posteriores, além da criação de normas específicas para inspeção e certificação de embalagens para produtos perigosos, foram cobertas todas as formas de acondicionamento de produtos considerados críticos, desde as pequenas latinhas de amostras até os contenedores do tipo IBC. Os solventes orgânicos e as tintas que os usam foram atingidos pelas normas e buscaram adaptação.

    Independentemente dos rigores normativos, os empresários do setor de embalagem já haviam se adiantado ao conjunto de precauções, até porque na avaliação dos riscos de transporte é um dever a concentração das atenções na resistência da embalagem às trepidações sofridas pelos fundos das latas ou recipientes de plástico, sujeitos à fadiga e consequente ruptura durante a distribuição da mercadoria, detalhe que não foi considerado pela nova legislação, como salientou Antônio Carlos Teixeira Álvares, da Brasilata. O trabalho de distribuição obriga o transporte por longas distâncias no território nacional e atravessando as fronteiras secas na exportação para os países vizinhos. As precauções para prevenir e impedir rupturas do fundo de tambores podem ser tomadas por meio de simulação em laboratório em uma mesa vibratória, como consta da norma NBR-9461 para avaliação do desempenho em vibração vertical de embalagens.

    Química e Derivados, Software, Tintas - Setor de embalagens prepara as máquinas para aproveitar o boom imobiliário e automotivo

    Software ajudou a desenvolver lata que não abre na queda

    Durante 2009 o mercado nacional de tintas e vernizes sentiu um período de leve retração, após crescer consecutivamente nos últimos dez anos: a redução foi de 0,9% em relação a 2008 (de 1,243 bilhão de litros para 1,232 bilhão de litros), segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati). As tintas para a indústria em geral apresentaram recuo mais acentuado de 6,5% e as da indústria automotiva fecharam 2009 com queda superior a 4%, enquanto o segmento de repintura automotiva também registrou redução de aproximadamente 4%. Em meio a esse cenário de crise, o setor da construção civil foi o único que sinalizou para o início de uma tendência de aquecimento, registrando crescimento de 0,7%.

    “O setor imobiliário deverá implementar o mercado, embora ainda não seja possível avaliar o tamanho desse crescimento”, analisou Eduardo Brasil, diretor da Litografia Valença, empresa fluminense especializada em embalagens metálicas. “Os contatos com todos os grandes fabricantes de tintas avaliam essa possibilidade de crescimento do consumo no setor imobiliário e essa constatação me leva a crer que mais para o final do ano teremos que ampliar nossa capacidade produtiva para podermos corresponder à demanda”, previu Eduardo Brasil.

    Plástico x lata – O diretor-comercial e de desenvolvimento da Fibrasa, Marino Escudero, concorda com esse cenário positivo no setor de construção civil, mas condiciona seu aproveitamento priorizando o tipo de matéria-prima utilizado, o plástico. Segundo o gerente regional de vendas, Paulo Bernardes Silva, é inegável que no mercado nacional de embalagens a maior parcela dos fabricantes de tintas tradicionalmente usa as metálicas. “Mas esta situação está se revertendo ano a ano, com uma participação cada vez maior do balde plástico, seguindo uma tendência mundial”, disse. Com base nessa migração para o plástico, Escudero sustenta a expectativa de ampliação do mercado se avizinhando. “Em parte devido ao aquecimento do mercado, em parte devido a uma preferência do consumidor em algumas regiões como o Norte e Nordeste do Brasil; e em parte por causa de alguns clientes que já adotaram esse tipo de embalagem”, explicou o diretor-comercial e de desenvolvimento da Fibrasa – acrescentando a essa relação o aumento das exportações de tintas. “Para esse mercado temos baldes de 3,6 litros; 17 litros e 18 litros, todos com tampa autolacrável e alça, com a possibilidade de impressão em até seis cores em offset ou decoração in mold label com qualidade fotográfica”, explicou Bernardes Silva, acrescentando que todas as embalagens produzidas pela empresa seguem a norma ABNT NBR 14952 nos quesitos de resistência física e a vazamento, empilhamento, fechamento e transporte.

    De olho nos critérios internacionais de segurança e qualidade, a Fibrasa procura se manter sintonizada com todas as tendências no setor de tintas, com um portfólio que abarca todos os segmentos: automotivo, industrial e imobiliário. Segundo Escudero, as exportações também impulsionam o uso de baldes plásticos, por causa da sua clássica qualidade de ser praticamente indeformável e ser imune à corrosão no transporte marítimo. Atualmente já é uma realidade na Europa e Estados Unidos e em vários países da América do Sul, como a Argentina, Bolívia e Chile. Caso o setor de tintas nacional opte por seguir essa tendência, no médio e longo prazo “o balde plástico deverá dominar o mercado de embalagens para as tintas à base de água”, acredita Escudero. Ele aponta outros benefícios das embalagens plásticas: ergonômicas, porque são leves e possuem alça para transporte e manuseio; conservação e durabilidade, por sua imunidade à oxidação; e, finalmente, o diretor da Fibrasa destaca o valor ecoeficiente de seus produtos. “A indústria de transformação da embalagem é uma das que mais avançaram em sustentabilidade”, afirmou o diretor da Fibrasa – explicando que sua produção não emite CO2 e não há descarte de resíduos. “Como trabalhamos com injeção de polipropileno, toda e qualquer apara vai para a central de resíduos que são encaminhados para reciclagem”, explicou. O prestígio internacional do plástico, segundo o diretor da Fibrasa, adveio das conhecidas facilidades que esse material proporciona para a criação de diferentes formas de design, diversidade de cores, bom rendimento de impressão e custo competitivo.


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