Química

15 de junho de 2010

Tintas – Acrílicos caros e escassos estimulam a criatividade química dos resineiros

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    omponentes fundamentais das tintas, as resinas contam com a criatividade dos químicos para satisfazer às necessidades dos usuários finais, tanto em desempenho da película seca quanto na redução de custos. As amplas possibilidades de blendagem, copolimerização e modificações acabam sendo limitadas pelo aspecto econômico. Atualmente, há uma clara preferência por sistemas que emitam menor quantidade de componentes orgânicos voláteis (VOC), favorecendo as resinas de base aquosa.

    Os primeiros meses de 2010 foram marcados pela baixa disponibilidade de derivados acrílicos e dos epóxis. A elevação do preço desses insumos teve reflexos significativos no mercado de tintas, principalmente por provocar nos clientes uma receptividade maior às alternativas com relações de custo/benefício mais favoráveis.

    Os acrilatos dominam a cena nas tintas decorativas imobiliárias. Há mais de quinze anos eles destronaram o acetato de polivinila (PVA) na preferência dos formuladores. Cabe ressaltar que o Brasil contava com produção local do monômero de acetato de vinila (VAM), no Cabo-PE, mas sempre foi dependente de suprimento externo de ácido acrílico e acrilatos. A redução dos impostos e dos custos para a obtenção dos derivados acrílicos, além das transformações estruturais da indústria química, coincidiram com a paralisação da unidade local de VAM.

    O desempenho superior das tintas acrílicas, especialmente na resistência às lavagens, característica muito desejada nos lares povoados por crianças, porém, precisava de um auxílio que tornasse o seu preço elevado mais palatável ao consumidor nacional. Essa ajuda foi produzida com a modificação do acrílico pela incorporação de monômero de estireno, dando origem à vitoriosa família acrílico-estirenada (ou estireno-acrílica, dependendo das proporções monoméricas relativas).

    “Os acrílicos-estirenados são bons produtos, respondem pela maior parte dos nossos fornecimentos para os fabricantes de tintas não-integrados”, comentou Reginaldo Cassiano, gerente regional para a América do Sul de dispersões para adesivos e construção civil da Basf S.A. No Brasil, os grandes produtores de tintas imobiliárias compram os monômeros e produzem suas próprias resinas, buscando apenas algumas especialidades no mercado. Essa situação poderá mudar logo. “A tendência dos fabricantes de tintas é de concentrar esforços na tecnologia, na marca e na distribuição de seus produtos, deixando a produção de resinas para outras companhias”, comentou, apontando a Europa e os Estados Unidos como exemplos.

    Ele menciona uma sequência evolutiva no mercado de tintas, começando pelo aumento da demanda pelo crescimento do número de consumidores, etapa claramente perceptível no Brasil atualmente. Um segundo passo será dado quando os consumidores exigirem desempenho maior dos produtos. “Será o momento de deixar de lado as resinas multipropósito para aplicar produtos específicos para forros, interiores, exteriores, pisos, telhas etc.”, explicou. Cada uma dessas aplicações deveria usar diferentes combinações de monômeros, com diferentes participações relativas entre eles, cabendo ajustar características como a temperatura de transição vítrea e outras.

    Única produtora nacional de acrilato de butila, monômero mais importante nas formulações de base acrílica, que fornece para todo o mercado, a Basf salienta a importância de dominar todo o processo de polimerização das resinas. “O mercado pede produtos com menor odor e maior poder de cobertura”, afirmou. Embora essas preocupações se reflitam mais rapidamente em outros ingredientes das tintas, como os solventes, coalescentes e aditivos, os resineiros também devem contribuir. Cassiano explicou que a Basf já consegue polimerizar gerando resinas com baixíssimo teor residual de monômeros, e também pode oferecer linhas isentas de alquilfenóis etoxilados (Apeo), ainda pouco procuradas. “Temos tecnologia e equipamentos para produzir no Brasil resinas com menos de 300 ppm de monômero residual”, disse, lamentando a falta de uma norma oficial para limitar o teor de orgânicos voláteis nas tintas do Brasil. Segundo informou, desde janeiro deste ano, na Europa, as tintas não podem passar de 300 ppm de VOC.

    Embora os acrílicos estejam mais caros e escassos em 2010, a companhia tem conseguido suprir seus clientes, mediante importações. “Não deixamos de cumprir nenhum compromisso por falta de acrílicos, estamos trazendo o ácido e alguns monômeros feitos em outros países”, disse. Ele prevê que o mercado ficará mais equilibrado no terceiro trimestre com a entrada em operação de unidades novas ou que foram paralisadas com a crise de 2008.

    A Dow Coating Materials, que reúne todo o acervo de produtos e tecnologias da Dow e da Rohm and Haas, aposta nas qualidades dos acrílicos para aplicações decorativas imobiliárias e também nas industriais. No campo imobiliário, destaca-se a família Ropaque de polímeros de alta opacidade para otimização de formulações, a qual melhora a cobertura seca e úmida das superfícies, porém com redução no custo total da tinta. “O Ropaque diminui o uso de dióxido de titânio e usa coalescentes da família Dowanol”, explicou Celdia Lizardo, gerente técnica da Dow Coating Materials (DCM) para a América do Sul.

    Uma inovação advinda da antiga Rohm and Haas é a plataforma Avanse de polímeros em emulsão aquosa, formados por processo especial que gera resinas de alto peso molecular em aglomerados nanométricos. Os produtos desenvolvidos nessa plataforma apresentam alta adesão aos substratos, mesmo os mais difíceis. “Usamos alguns polímeros convencionais na linha acrílica ou estireno-acrílica, e também ingredientes especiais para aplicação em substratos alcalinos ou porosos, entre outros casos”, disse Juliana Francisco, engenheira de suporte técnico da DCM.


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