Tintas e Revestimentos

11 de maio de 2002

Tintas: Linha industrial aposta na venda de especialidades

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Aplicações especiais, exigentes em qualidade e alta tecnologia, atraem mais os fabricantes de tintas que o disputado e nem sempre leal mercado de commodities

    Química e Derivados: Tintas: Fabricação de telhas é o grande mercado do coil coating.

    Fabricação de telhas é o grande mercado do coil coating.

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    em alarde, o mercado brasileiro de tintas industriais mantém ritmo de crescimento superior ao do Produto Interno Bruto (PIB). Além da importância do segmento para a indústria de tintas – é superado apenas pelas linhas decorativas imobiliárias –, esse desempenho evidencia a produção de artigos de qualidade superior. Ao consumidor final, sobram benefícios como o melhor acabamento externo de utensílios domésticos, pisos mais resistentes e, ainda, com menos agressões ao ambiente.

    Chama a atenção a disputa pelo fornecimento de tintas para chapas de aço galvanizado pré-pintado (coil coating). Vários fabricantes se engalfinham para oferecer produtos para a linha de produção que está sendo montada pela CSN Indústria de Aços Revestidos S.A. (Cisa), em Araucária-PR, que quase dobrará a demanda dessas tintas no Brasil.

    O projeto paranaense, porém, sofreu atrasos na implantação, inicialmente prevista para este ano, e deve demorar ainda um ou dois anos para começar a produção.

    Tintas industriais são definidas como as vendidas para a indústria de transformação. No entanto, é usual separar dessa classe os produtos destinados para a fabricação de automóveis, dadas a especialização técnica e de mercado desse segmento, que poderiam prejudicar a análise. Também conspira contra a adequada mensuração dos resultados a elevada participação de negócios informais no segmento, que pode chegar em alguns casos a representar 50% das vendas.

    Química e Derivados: Tintas: Tinta em pó de qualidade atende às exigências técnicas de autopeças.

    Tinta em pó de qualidade atende às exigências técnicas de autopeças.

    Muitas vezes apresentada como forma de sobrevivência em mercado competitivo, essa informalidade representa prejuízo social óbvio, pela queda de arrecadação fiscal. Para o setor de tintas, no entanto, o principal prejuízo pode ser a dificuldade para introduzir conceitos mais modernos e mais eficientes de proteção e acabamento de superfícies, preteridos pela existência de produtos de linha conservadora com preços reduzidos por meio de sonegação fiscal.

    A partir de dados de mercado, a informalidade parece ser maior nas tintas em pó. “Pelas nossas contas, até 50% do mercado de tinta em pó no Brasil é informal”, calculou Eduardo Nowak Dantas, gerente administrativo financeiro da Protech do Brasil, empresa de origem canadense especializada em tintas em pó, com expressiva participação na América do Norte. A Protech ampliou sua participação local por meio da compra da unidade de tintas em pó da Renner-DuPont em novembro de 2000.

    Não raro, fornecimentos informais deixam a desejar no item qualidade. “As tintas em pó viraram uma reedição daquilo que antigamente se chamava ‘mela-ferro’”, criticou Nilo Martire Neto, gerente técnico de revestimentos industriais da PPG Industrial do Basil.

    Já o presidente do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo, Roberto Ferraioulo, admite a existência de

    Química e Derivados: Tintas: Dantas - fabricar a própria resina nem sempre diminui os custos.

    Dantas – fabricar a própria resina nem sempre diminui os custos

    algum grau de informalidade, como em qualquer setor econômico do País, mas em quantidade bem inferior à mencionada. “Pelo acompanhamento das vendas de matérias-primas, podemos ver que a diferença é muito menor, não chegando a 10% das vendas totais”, explicou.

    Especificamente no segmento das tintas em pó, Ferraioulo aponta a ocorrência de um fenômeno diferente: a commoditização dos produtos. “Em dez anos, as tintas em pó caíram de um patamar de US$ 10/kg para mais ou menos US$ 3,40/kg, sem falar que o mercado brasileiro ainda é pequeno, por volta de 30 mil t/ano”, comentou.

    Isso trouxe um certo desalento, principalmente pelo fato de as formulações em pó terem sido lançadas como a grande alternativa para a produção de eletrodomésticos. “Hoje, as chapas galvanizadas e pré-pintadas estão disputando esse mercado”, disse.

    Nos últimos anos, o mercado brasileiro de produtos acabados substituiu a qualificação pela quantificação, tomando por paradigma o caso da indústria automobilística. “Hoje 76% da produção nacional de veículos é de modelos 1.0, ditos populares”, afirmou. Além disso, seguindo a tendência mundial, a abertura comercial do Brasil, iniciada em 1990, conjugada com a redução mundial de preços de produtos químicos, permitiu amplo acesso aos insumos, permitindo ampliar a concorrência e reduzir preços.

    Apesar disso, a evolução das vendas de tintas industriais em volume pode ser classificada como lenta. “O segmento depende muito do desempenho das vendas de eletrodomésticos e da construção civil”, afirmou Ferraioulo. Com a queda da inflação e a recuperação do poder de compra das classes C e D, no início do Plano Real, as vendas de bens de consumo duráveis decolou. Oito anos depois, já se sente uma perda de poder de compra até na classe média. Agravam o quadro as elevadas taxas de juros ao consumidor (na ponta do varejo), próximas a 100% ao ano, que tornam proibitivos os financiamentos.

    Na construção civil, ramo no qual as tintas industriais revestem caixilharia e telhas metálicas, por exemplo, há redução no número de lançamentos e, mesmo assim, concentrados em produtos de baixo valor agregado.

    Ferraioulo cita o exemplo das tintas gráficas, muito sensíveis à demanda de embalagens de produtos acabados. No ano 2000, as vendas cresceram, passando de 22 milhões de galões. Já no ano passado, as vendas caíram para menos de 20 milhões de galões.


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