Tintas e Revestimentos

5 de outubro de 2004

Tintas: Indústria de tintas argentina desperta, mas mostra fraqueza

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Publicado por: Renata Pachione
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    Crise econômica abalou o mercado, a ponto de reduzir consumo per capita argentino à metade do registrado em época de ouro

    As luxuosas instalações do Sheraton Retiro, de Buenos Aires, Argentina, foram palco para a segunda edição do Report, evento promovido pela Sociedad Argentina de Tecnólogos en Recubrimientos (Sater). De 1o a 3 de setembro, a indústria de tintas do país se fez representada em exposição e congresso técnico. Apesar da pompa do local, foi impossível mascarar a fragilidade do mercado da região. Com 36 expositores, a mostra apresentou poucas inovações e deixou transparecer as dificuldades às quais a economia argentina passou.

    “É preciso entender que o mercado de tintas estava completamente apático”, justificou o presidente da Sater Rubén Garay. Segundo estimativa dos profissionais da área, antes da crise econômica, o setor respondia, em média, pelo consumo de 120 milhões de litros de tinta, ao ano. Hoje não chega a 90 milhões de litros. O consumo per capita argentino também não empolga. De acordo com Garay, em 1998, ano de referência para o setor, esse volume era de 4 litros; hoje está reduzido à metade disso. Por conta desse cenário, a feira, segundo ele, não tinha condições de ser maior nem tão pouco de se embasar em lançamentos.

    Além de se restringir ao seu caráter institucional, a exposição foi organizada para ser reconhecida como um complemento do congresso. “O Report prioriza os seminários”, explicou Garay. Esse foco tem um porquê. A indústria argentina carece de formação específica, pois, por tradição, os profissionais adquirem conhecimento nas próprias empresas e não em cursos técnicos ou universitários. Até por esse motivo, o congresso se deu em três dias e a feira, em dois. Desde sua fundação, em 1996, a Sater se dedica à organização de cursos, seminários e congressos técnicos. Em 2001 assumiu a organização do Report e se propôs a realizá-lo no ano seguinte. Em função das condições econômicas da indústria na época, o evento foi postergado para 2004.

    Com os esforços voltados para o seminário, a Sater se associou à norteamericana Federation of Societies for Coatings Technology (FSCT) e convidou órgãos de outros países, como a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Tintas do México (Anafapyt). Em função dessas parcerias, o Report 2004 contou com palestrantes internacionais, como os norte-americanos Jamil Baghdachi e Dean Webster, representantes da FSCT, e o presidente da Abrafati Dilson Ferreira, entre outros.

    Química e Derivados: Tintas: Ferreira destaca qualidade do setor. ©QD Foto - Gabriela Acevedo

    Ferreira destaca qualidade do setor.

    Qualidade em pauta – Uma das palestras mais controversas integrou o módulo: Gerência Competitiva. A partir do tema “Estratégia Competitiva e aumento do mercado”, o professor da Universidade de Buenos Aires Alberto Levy destacou a importância do industrial argentino priorizar a qualidade dos produtos ofertados. “Para sermos um mercado competitivo, precisamos investir em tecnologia, pois quem compete por preço quebra”, disse. Logo após essa afirmação, a platéia, até então calada, se manifestou na tentativa de alertar o palestrante sobre a realidade local. “Se destaca quem vende mais barato. Acredito no seu ponto de vista, mas é uma visão romântica”, um dos participantes deu voz à maioria. Não convencido, Levy reafirmou: “Um mercado forte só se constrói, a partir da qualidade da oferta. Se o seu produto tem valor, o consumidor irá comprá-lo sem pensar no preço.” Consternada, a platéia indagou: “Vamos supor que invista na qualidade, vou ficar com produtos encalhados, pois o consumidor quer o mais barato. É essa a nossa realidade”, resumiu outro convidado. Ao perceber a fragilidade do seu argumento, frente à platéia, Levy finalizou: “Eu entendo que existam dificuldades, mas se não nos sacrificarmos agora, a indústria argentina não evoluirá”, concluiu.

    Tendo como foco a qualidade, o presidente da Abrafati Dilson Ferreira proferiu a palestra Programa Setorial de Melhoria da Qualidade das Tintas Imobiliárias. Na ocasião, falou sobre o processo de implantação e das normas técnicas do programa brasileiro. Para ele, a participação na feira pode ser o início de um trabalho voltado à criação de normas no Mercosul para o setor de tintas imobiliárias. Não por acaso, essa iniciativa vai ao encontro das perspectivas da Abrafati.

    De acordo com previsão da entidade, o setor de tintas deve exportar US$ 83 milhões, neste ano. Desse total, cerca de 35% será destinado ao Mercosul, sobretudo para a indústria argentina e uruguaia. Segundo Ferreira, as normas facilitariam o livre comércio entre os países e seriam um forte instrumento para tornar a região mais competitiva em suas exportações.

    Química e Derivados: Tintas: Na opinião de Garay,o mercado estava complemente apático. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Na opinião de Garay,o mercado estava complemente apático.

    Foco em revestimentos – As palestras mais concorridas integraram o módulo dedicado à durabilidade das tintas e dos revestimentos. Para abarcar o tema, Baghdachi, professor da Eastern Michigan University, falou sobre as variáveis que afetam a vida útil das tintas, como a exposição a intempéries e algumas propriedades das formulações. Ele analisou as causas e os tipos de mecanismos capazes de gerar falhas, como a relação monômero/polímero e o efeito dos aditivos e dos pigmentos nas composições, entre outros fatores. Professor do Departamento de Polímeros e Revestimentos da Universidade Estatal de North Dakota, Webster ficou encarregado de abordar a química avançada dos polímeros e a indústria de revestimento.


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