Tintas e Revestimentos

25 de setembro de 2013

Tintas e Revestimentos – TiO2: Mercado instável abre espaço para consolidação de negócios em TiO2

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Tintas e Revestimentos - TiO2: Mercado instável abre espaço para consolidação de negócios em TiO2

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    mercado mundial de dióxido de titânio ainda está se adaptando aos efeitos da crise mundial iniciada em 2008. A capacidade instalada de produção se apresenta muito próxima da demanda global pelo insumo. Dessa forma, o abastecimento dos vários mercados só é possível mediante um esforço de planejamento operacional complexo, pressionado pela elevação de custos e, na outra ponta, pelo desejo manifesto dos consumidores de pagar menos pelo insumo.

    Houve um período de escassez em 2012, não superado totalmente. A expectativa para 2013 é difusa, mas nunca tranquila. E não se vislumbra uma forma de superar essa intranquilidade, pois não se preveem investimentos em novas unidades de produção do pigmento e agente opacificante. Pelo lado da demanda, alguns segmentos reduziram o consumo, caso dos papéis especiais. Porém, algumas fábricas foram paralisadas, mantendo o mercado apertado.

    A DuPont anunciou estar estudando a venda, completa ou em partes, de sua divisão de negócios de performance chemicals, com faturamento de US$ 7,2 bilhões em 2012 (quase 20% do total da companhia). A divisão inclui os interesses em dióxido de titânio, do qual é um dos maiores players mundiais, cujos resultados esperados para este ano devem ser menores do que os registrados em 2012, embora tenha havido recente recuperação de volumes vendidos. A companhia explicou a saída dos negócios de química de performance, que também incluem fluoroquímicos e especialidades químicas, pelo interesse corporativo de se concentrar em negócios mais rentáveis e menos instáveis, notadamente os ligados à alta tecnologia. A DuPont é a maior fabricante mundial de TiO2, e abastece o mercado brasileiro com uma alíquota de imposto de importação diferenciada, de 6%, por força de acordos internacionais com o México, onde possui uma de suas fábricas.

    A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas capitaneou o pleito da redução da alíquota do imposto de importação sobre o dióxido de titânio, obtendo do governo federal uma redução de 12% para 2%, embora limitada a uma cota de 95 mil t para 2012. Em 31 de maio de 2013, o benefício foi renovado, como autorizado pela Câmara de Comércio do Mercosul (Diretriz 11/13), porém limitado a 47 mil t por um período de seis meses. Em meados de julho, essa cota já estava esgotada. A Abrafati já envida esforços para conseguir nova prorrogação.

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    “A redução da alíquota de importação é uma vantagem importante para o abastecimento do mercado”, avaliou Regina Schwab, diretora-geral da distribuidora Braschemical. Tradicional fornecedora do insumo para a fabricação de tintas gráficas, a empresa conquistou em janeiro deste ano a distribuição de produtos da alemã Sachtleben para os segmentos de tintas, plásticos e papéis. “Atuamos com estoques locais, mas também fazemos muitos negócios Indent, nos quais os clientes importam direto da produtora”, explicou.

    Apesar de considerar a alíquota minorada importante e lamentar a restrição a uma cota de apenas 47 mil t por seis meses, Regina afirma que os efeitos práticos dessa medida, neste ano, não foram significativos. “A liberação das guias de importação com a alíquota menor começou em junho, quando o dólar começou a ficar mais caro no Brasil; a cadeia produtiva estava estocada e houve venda dos estoques a preço baixo, sem contar a participação de pigmentos chineses com preços competitivos, que incomodou bastante”, comentou.

    Ela confirma que os preços internacionais do TiO2 estão em uma fase de baixa, que tende a ser revertida. Caso contrário, tornam-se previsíveis movimentos de consolidação de negócios, especialmente envolvendo fábricas na Europa. A Sachtleben pertence ao grupo financeiro alemão Rockwood Holdings, contando com capacidade de produção de 340 mil t/ano do insumo, divididas em três fábricas (duas na Alemanha e uma na Finlândia, que já foi da Kemira), todas pelo processo sulfato.

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    O único fabricante brasileiro, a Cristal, nova denominação oficial da companhia para todo o planeta, que no Brasil respondia pelo nome de Millennium Inorganic Chemicals, pode produzir 60 mil t/ano do material, insuficientes para atender à demanda local, avaliada entre 160 mil e 170 mil t/ano. Porém, a companhia, sob controle saudita, adverte: os custos de produção no Brasil são mais elevados do que em outras unidades do grupo. “Estamos rodando com ocupação de somente 70% da capacidade instalada, nem conseguimos mais manter o volume de exportações de Camaçari para os países vizinhos da América do Sul”, comentou Ciro Marino, diretor comercial e de marketing da Cristal para a América do Sul.

    Ele comentou que a crise de 2008 representou um marco para a indústria mundial de dióxido de titânio. Aquele ano começou com uma forte expectativa de vendas e, por isso, os estoques dos produtores estavam elevados e com o caixa muito baixo, comprometido com a aquisição de matéria-prima. Com a retração econômica, todos passaram a vender o produto a preços baixos, na intenção de reduzir estoques e fazer caixa. Em 2009, sem melhores perspectivas, os fabricantes reduziram a produção e postergaram as intervenções de manutenção como forma de reduzir custos. Os preços seguiram deprimidos e as vendas baixas. “Quando 2010 começou, os produtores de TiO2 estavam com os estoques quase zerados e a confiabilidade das fábricas estava comprometida pela falta de manutenção. Nesse ambiente, os preços começaram a subir, até chegar ao pico de US$ 4 mil por tonelada em 2011”, explicou Marino.

    Segundo ele, havia em 2011 uma percepção de que a demanda pelo insumo permaneceria aquecida, gerando preocupações quanto ao suprimento de matérias-primas, minérios contendo titânio, como a ilmenita, para 2014 e 2015. “Os contratos de suprimento com as mineradoras são firmados por prazos longos”, comentou. Como os preços do dióxido estavam elevados, as empresas de mineração passaram a exigir aumentos abusivos para renovação de acordos. “Em alguns casos, os aumentos chegaram a 400%”, afirmou.


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