Tintas e Revestimentos

1 de agosto de 2000

Tintas – Consumidor pinta mais e faz setor mudar

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Crescimento do It Yourself faz indústria de tintas caprichar nas informações impressas nas latas e formular produtos de aplicação fácil

    Química e Derivados: Tintas: Consumidor precisa ser orientado para escolher a tinta certa para cada aplicação.

    Consumidor precisa ser orientado para escolher a tinta certa para cada aplicação.

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    consumo brasileiro de tintas acompanhará a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, estimada ao redor de 4%. O segmento voltado para a construção civil, também denominado de tintas imobiliárias ou decorativas, foi responsável pela recuperação de demanda verificada durante 1999, embora com notável redução do valor médio da produção, evidenciando o predomínio da chamada segunda linha no mix de vendas. Cabe mencionar a influência da desvalorização cambial sobre os resultados do setor, cujo faturamento no ano passado totalizou US$ 1,69 bilhão, contra US$ 1,98 bilhão em 1998. Estatísticas do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp) mostram que só as linhas decorativas e as aplicadas em sistemas gráficos (impressão) registraram aumento de demanda em 1999 quando comparados os volumes vendidos com os de 1997, ano de melhor desempenho setorial.

    Os mais de 175 milhões de galões de tintas decorativas vendidos no Brasil no ano passado trouxeram inovações, tanto nas formulações, quanto nas embalagens e no uso de canais diferenciados de vendas.

    A chave para entender as transformações pelas quais passa o segmento decorativo consiste no fato de o usuário final estar assumindo, cada vez mais, a tarefa da compra da tinta. Trata-se de um passo intermediário ao do it yourself (ou bricolagem) americano, que também vai ganhando adeptos no Brasil. “Enquanto tivermos desemprego alto no País, sempre vai haver oferta de pintores de parede a preço baixo”, comentou Paulo Roberto Moreira, diretor comercial da Sherwin-Williams do Brasil. “A conseqüência disso é a baixa qualificação desse tipo de profissional.”

    Tanto no caso da bricolagem, como no dos pintores sazonais, cabe à indústria de tintas atuar em duas frentes: melhorar a qualidade de informações sobre a aplicação e o desempenho do produto, na lata e no ponto de vendas, e, ao mesmo tempo, elaborar formulações de aplicação simples, que evitem diluições complicadas e, quando possível, dispensem preparo meticuloso do substrato. “A tinta precisa ser à prova de leigo”, advertiu Moreira.

    “É preciso orientar o consumidor a escolher a tinta mais adequada para a aplicação”, disse o gerente de marketing para tintas imobiliárias da Basf, Miguel Bruno. Segundo informou, há muita confusão no mercado por causa do hábito brasileiro de identificar a tinta pela resina com a qual é feita. “Na América Latina as tintas se dividem em linhas para interior e para exterior, enquanto por aqui se fala em acrílicas e vinílicas”, comentou. Os consumidores e a maioria dos pintores não conseguem relacionar a família química com o melhor uso, incorrendo em erros que comprometem a proteção do substrato ou a durabilidade da pintura.

    De forma genérica, Bruno aponta as características principais das famílias. As acrílicas formam películas mais flexíveis e resistentes, sendo recomendadas para uso na parte externa das construções. Já as vinílicas apresentam aplicação mais fácil, com melhor acabamento e cobertura de imperfeições de superfície, sendo indicadas para as áreas interiores. As resinas acrílicas e as vinílicas podem ser modificadas com a introdução de outros polímeros. Dessa forma podem ser obtidas, por exemplo, as linhas estireno-acrílicas ou vinil-acrílicas, cujos usos variam principalmente em função da situação econômica do cliente. “Falar nisso apenas aumenta a confusão na cabeça do comprador”, afirmou o gerente.

    Química e Derivados: Tintas: Consumo de tintasNos últimos cinco anos, as linhas acrílicas desbancaram as vinílicas nas vendas de tintas imobiliárias, assumindo pequena dianteira. “Em dois anos a situação deve se estabilizar, com os acrílicos dominando de 65% a 70% do mercado decorativo”, informou. Essa conquista foi obtida por causa da imagem criada em torno da resina, associada à alta qualidade e durabilidade, características que hoje não são garantidas em todos os casos. Basta verificar a faixa de preços praticados no comércio varejista, oscilando desde R$ 40 até R$ 150 por lata de 18 litros.

    “O acrílico como argumento de venda está perdendo força pela existência de tintas ditas acrílicas com desempenho inferior ao das vinílicas”, avaliou Moreira, da Sherwin-Williams. A empresa foi pioneira na linha acrílica no Brasil, tendo lançado produto com a resina em 1974, época em que o monômero era muito caro e a tecnologia de fabricação envolvia segredos inexpugnáveis, como o da emulsão, que a empresa desenvolveu sozinha. “Hoje acrílico é commodity, vários fabricantes de tintas entraram nessa área, com diferentes graus de qualidade e preço”, disse.

    A análise de Moreira traça um paralelo entre a composição da tinta e o poder aquisitivo da população. Depois de 1994, com a queda da inflação houve uma transferência de renda para camadas mais pobres, provocando aumento na demanda de tintas até chegar ao apogeu em 1997. A partir daí, verificou-se forte erosão no poder de compra dos assalariados, que passaram a preferir as linhas mais econômicas de tintas. “O usuário sempre espera dos acrílicos uma qualidade superior, mas não a encontra nos produtos mais baratos”, criticou.

    Segundo Moreira, a resina acrílica consiste no último esforço de marketing de tintas com base na matéria-prima. “Não há nenhuma resina sendo desenvolvida para isso no mundo”, comentou. “O trabalho agora vai se concentrar nas necessidades do consumidor”. “Existem polímeros ainda mais avançados, como as resinas acrílicas siliconizadas, já em uso na Europa”, informou o diretor-técnico da Sherwin-Williams do Brasil, Luís Manuel Mota. “Mas elas custam pelo menos três vezes mais caro que as acrílicas convencionais, preço que não se justificaria no mercado doméstico.”


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