Tecnologia Ambiental

15 de maio de 2011

Terceirização – BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da água

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Revista Química e Derivados - Terceirização - BOTs se tornam mais comuns em licitações do mercado da água

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    arece estar chegando a hora de a indústria brasileira começar a aderir a uma das tendências mais importantes do mercado global de águas e efluentes: a da terceirização da operação e da manutenção das estações de tratamento. Pelo menos são estes os sinais emitidos por grandes clientes, em setores destacados da economia, que passaram nos últimos tempos a organizar concorrências para contratos do tipo BOT (build, operate and transfer) ou similares, dando provas de que muitos agora chegam a considerar seriamente a hipótese de terceirizar a operação de utilidades, para assim se concentrarem na produção propriamente dita.

    O fenômeno, ainda considerado inicial, tem se mostrado mais relevante em setores como o siderúrgico e o de energia, embora existam casos isolados em demais ramos de atividade, como os mercados químico e petroquímico, de saneamento, alimentício, de shopping centers, automobilístico e até no de óleo e gás. O destaque no caso siderúrgico ocorre por causa de algumas grandes concorrências definidas recentemente e em andamento, que movimentam muito os fornecedores da área e provocam a entrada nesse segmento de “novos” players.

    Dos já definidos, há dois grandes contratos: um na produtora de placas de aço Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), no Rio de Janeiro, do grupo alemão Thyssenkrupp em parceria com a Vale, e outro na Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil (VSB), em Jeceaba-MG. O primeiro projeto de terceirização na CSA – siderúrgica em operação desde 2010 e que por sinal teve obra atual de ampliação embargada em 10 de maio por problemas ambientais – foi vencido no final de 2008 pela EcoAqua, posteriormente adquirida pela Foz do Brasil, do grupo Odebrecht, que herdou esse contrato e outros da empresa especializada em terceirização de tratamento de água e efluentes então pertencente ao grupo português SGC.

    Também o outro contrato, na VSB, pertence à Foz do Brasil – que a exemplo de todos os outros braços do grupo Odebrecht tem atuação bastante agressiva, adquirindo normalmente com linhas públicas de financiamento uma infinidade de empresas como forma de avançar na concorrência. No complexo siderúrgico de Jeceaba, em fase de comissionamento e que terá capacidade de produção de 1 milhão de toneladas de aço bruto por ano e uma laminação que produzirá 600 mil toneladas de tubos de aço sem costura/ano, a Foz realizou a melhor proposta em concorrência, assinando com a VSB contrato de DBOT (design, build, operate and transfer) no valor total de R$ 550 milhões e para um período de quinze anos. O negócio envolve a definição da tecnologia, o projeto, a construção, a montagem, a operação e a manutenção dos sistemas de tratamento de águas, resíduos e distribuição interna de energia elétrica.

    Revista Química e Derivados, Marcelio Fonseca, Superintendente da Haztec, terceirização

    Fonseca: mercado siderúrgico puxa a demanda da terceirização

    Bom para o mercado – Iniciativas como essas duas no setor siderúrgico, apesar de terem ficado concentradas no mesmo fornecedor, são vistas de forma positiva pelos outros competidores importantes. De acordo com o superintendente operacional da Haztec, Marcelio da Fonseca, isso faz com que o conceito do BOT amadureça no mercado, provocando um efeito cascata nos demais clientes. Provavelmente a empresa com maior número de contratos de BOT, herdados da adquirida Geoplan, a Haztec, na opinião de Fonseca, pressente dessa forma um maior crescimento da terceirização em grandes clientes, em contraponto às pequenas contas. “Desde que a Haztec assumiu os negócios, há pouco mais de dois anos, percebemos que os pequenos contratos não evoluíram, mas na indústria pesada há um interesse crescente”, disse.

    A opinião do executivo se funda também em outras concorrências do setor siderúrgico. Há uma no momento que agita bastante o mercado e conta com cinco consórcios em disputa. Trata-se de BOT para terceirização de toda a água de recirculação da Aços Laminados do Pará (Alpa), unidade da Vale em construção no distrito industrial de Marabá-PA, que terá capacidade anual de produção de 2,5 milhões de toneladas de placas. Com investimento total de US$ 3,2 bilhões e previsão de inauguração em novembro de 2013, a Alpa lançou a concorrência do BOT com previsão de um volume de investimento de R$ 1 bilhão e que abrangerá a construção de 12 estações de tratamento de água e cuja parte importante das obras, cerca de 35% do total, será apenas para efetuar a captação de água do rio, considerada crítica por ter variação de até 70 metros.

    Essa concorrência, além de ter importância evidente por causa do montante envolvido e também por dar sequência à tendência de terceirização no setor siderúrgico, servirá ainda para revelar a maneira como a indústria brasileira encara essas modalidades de negócios. Isso porque, embora a concorrência seja para BOT, não há garantia de que a Vale realmente concretize a negociação como tal. Recentemente, o mesmo grupo fez uma concorrência para o tratamento de esgoto sanitário da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), no Espírito Santo. Depois de avaliar as propostas de BOT, e compará-las com uma compra simples da estação de tratamento em regime EPC (engineering, procurement and construction), a companhia optou pela segunda opção.


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