Tintas e Revestimentos

25 de agosto de 2007

Tintas anticorrosivas – Encomendas de navios e plataformas de petróleo sinalizam crescimento e sofisticação da demanda

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Publicado por: Domingos Zaparolli
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    s fabricantes de tintas anticorrosivas, revestimento utilizado em proteção industrial, na indústria naval e nas aplicações off-shore, estão otimistas em relação ao desempenho dos negócios no curto e no médio prazo. Além de um esperado aumento no volume de vendas, há também a perspectiva de uma maior aceitação de produtos com valor agregado mais alto, principalmente de tintas com soluções que geram menor impacto ambiental.

    São duas boas notícias para um segmento que, nos últimos anos, enfrentou uma estagnação no volume de vendas. Segundo avaliação de Clayton Queiroz Jr., gerente nacional de vendas da Renner Herrmann, o segmento registrou em 2005 e 2006 volumes mensais na casa de 500 mil galões. Mas a expectativa do executivo é de um crescimento de 11% nos negócios no período de 2007 e 2008.

    Durival Pitta, diretor-comercial e industrial da Sumaré, empresa do grupo Sherwin-Williams, estima em 6% o crescimento em 2007. Mesmo sem se arriscarem a fazer projeções, Marcelo Luis Campregher, chefe de vendas técnicas da Weg Tintas, e Douglas Bruce Leslie, diretor-geral para o Mercosul da International Paint, empresa da Akzo Nobel, também demonstram confiança em um forte crescimento nos próximos dois a três anos.

    Os fatores que impulsionam os negócios e geram otimismo no setor são conhecidos. O segmento de tintas navais é dos mais promissores. A Weg, que tem investido neste setor, forneceu tintas para 200 iates apenas no primeiro semestre de 2007, conforme relata Campregher. É um segmento pequeno, mas com uma boa rentabilidade”, diz o executivo.

    Mas a grande perspectiva de vendas no segmento, é claro, decorre do fato de a Transpetro ter licitado a construção dos primeiros 26 navios de um total de 42 previstos no Programa de Modernização e Expansão da Frota Petroleira do País. Na verdade, há dois anos é esperado o início da construção destes navios, mas o clima entre os fabricantes de tintas é de agora vai.

    A Petrobrás tem um orçamento de investimentos de US$ 112 bilhões até 2012, onde estão incluídas também novas plataformas, aumento da capacidade de refino e novos dutos para condução de óleo e gás. E é este investimento da petroleira que cria as expectativas favoráveis para as vendas de tintas voltadas para aplicações off-shore.

    Já no segmento de tintas de proteção industrial, os projetos de expansão de capacidade produtiva, que estão sendo implementados principalmente por indústrias dos setores de açúcar e álcool, papel e celulose, máquinas e equipamentos, siderurgia e mineração, geram boas perspectivas de negócios. O segmento de protect coating responde por 70% dos negócios, indústria marítima, 25%, ficando para o off-shore os demais 5% do mercado de tintas anticorrosivas.

    A principal evolução em curso nas formulações das tintas anticorrosivas é a substituição das tintas à base de solventes por tintas à base de água ou por tintas com baixo, ou nenhum, teor de solventes orgânicos, as chamadas Low VOC (Volatile Organic Compounds) e as completamente sólidas, as No VOC.

    O preço das tintas Low VOC é 30% maior, na comparação com as tintas tradicionais. Mas a relação custo/benefício da Low VOC é superior. As tintas tradicionais contêm acima de 30% de solventes, em alguns casos, pode chegar a 50% de solvente na formulação. Já as tintas Low VOC possuem menos de 20% de solventes, algumas chegando a apresentar uma quantidade inferior a 2%.

    Por se tratar de uma tinta de alta espessura, a aplicação da tinta Low VOC demanda apenas uma ou duas demãos. Já as tintas convencionais exigem de três a quatro demãos.As Low VOC ainda possuem uma vida útil, depois de aplicada, em média 50% superior.

    No mercado brasileiro, as tintas Low VOC são as que estão competindo mais diretamente com as tintas à base de solventes. Queiroz avalia que no mercado off-shore as Low VOC já respondam por quase 80% das vendas. Na outra ponta, os compradores de tintas para proteção industrial têm se mostrado mais resistentes à inovação. Neste segmento, as tintas Low VOC respondem, segundo o executivo, por menos de 20% dos negócios.

    A diferença é que o segmento de tintas off-shore é pautado pelas normas de compras da Petrobrás, empresa que tem se mostrado atenta à questão ambiental, enquanto que no segmento de proteção industrial as compras são tradicionalmente balizadas por questão de preço.

    Bruce Leslie lembra que no Brasil não há leis que coíbam o uso de insumos agressivos ao homem e ao meio ambiente nas formulações de tintas, portanto a migração para produtos ecologicamente menos agressivos é lenta. A migração ocorre por consciência e opção tecnológica das empresas, mas está ocorrendo de forma consistente diz o executivo.

    Química e Derivados, Clayton Queiroz Jr., Gerente nacional de vendas da Renner Herrmann, Tintas anticorrosivas - Encomendas de navios e plataformas de petróleo sinalizam crescimento e sofisticação da demanda

    Queiroz: linhas Low VOC dominam 80% das vendas

    Opinião semelhante tem Durival Pitta. A Sumaré, empresa que tem no segmento de proteção industrial seu principal foco de atuação, realizou desenvolvimentos em duas frentes tecnológicas: nas tintas Low VOC e também nas tintas à base de água.

    Pitta considera as tintas à base de água menos agressivas ao ambiente, uma vez que são completamente isentas de solventes, mas reconhece que é uma tecnologia ainda distante do consumidor brasileiro. É uma solução para o futuro. A realidade brasileira ainda é de uma paulatina migração da tinta à base de solventes para as Low VOC”, afirma.

    As tintas biodegradáveis, informa Leslie, que também atua com as duas tecnologias, hoje apresentam um preço inicial entre 30% a 40% superior aos apresentados pelas tintas tradicionais e não são tão resistentes quanto as tintas em alto sólidos. Seu mercado, no Brasil, está restrito a setores onde há exigência de um revestimento completamente isento de solventes, como nos equipamentos utilizados pelas indústrias de alimentos, bebidas e farmacêuticos.


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