Têxtil

24 de fevereiro de 2003

Têxtil: Cadeia volta a ter superávit

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    Depois de um esforço setorial coordenado pela Abit, produtores recuperam desempenho e se modernizam, ampliando as exportações e voltando a ser um bom filão de vendas para a química

    Depois de chegar ao fundo do poço no início da década de 90, a indústria têxtil brasileira atravessa um momento histórico de recuperação. Um agressivo programa de investimentos, desencadeado em um projeto setorial desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), já acumula mais de US$ 8 bilhões em desenvolvimento e aquisição de tecnologia, capacitação de recursos humanos e aumento de produtividade, fatores essenciais de sobrevivência no mundo globalizado e competitivo.

    Química e Derivados: Têxtil: Skaf - metas são ainda mais ambiciosas.

    Skaf – metas são ainda mais ambiciosas.

    Além da importância para a economia nacional, já que ao lado da construção civil a cadeia têxtil pertence ao grupo de indústrias que mais empregam mão-de-obra, o renascimento do setor traz efeitos positivos diretos para a química industrial. Isso significa mais vendas de fibras sintéticas, que aproveitam seu próprio avanço tecnológico e as lacunas deixadas pelas oscilações no desempenho da produção nacional de algodão, e de uma infinidade de produtos químicos auxiliares, corantes e pigmentos utilizados no beneficiamento têxtil.

    E a recuperação se deu de fato, em quase todos os indicadores do setor. Com mais de 30 mil empresas, faturamento de US$ 22 bilhões e empregando diretamente 1,45 milhão de pessoas, só em 2002 foram criados na cadeia têxtil 34.526 empregos, apesar de ter sido um ano de turbulência econômica. Nos últimos quatro anos, desde que a Abit mobilizou as empresas e implementou sua política setorial, 80 mil novos postos de trabalho foram criados. Outros números comprovam a magnitude do esforço conjunto: aumento das exportações em 2002 para o México (+40,24%), EUA (+37,24%), Canadá (+9,03%) e previsão das exportações entre janeiro e dezembro (US$ 1,3 bilhão) que marca um superávit de US$ 145 milhões, 50% a mais (US$ 73 milhões) que em 2001.

    As metas também demonstram um setor com fôlego renovado: investimentos até 2008 que devem superar US$ 12 bilhões, com o objetivo de recuperar 1% de participação no mercado mundial, exportando em 2008 US$ 4 bilhões. “São metas ambiciosas, porém factíveis. Desafios que acreditamos superar com muito trabalho, criatividade e investimentos em novas tecnologias. Em suma, com a mesma maturidade empresarial com que já superamos as inúmeras crises do passado e que já se tornou característica dos nossos empresários e profissionais”, discursou Paulo Skaf, o presidente da Abit, ao anunciar parceria da associação com o Museu de Arte de São Paulo (Masp) na criação do Instituto da Moda.

    O propósito de manter o setor superavitário implica negociações duras com a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), segundo Skaf. “Vejam bem, eu não defendo um acordo com a Alca a qualquer preço, negociar não é ceder. A Alca pode ser uma oportunidade importante para o Brasil”, diz. A rigor, 70% das exportações globais do Brasil são feitas para 33 países da Alca. O cronograma de integração econômica permite aos setores competitivos a possibilidade de negociar a partir de 1° de janeiro de 2006. Os setores atrasados terão dez anos para começar a negociar. Para o presidente da Abit, o momento pode ser ideal para permitir que as reformas aconteçam e para promover um bom ambiente de negócios. Afinal, para os EUA o Brasil exporta mais do dobro do que importa.

    Química e Derivados: Têxtil: Napoli - adequação às normas para exportar.

    Napoli – adequação às normas para exportar.

    Apesar da Alca, a preocupação de Paulo Skaf é maior com o saldo comercial. “No início de 2002, a previsão era obter um saldo entre 100 e 200 milhões e alcançamos 150 milhões”, diz. “Queremos um saldo de 300 milhões em 2003”, afirmou. O inventário ambiental da cadeia produtiva, com distribuição de quatro mil folders, ações na mídia especializada e e-mails possibilitam satisfazer rapidamente às questões formuladas por países da Comunidade Européia e Alca. “O projeto comunidades exportadoras das confecções de vestuário foi um importante passo neste ano”, diz. Segundo Skaf, toda a cadeia dos produtos de algodão, peças do vestuário e a linha do lar são importantes itens na pauta das exportações, bem como a moda praia, jeans e outros.

    Estímulo à produtividade – “O setor têxtil é dinâmico, criativo e rápido. Mas a inspiração não é monopólio do Brasil”, comenta Sylvio Tobias Napoli Júnior, engenheiro têxtil e diretor de qualidade e tecnologia da Abit. “Os remédios no Brasil são dados em doses excessivas, não homeopáticas”, afirma Napoli, com 33 anos de experiência na área. Ele acompanhou as grandes mudanças recentemente desencadeadas na cadeia produtiva, que começaram na agricultura com as fibras naturais, e atingiram a confecção e a comercialização final. Investiu-se pesadamente e houve mudanças na mentalidade de empresários competitivos. O algodão, outrora a grande matéria-prima dos tecidos consumidos no Brasil, com 60% a 62% de participação, teve seu percentual diminuído, mas não se reduziu sua área plantada. Com o crescimento vegetativo da população, o consumo de têxteis evidentemente aumentou. Para evitar a fuga de capitais, com o aumento das importações de fibras sintéticas e artificiais, a Abit empenhou-se na manutenção da área plantada de algodão, façanha empreendida principalmente na administração do presidente Paulo Skaf, segundo ressaltou Napoli.


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