Tintas e Revestimentos

16 de junho de 2014

Tintas e revestimentos: Torres eólicas e máquinas agrícolas estimulam vendas de anticorrosivas

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Parque eólico de Paracuru-CE

    Parque eólico de Paracuru-CE

    Por ter demanda em praticamente todos os segmentos produtivos ou de infraestrutura, o mercado de tintas anticorrosivas tem uma proteção natural a momentos mais críticos da economia. Se determinados setores não vão muito bem, como é o caso agora por exemplo da indústria de bens de capital, a petroquímica ou o mercado de óleo e gás, aplicações necessárias das tintas protetivas em outras atividades econômicas compensam as possíveis perdas.

    Atualmente essa compensação vem principalmente do mercado de energia e da indústria de máquinas e equipamentos agrícolas, segundo avaliação de Luiz André Ortiz, diretor da Renner Coatings. No primeiro caso, o principal destaque é a realização de vários leilões de energia eólica nos últimos anos, com a consequente construção de parques de geração no Sul e Nordeste, e a previsão de que até 2022 a base instalada dessa energia renovável represente 17,4 mil MW, ou 9,5% da matriz do país, contra os atuais 1,5%. “Esse setor sem dúvida entrou em um círculo virtuoso”, disse Ortiz.

    Conforme o diretor da Renner, empresa de capital nacional que disputa com grandes grupos globais os fornecimentos nessa área, a demanda no setor vem das pinturas das torres eólicas de concreto e metálicas dos turboaerogeradores (as pás são de fibras especiais), cujos fabricantes exigem garantia de proteção à corrosão superiores a 20 anos. Não custa lembrar que boa parte dos parques eólicos se encontra em regiões litorâneas, o que faz a preocupação com a ação altamente corrosiva da maresia ganhar ainda mais força.

    A pintura das torres é feita pelos próprios fabricantes, empresas estrangeiras que se instalam próximas aos locais onde foram ou serão erguidos os parques eólicos. Segundo Ortiz, de forma geral, as torres de concreto, construídas em módulos, são revestidas com sistemas de poliuretano, com primer selador para corrigir a rugosidade, seguido de manta especial e com acabamento em PU, que garante além da proteção à corrosão uma grande estabilidade à luz. Já as torres metálicas recebem primer de epóxi e acabamento em PU.

    Muito porque os fabricantes de torres são estrangeiros, vários deles de países como Espanha e Alemanha, onde há restrições aos componentes orgânicos voláteis (VOC) contidos em solventes das tintas, as tecnologias empregadas têm sido na maior parte das vezes base água e com alto teor de sólidos. No caso da Renner Coatings, segundo revelou seu diretor, os desenvolvimentos próprios das tintas produzidas em sua fábrica de Curitiba, específicos para essas aplicações, foram submetidos a homologações nas matrizes dos fabricantes das torres, empresas como a alemã Wobben e a argentina Impsa.

    Conseguidas as homologações das principais fabricantes, mercado que aliás  tende  a ter mais competidores, a Renner vem fornecendo bastante para essas empresas. “As torres precisam por lei ser fabricadas com pelo menos 65% de conteúdo nacional”, disse. “E não há economia na proteção anticorrosiva dos sistemas, assim como em toda a tecnologia envolvida, porque a manutenção dos aerogeradores é muito cara e eles evitam ao máximo paradas”, completou.

    Química e Derivados, Loyola: primer epóxi em pó em pulverizadores

    Loyola: primer epóxi em pó em pulverizadores

    Em pó – O outro exemplo de mercado com consumo interessante de tintas anticorrosivas é o de máquinas e implementos agrícolas, pelo motivo óbvio de que a agricultura tem segurado as contas públicas com o bom desempenho das safras. Tem essa percepção do mercado o gerente de pesquisa e desenvolvimento da divisão PowderCoatings da Akzo Nobel, Hector Loyola.

    Para confirmar sua visão, Loyola cita fornecimento recente para a fabricante de máquinas e implementos agrícolas Stara, de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul,  para quem a Akzo fechou contrato de fornecimento de primer rico em zinco em pó, para proteção anticorrosiva de pulverizadores de defensivos agrícolas, produtos altamente corrosivos ao metal do equipamento.

    Segundo Loyola, o revestimento é feito em um sistema inovador da Stara, o único pulverizador autopropelido do mundo, que não precisa de trator ou outro equipamento para puxá-lo sobre a plantação. “E foi justamente por causa da inovação, que passou a ter resposta grande no mercado nacional e internacional, que foi necessário aumentar a proteção anticorrosiva para suportar as distâncias na exportação e os diferentes ambientes e intempéries”, disse. Para o leste europeu, por exemplo, aonde o pulverizador está sendo muito exportado, além dos defensivos os fertilizantes também são aplicados na forma líquida pelo mesmo equipamento, o que aumenta ainda mais o potencial corrosivo.


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