Tintas e Revestimentos

12 de junho de 2002

Tintas gráficas: Duplicação da demanda imprime confiança ao setor

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Consumo e produção nacional cresceram, mas os preços foram contidos pela forte concorrência e pela ociosidade setorial, que abrem caminho para a consolidação de negócios por fusão, aquisição ou mesmo quebra de empresas

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    a última década, o mercado brasileiro de tintas para impressão registrou evolução expressiva. O consumo praticamente dobrou. Saltou de 35,1 mil toneladas em 1993 para 71,2 mil toneladas em 2001. No período, a produção nacional também cresceu significativamente: saindo de 33,3 mil toneladas em 1993 para 58,9 mil toneladas em 2001. Mas, em vez de eufóricas com esse desempenho, as empresas do setor estão apreensivas.

    Elas operam com capacidade ociosa, preços deprimidos e com uma certeza: não há espaço para todos os players instalados hoje no País. “O setor vai passar por um processo de consolidação”, como define Marco Anton, diretor técnico da Sun Chemical e presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Tintas para Impressão (Abitim). Consolidação, é bom lembrar, no mundo dos negócios é sinônimo de redução de concorrentes, por aquisição ou aniquilação.

    O clima de incertezas entre os fornecedores de tintas gráficas é ainda mais curioso quando se leva em consideração que a expectativa para as vendas, a longo prazo, é de novas fases de expansão. “O mercado brasileiro está longe de chegar ao seu pico.

    Há muito espaço para crescer ainda”, diz Adhemur Araújo Pilar, diretor comercial da Flint Ink. Uma comparação: enquanto o consumo de tintas para impressão no Brasil é de US$ 1,76 per capita, no Canadá as vendas são de US$ 10,00 por pessoa.

    O setor de embalagens, responsável por aproximadamente 65% das compras desse tipo de tinta, vem crescendo no Brasil em ritmo superior à evolução do PIB. Já o mercado editorial, o outro grande segmento comprador de tintas para impressão, oscila de acordo com o poder aquisitivo da população.

    Química e Derivados: Tintas: . No momento está em baixa. Em 2001, por exemplo, foram comercializados 299 milhões de exemplares de livros. Em um ano bom, como o foi 1998, esse número chega a 410 milhões de exemplares. Entre 1990 e 2001, as gráficas brasileiras injetaram US$ 6,7 bilhões na modernização de seu parque industrial, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). Em 2001, porém, o setor trabalhou com 27% de ociosidade, o índice de atividade mais baixo dos últimos anos.

    A simples volta do setor gráfico para o patamar de ocupação registrado em 2000, de 83% da capacidade instalada, já elevaria, de imediato, as vendas das indústrias de tintas para impressão em dez pontos percentuais. “A indústria gráfica dita nosso ritmo. E o que vemos, como decorrência desses investimentos realizados e do potencial do mercado brasileiro, é um momento ruim, mas um futuro promissor”, diz Anton.

    Guerra de gigantes – Animadas com as perspectivas do setor no Brasil, as duas principais empresas mundiais de tintas para impressão desembarcaram no País nos últimos três anos. A norte-americana Flint Ink, com faturamento mundial de US$ 1,5 bilhão, comprou em 1999 a brasileira Companhia Química Industrial. No ano seguinte foi a vez de sua compatriota, a Sun Chemical, maior fabricante mundial de tintas gráficas, com faturamento global de US$ 3,5 bilhões, comprar a brasileira Supercor.

    No Brasil, elas disputam palmo a palmo a liderança do mercado com duas outras estrangeiras, a alemã Basf e a suíça Sicpa. Os números de faturamento e participação de mercado brasileiro não são divulgados pelas empresas do setor. Estima-se, porém, que juntas, as quatro empresas concentrem mais de 70% das vendas. O restante é dividido entre outras 20 fabricantes de porte médio ou pequeno, sendo que uma, a Akzo Nobel, é multinacional, mas com participação tímida nesse setor no Brasil.

    Química e Derivados: Tintas: ..No mercado, há quem aposte que a concentração dos negócios deve aumentar nos próximos anos, ficando algo como 70% a 80% nas mãos de apenas dois ou três grandes fornecedores e o restante dividido em 8 ou 10 empresas. “Não saberia dizer quantos vão sobreviver. Mas certamente muitas empresas não estarão mais no mercado em cinco ou sete anos”, diz Adhemur Pilar.

    O grau de competitividade no mercado de tintas pode ser medido pelos preços praticados. Caíram sensivelmente. Em 1993 os fabricantes faturaram US$ 162 milhões com a produção de 33,3 mil toneladas de tintas. Em 2001, eles venderam US$ 207,7 milhões com as 58,9 mil toneladas produzidas. Ou seja, o faturamento não acompanhou nem de perto a expansão da produção. “Um quilo de tinta para off-set plana era vendido por US$ 15 há 10 anos e hoje por R$ 15,00”, constata Matias Katila, gerente geral da divisão de tintas gráficas da Akzo Nobel.

    Junto com os preços, despencaram as margens de lucro. Katila avalia que as melhores empresas do setor trabalham hoje com uma margem bruta pouco superior aos 20%. Esse número rondava os 50% no início dos anos 90. “Uma margem de equilíbrio que permitiria às empresas obter um lucro líquido interessante, seria na casa dos 35%”, diz o executivo. Mas nada indica que o mercado poderá voltar a esse patamar no curto prazo. Até porque os custos de produção só fazem aumentar. Os insumos para produção de tintas possuem preços dolarizados, apesar de apenas 30% deles, como os pigmentos, serem realmente importados. Com o dólar em alta, como vem ocorrendo durante o ano de 2002, os custos sobem. Mas não há espaço para repassá-los para os consumidores.


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