Tintas e Revestimentos

19 de julho de 2007

Tintas – Mercado orientado pelo preço repele a introdução de resinas inovadoras

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    novação, definitivamente, não é uma característica forte no mercado brasileiro de resinas para tintas. Não por deficiência dos fornecedores deste insumo. Em muitos casos, multinacionais com acesso direto ao que há de mais inovador em tecnologia de resinas no mundo. O mercado conta também com empresas nacionais capacitadas tecnologicamente e há ainda a hipótese de importação de resinas de ponta. O problema, afirmam os players, é que o brasileiro compra tinta pelo preço, pouco identifica qualidade. Nesse cenário, as inovações ficam restritas a segmentos técnicos ou aos casos em que os benefícios de novas resinas sejam bastante evidentes.

    “No Brasil, prevalecem resinas de gerações antigas. A introdução de novos produtos ocorre de forma tímida. O interesse é pequeno”, afirma Ayrton Macedo, gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold do Brasil. O baixo apetite do mercado brasileiro por inovação, segundo executivos do setor, está diretamente relacionado a algumas peculiaridades do segmento de tintas do País.

    A primeira dessas peculiaridades é que no Brasil, ao contrário do que ocorre no exterior, prevalece uma estratégia de produção em que o fabricante de tintas fabrica sua própria resina. No segmento de tintas imobiliárias, responsável por 77% do volume de produção e algo como 60% do faturamento do setor de tintas, avalia-se que um pouco mais da metade das vendas seja realizada por seis empresas, que possuem produção cativa de resinas.

    Para os fornecedores independentes de resinas, que em teoria seriam os maiores interessados em introduzir inovações no mercado, afinal resina é o foco de seus negócios, sobra a metade menos atraente do mercado de tintas: a dos pequenos e médios fabricantes. Entre esses produtores menores, é freqüente uma segunda peculiaridade brasileira, a prática da informalidade. Alguns executivos do setor calculam que algo entre 20% e 25% das tintas comercializadas no País são provenientes de empresas que, em algum grau, sonegam impostos.

    A estratégia do informal é clara: vencer pelo preço, pouco valorizando inovação. Os fabricantes de tintas intermediários, por sua vez, ficam espremidos. De um lado, os informais. De outro, grandes corporações com escala, produção cativa de resinas e poder de marketing. Para completar, o poder aquisitivo da população é predominantemente baixo. O que faz com que o consumidor brasileiro seja relutante em pagar mais por um produto de melhor qualidade.

    “A decisão de compra no País é muito mais relacionada ao preço do produto do que ao resultado de uma análise do custo/benefício da tinta”, diz Edson Luiz Cimadon, gerente de mercado de resinas da Denver. Inovar, lançando novos produtos de maior valor agregado, num ambiente como esse, é uma ação restrita para quem tem uma ótima estratégia em nichos de mercado. Caso contrário, é sucumbir pela falta de competitividade nos preços.

    Para uma mudança significativa nesse cenário, acreditam alguns executivos do setor, são necessários três fatores. O primeiro é uma redução da informalidade. O segundo fator exige um novo comportamento do consumi dor, prevalecendo a cultura da análise da relação custo/benefício. O terceiro fator seria uma mudança de estratégia entre os principais fabricantes de tintas do País, com a compra de resinas de empresas especializadas, em detrimento da produção cativa.

    Luiz Carlos Pestana, gerente de produto para América Latina da Clariant, uma das maiores fornecedoras independentes de resinas para tintas no País, acredita que já há sinais de um declínio da estratégia de produção cativa de resinas. A tendência, diz o executivo, é de que os fabricantes de tintas privilegiem a especialização, como ocorre no exterior.

    Neste caso, os insumos, como as resinas, seriam adquiridos de empresas independentes, experts em seus negócios, e as fábricas de tintas seriam “montadoras”, como ocorre na indústria automobilística. “Já há empresas realizando consultas no mercado nesse sentido. Em cinco a dez anos, a produção cativa de resinas será marginal no País”, acredita Pestana. Ocorrendo essa alteração na estratégia produtiva, acreditam os fornecedores independentes de resinas, abrem-se inúmeras oportunidades para a introdução de insumos de maior valor agregado.

    Estireno-acrílicas– Enquanto isso não ocorre, o mercado continua concentrado em resinas de baixo custo. No segmento de tintas imobiliárias, essa realidade é bastante evidente. Entre as resinas para tintas de parede predominam as de acrílico modificadas com estireno, ou estireno-acrílicas, como são chamadas. Estas resinas, segundo algumas estimativas, respondem por mais de 95% dos negócios. Fica algo como 3% para as resinas à base de acetato de polivinila (PVA), consideradas ainda inferiores, sobrando apenas nichos para resinas mais avançadas.

    Química e Derivados, Ayrton Macedo, Gerente de desenvolvimento de mercado da Reichhold do Brasil, Tintas - Mercado orientado pelo preço repele a introdução de resinas inovadoras

    Macedo: procura por resinas mais recentes é baixa no País

    As resinas estireno-acrílicas se impuseram sobre as resinas PVA por apresentarem maior resistência e lavabilidade. Mas também, como informa Edson Cimadon, porque, há uma década, possuem preços equivalentes. “Não julgo que essa posição das resinas estireno- acrílicas seja 100% consolidada. Havendo uma mudança no equilíbrio de preço das duas resinas, com o PVA tornando-se mais barato, uma parcela significativa dos fabricantes migrará para o PVA”, diz o executivo. O quilo da resina acrílica estirenada é comercializado na faixa de R$3,50 aR$ 3,60.

    Apesar de ser considerada avançada em relação à resina PVA, a resina estireno-acrílica se encontra na base da pirâmide tecnológica, em se tratando de resinas para tintas de parede. Com maior valor agregado, são resinas como as de acrílicos puros e as resinas à base de vinil etilênico.


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