Produtos Químicos e Especialidades

16 de novembro de 2009

Tintas – Monitoramento das fábricas reduz a despesa com biocidas e garante qualidade final

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Publicado por: Denis Cardoso
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    Química e Derivados, Tintas, Biocidas

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    á 66 anos no mercado brasileiro, a Universo é uma das mais tradicionais fabricantes de tintas do país. A larga experiência no setor, porém, não impediu que a empresa fosse pega de surpresa, há dois anos, por uma rápida e avassaladora proliferação de micro-organismos em sua fábrica, em Diadema-SP, gerada pela entrada de uma emulsão acrílica contaminada adquirida de um de seus fornecedores.

    Química e Derivados, Douver Martinho, Sócio-diretor da Universo, Tintas, Biocidas

    Douver Martinho:com dois fornecedores de biocidas, um controla o outro

    “Infelizmente, quando conseguimos detectar o problema, já haviam se passado três dias desde o ingresso do produto contaminado, tempo sufi ciente para que ocorresse o comprometimento do nosso sistema de tancagem”, relembra Douver Martinho, sócio-diretor da Universo. Após a descoberta das contaminações microbiológicas, ele acionou sua equipe especializada em higienização. “Imediatamente, iniciamos um trabalho de desinfecção em toda a unidade industrial, percorrendo não só os tanques, mas tubulações, tachos, reatores, entre outros equipamentos”, conta. O rápido processo de limpeza dos componentes presentes na fábrica, aliado ao uso de biocidas na dosagem correta, segundo Martinho, evitou, na época, que a tinta pronta para o consumo fosse enviada aos pontos-de-venda com algum tipo de contaminação, o que seria um desastre para a imagem de uma empresa do porte da Universo, bastante reconhecida no segmento de tintas decorativas imobiliárias, sua única área de atuação.

    Registros de casos como o ocorrido com a Universo, entretanto, não são raros dentro de uma fábrica de tintas, ambiente onde há um número grande de compostos que servem de nutrientes para os micro organismos, além da própria tinta, produto que, na maioria de suas formulações, é composto por um grande volume de água, insumo naturalmente sujeito a contaminações microbiológicas. No entanto, cientes do problema, os fabricantes de tintas não só têm redobrado a atenção para esse tema, como estão buscando cada vez mais a ajuda especializada de terceiros para combater e prevenir possíveis focos de micro-organismos em suas instalações.

    Confiança mútua – Percebe-se no mercado um avanço das parcerias entre fornecedor de biocidas e as empresas produtoras de tintas. Ou seja, na hora de fechar um contrato de venda de agentes microbicidas (fungicidas, bactericidas e algicidas) que serão inseridos na composição das tintas, o fabricante desses componentes também assume todo o controle microbiológico da linha de produção do cliente. “As empresas de tintas estão se dando conta de que o trabalho em parceria é a melhor maneira de se repelir os micro-organismos nas tintas e no ambiente produtivo”, afirma Fernando Cezar Scandoleira, gerentecomercial da Miracema-Nuodex.

    Há três anos como funcionário da empresa sediada em Campinas-SP e com vinte anos de experiência na área química, Scandoleira observa uma mudança de atitude por parte dos fabricantes de tintas, que, na sua avaliação, estão menos receosos em abrir informações de seus produtos a terceiros. “No passado havia uma certa resistência das empresas de tintas em trocar informações estratégicas e sigilosas com os fornecedores de biocidas”, diz o gerente. Para ele, atualmente há maior confiabilidade em relação aos serviços prestados tanto pela Miracema quanto por outras companhias do setor.

    O maior chamariz das empresas de biocidas são os seus modernos laboratórios de microbiologia, colocados à disposição dos clientes para eliminar suas preocupações em investir pesado em pesquisa, desenvolvimento e monitoramento de moléculas, atividades atualmente impraticáveis em um mercado cada vez mais competitivo nas tintas. Esses modernos laboratórios oferecem, entre outras atrações, salas de inoculação climatizadas para a cultura de micro-organismos, câmaras tropicais para testes de avaliação de resistência contra ataques de fungos em diferentes materiais, sala para ensaios com algas, além de equipamentos para acompanhamento químico de amostras junto com avaliações microbiológicas.

    Os agentes biocidas são utilizados para prevenir as contaminações microbiológicas tanto na tinta úmida quanto no filme seco. A proteção dentro da lata (in can) inibe a proliferação bacteriana, garantindo a durabilidade da tinta envasada. O uso adequado de fungicidas e algicidas impede o desenvolvimento de fungos e algas sobre os filmes de tinta seca e garantem a integridade do produto após a aplicação nas superfícies. A ausência de microbicidas na tinta, ou o emprego incorreto desses agentes, pode causar alterações em suas funções decorativas e protetoras, com mudanças de cor, odor, separação de fases, formação de gases, comprometimento de características como cobertura e brilho, além da biodeterioração, o que torna o produto imprestável para o uso. Também é importante destacar o fato de o Brasil ser um país predominantemente tropical e úmido, condições altamente favoráveis para o desenvolvimento de micro-organismos.


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