Tintas e Revestimentos

19 de outubro de 2007

Tintas – Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    realização de ensaios em tintas para a avaliação de sua durabilidade quando expostas a meios agressivos, como intempéries, sal e agentes poluentes, ainda é restrita a alguns poucos segmentos do mercado no Brasil, como o de tintas automotivas e o de tintas anticorrosivas, voltadas para o uso em manutenção industrial e nas indústrias petrolífera e naval. Os ensaios são pouco comuns entre os fabricantes de tintas imobiliárias e tintas para a indústria em geral.

    A massificação desses ensaios só deve ocorrer quando a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) estabelecer normas específicasem seu Programa Setorialde Qualidade (PSQ). A estimativa dos coordenadores do programa é de iniciar os testes para a aplicação de normas para ensaios de intemperismo no segmento de tintas imobiliárias em 2009, como informa a supervisora técnica da Abrafati, Gisele Bonfim.

    Mas antecipar as exigências do PSQ pode render bons resultados para a indústria de tintas. Com a realização de ensaios, é possível desenvolver formulações mais adequadas, com custos menores, permitindo estudar o comportamento da tinta e usar apenas a quantidade necessária de insumos para um determinado objetivo.

    Química e Derivados, Leandro de Santis, Gerente da Panambra, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Santis: ensaios apóiam até ações de marketing

    “Não testar a tinta, por meio de ensaios, é não conhecer o produto que se está formulando”, diz Leandro de Santis, gerente da Panambra, representante no Brasil dos equipamentos para ensaios Atlas, dos Estados Unidos. “Infelizmente, ainda são poucos os fabricantes brasileiros, fora do segmento de tintas automotivas, que utilizam este recurso”, afirma o executivo.

    Realizar ensaios pode também servir como ponto de sustentação para uma eficiente estratégia de marketing explorando a qualidade do produto. Para o consumidor, ter um mecanismo de acesso a informações sobre o desempenho esperado das tintas, onde ele poderia fazer comparações entre o custo e o benefício de cada marca, seria ingressar no mundo do consumo consciente, ainda distante de ocorrer no País.

    Nos setores automotivo e petroleiro, são os consumidores, no caso as grandes corporações, que ditam as especificações exigidas, embasadas em critérios técnicos, da tinta adquirida. Nesses segmentos de mercado, é comum os próprios compradores realizarem ensaios e determinar normas e padrões aos fornecedores, caso típico da Petrobrás.

    Ensaios naturais e acelerados– Existem dois sistemas distintos para a realização de ensaiosem tintas. Um é o tradicional, por meio da exposição natural do material pintado ao meio agressivo que se deseja analisar. É o caso do ensaio de salt spray, no qual uma chapa de aço, por exemplo, fica exposta à maresia em uma região à beira-mar. Ou, no teste para intemperismo, a chapa de aço é exposta ao sol, à chuva e ao calor em uma região no campo, com boa qualidade de ar. Ou, para ensaios onde se quer acrescentar a resistência à poluição, em uma região urbana e industrial.

    Química e Derivados, Kesternich, Tintas - Normas técnicas exigirão ensaios de resistência às intempéries também nas tintas imobiliárias

    Kesternich mede resistência às chuvas ácidas

    A vantagem desses ensaios é a proximidade do resultado final com o tempo real de duração do material testado. A desvantagem é sua longa duração, medida em anos, para se obter algum resultado. O outro sistema de ensaio é o artificial, realizado em câmaras que simulam o ataque do agente agressivo. Um chapa de aço pintada pode, por exemplo, ficar 24 horas por dia, em uma câmara, exposta a luzes que simulam o sol do meio-dia e, assim, obtém-se muito mais rapidamente a informação sobre qual é o desgaste que este fator agressivo gera na pintura. A desvantagem do sistema artificial é que o resultado é muito menos fiel ao desempenho que o material pintado terá na vida real.

    Celso Gnecco, gerente técnico da Sherwin-Williams Sumaré e autor do capítulo sobre ensaios do livro Tintas & Vernizes, da Abrafati, afirma que não há relação estabelecida entre o tempo de exposição nas câmaras e o tempo de vida útil real dos produtos ensaiados. “As câmaras permitem, no entanto, a comparação dos desempenhos de materiais. Assim, se determinado material tem desempenho superior a outro durante o ensaio, pode-se afirmar com grande possibilidade de acerto que terá durabilidade real também superior”, afirma o especialista.

    Segundo Gnecco, as câmaras servem para comparar desempenhos e desenvolver produtos, pois os resultados de comparações são obtidos em tempos mais curtos do que em condições de exposições naturais. Gnecco, assim como outros especialistas, acredita que os dois tipos de ensaios, o natural e o artificial, devem ser adotados de forma complementar.

    Câmaras – Existem ensaios em câmaras que simulam as mais diversas situações agressivas. Os mais comuns são de névoa salina, umidade, resistência a gases poluentes, como o anidrido sulforoso, o SO2, resistência à luz ultravioleta, ensaios de intemperismo artificial e ensaios cíclicos. Para cada um desses ensaios são adotados como parâmetros as normas brasileiras da ABNT, as normas alemãs DIN, ou as norte-americanas ASTM.

    Nos ensaios em câmara de névoa salina, informa Gnecco, procura-se simular as condições encontradas à beira-mar por meio da nebulização de solução de cloreto de sódio (NaCl), porém com concentração de 5% (nos mares, a água tem cerca de 3,5% de cloreto de sódio), em temperatura de 35°C+2°C, com pH da solução entre 6,5 e 7,2 e umidade relativa de aproximadamente 97%.

    A coleta da solução, entre 1,0 e 2,0 ml/h, é realizada utilizando-se um funil com10 cmde diâmetro, em um período mínimo de 16 horas. As placas pintadas ficam posicionadas em um ângulo de15 a30 graus em relação à vertical. O agente agressivo neste ensaio é o íon cloreto (Cl -), que provoca intensa corrosão.


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