Tintas e Revestimentos

27 de março de 2005

Tintas: Atualização lenta em equipamentos

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Fabricantes de equipamentos se esforçam para vender inovações tecnológicas para indústria de tintas

    Moderna em seus conceitos e sempre atenta às novidades em ingredientes e formulações, a indústria de tintas revela-se conservadora quanto aos seus equipamentos de produção. Dispersores, moinhos e agitadores seguem os desenhos há décadas conhecidos. Nas fábricas não é difícil encontrar em operação máquinas da idade desses projetos. Algumas iniciativas de automação e atualização tecnológica aparecem isoladamente, mas estão longe de constituir uma tendência do setor.

    “Cada vez que o governo fala em mexer nos juros básicos, os projetos de investimento ficam paralisados”, lamentou Rubens Keller, responsável pelas vendas e aplicações da linha para tintas da Semco Equipamentos Industriais, tradicional fornecedor de máquinas e conjuntos sob encomenda. Ele informou que em dezembro passado a empresa esperava fechar contratos de fornecimento para dez projetos entre janeiro e fevereiro deste ano. Com a retomada dos aumentos de juros pelo Banco Central, nenhum dos pedidos foi confirmado ainda.

    Essa percepção de mercado, porém, não é unânime. Com fábrica instalada na catarinense Pomerode, a Netzsch do Brasil afirma ter ampliado suas vendas, tanto em faturamento, quanto em número de peças, da ordem de 15% a 20% durante 2004, mantendo o ritmo de negócios já verificado em 2003. “Em 2005, o mercado já dá sinais de crescimento também”, comemorou Giuliano Albiero, gerente de vendas da unidade de negócios de moagem. Embora esses números compreendam vários segmentos industriais, o setor de tintas contribuiu significativamente para o resultado.

    Também a norte-americana Hayward, detentora desde 1999 da conhecida fornecedora de filtros GAF (ex-ISP), comemora aumento de 15% nas vendas para diversos setores industriais. Especificamente para as tintas, o ano passado foi bom, principalmente por conta de encomendas de equipamentos por parte de fornecedores de tintas automobilísticas, setor com demanda fortalecida pela exportação de veículos. Já na venda de elementos filtrantes (feitos de telas de náilon, ou de feltros agullhados de polipropileno ou poliéster), a situação não é das melhores, por conta da competição nem sempre leal com novos fornecedores. “No Brasil, por causa dos impostos elevados, os informais levam grande vantagem no preço de venda”, lamentou Pedro Zucatto, supervisor de vendas da divisão de filtros da Hayward do Brasil, instalada em Mogi Mirim-SP.

    Química e Derivados: Tintas: Fassina e Keller - ociossidade e juros altos inibem vendas  para  a  indústria de tintas. ©QD Foto - Paulo Igarashi

    Fassina e Keller – ociossidade e juros altos inibem vendas para a indústria de tintas.

    Em geral, a indústria de tintas usa muito os filtros de cestos, feitos de aço, que suportam as bolsas filtrantes. Os cestos são acomodados em vasos de pressão com uma ou mais cavidades. “O princípio de funcionamento não mudou, mas houve melhorias na parte de operação dos equipamentos e até de automação”, afirmou. A explicação reside no fato de a Hayward ter comprado também a alemã Loeffler, uma especialista no desenho dos vasos, enquanto a GAF sempre enfocou mais os elementos filtrantes e aplicações. Como resultado da união pode ser citado o sistema Qic-Lock das tampas dos vasos de maior porte, que podem ser abertas e fechadas rapidamente, apenas com o acionamento de um volante, dispensando os tradicionais parafusos. O sistema de abertura das tampas grandes também recebeu a assistência de molas e correntes, e o encaixe e fixação das bolsas nos cestos passaram a ser feitas pelo sistema de baioneta, mais fácil para trocas de elementos.

    A vendas de equipamentos novos encontra um obstáculo curioso: a boa qualidade dos produtos antigos. “Um vaso de pressão de qualidade dura muitos anos, se for bem operado”, comentou Zucatto. Dessa forma, vendas de produtos novos só acontecem quando há investimentos em linhas de produção.

    O mesmo se dá com os dispersores de alta velocidade (tipo Cowles), segundo Adir Fassina, técnico de vendas da Semco. “Durante a década de 1980 foram vendidos e instalados muitos equipamentos, que ficaram com alta ociosidade durante muito tempo”, disse. “Para aumentar a produção é só ampliar turnos e ocupar mais a capacidade das fábricas.” Isso quando o equipamento não é vendido como sucata, reformado e revendido, uma situação muito freqüente na indústria de tintas.

    Dispersão acelerada – A partir do momento em que os fornecedores de pigmentos e cargas passaram a oferecer produtos micronizados e pré-dispersos, a produção de tintas passou a depender de menor número de equipamentos e de etapas intermediárias de processo. “Hoje é possível fazer tinta usando apenas um Cowles”, comentou Antonio Bellizia Júnior, diretor da Revest Indústria Química Ltda., fabricante de tintas para impressão metalográfica, e também diretor do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp). Ele citou a produção de um esmalte branco comum, usando pigmento importado de baixa dureza, que necessita apenas de passagem por um dispersor para chegar a satisfatórios 4,5 pontos na escala Hegman de medida de fineza.

    Na decisão por optar pela compra de produtos semi-elaborados, como as pastas de tingimento, o fabricante deve considerar a redução de custos pela eliminação de etapas produtivas. Além disso, a opção reduz estoques de pigmentos e transfere a preocupação com a qualidade da moagem.

    Keller e Fassina consideram que, no sistema de produção tradicional, o pré-preparo com dispersor é importante para reduzir a heterogeneidade dos insumos, em especial pigmentos, antes da etapa de moagem. Sem o controle inicial, a condução da moagem se torna muito difícil.


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