Cosméticos

31 de dezembro de 2015

Tensoativos: Lubrizol inaugura fábrica no RJ

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Reatores produzem co-surfactantes para cosméticos

    Reatores produzem co-surfactantes para cosméticos

    A Lubrizol concluiu o investimento de US$ 20 milhões para erguer a unidade de produção de tensoativos para uso cosmético ao lado de suas instalações para aditivos lubrificantes, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A fábrica poderá gerar até 20 mil t/ano desses produtos, capacidade variável, por se tratar de instalação multipropósito.

    A decisão de investir novamente no país foi tomada em 2013, após dois anos de estudos, tendo por base o forte crescimento do mercado local de produtos cosméticos. Como explicou Gustavo Oliveira, diretor de negócios de personal e home care para a América Latina, o país apresenta a maior diversidade étnica em escala global, exigindo formulações compatíveis de produtos de tratamento capilar e de pele. O consumo atual de produtos de higiene e beleza chega a US$ 150 dólares/habitante/ano – já foi próximo de US$ 200, valor abatido pela desvalorização do real – bem acima da média mundial de US$ 62, mas ainda distante da média dos EUA, de US$ 219/hab/ano. “Os maiores players mundiais e alguns grandes nomes nacionais disputam esse mercado, muito forte nos segmentos de cuidados capilares e protetores solares”, afirmou.

    A inauguração da fábrica fluminense representa o quarto passo no avanço estratégico da Lubrizol na área de cosméticos no Brasil. O primeiro foi dado em 2003, com a aquisição do escritório de São Paulo, ocupado pela divisão Advanced Materials. “Além de personal care, essa divisão abriga os negócios nos segmentos de plásticos de engenharia, com destaque para poliuretano termoplástico e CPVC; tintas e revestimentos, com emulsões acrílicas, dispersões poliuretânicas e aditivos; e aplicações especiais de PU em produtos médicos, como seringas e cateteres”, explicou Gilson Santos, vice-presidente da Lubrizol para a América Latina.

    O segundo passo, em 2013, foi a instalação na unidade paulistana de um laboratório completo para o desenvolvimento de formulações para clientes de personal care. “Tendo em vista o começo da produção local, ampliamos neste ano esse laboratório para incluir as demandas de home care, além de desenvolver tensoativos específicos para o mercado brasileiro”, afirmou Oliveira, enunciando a terceira etapa.

    O quarto passo, enfim, foi a implantação da fábrica de Belford Roxo, mas a companhia já anuncia o movimento seguinte. “Teremos uma segunda fase desse investimento, na qual introduziremos algumas modificações no site para abrigar a fabricação de polímeros quaternários de amônio, substâncias fundamentais para a formulação de condicionadores capilares, além de outros itens”, explicou. No futuro, outras famílias de surfactantes serão produzidas localmente. A nova fábrica produzirá, a princípio, principalmente betaínas (tensoativos anfóteros), mas também alcanolamidas (não-iônicos), sulfoccinatos (aniônicos) e perolizantes.

    “Identificamos boas oportunidades nos co-surfactantes para cosméticos aqui no Brasil e esse será nosso caminho para nos firmarmos não como fornecedores de insumos, mas como provedores de soluções completas para esse mercado”, explicou Oliveira. Esses produtos são comercializados em médio volume, mas contêm alta tecnologia de produção, mercado diferente dos tensoativos primários, que Oliveira considera já ocupado por alguns players. “Nesse caso, são altos volumes, porém com pouca tecnologia avançada.”

    Dessa forma, além dos itens fabricados em Belford Roxo, a Lubrizol importará produtos complementares, de modo a oferecer múltiplas alternativas para os formuladores de seus clientes. “Quando tivermos a produção local de poliquaternários, poderemos reduzir essa importação, com vantagem”, afirmou. A Lubrizol adquiriu o negócio de quaternários de amônio da Nalco.

    Em um futuro ainda indefinido, a Lubrizol também pretende instalar no site a produção de polímeros acrílicos, base da linha Carbopol (carbômeros, usados como modificadores reológicos). “Temos a intenção de produzir alguns Carbopóis na forma líquida, uma especialidade da companhia que é líder nesse tipo de aditivo”, comentou o gerente.

    Gilson Santos ressaltou que os resultados globais da companhia vêm se mostrando muito satisfatórios. “Multiplicamos nosso faturamento mundial por oito nos últimos 15 anos, chegando a quase US$ 7 bilhões em 2014”, comentou. Naquele ano, a operação brasileira respondeu por 5% das vendas, indicador que não deve ser repetir em 2015, principalmente pela desvalorização do real e pela agudeza da crise econômica local. “No projeto, a fábrica nova agregaria mais 10% ao faturamento da companhia no país, que ficou próximo a US$ 300 milhões em 2014”, disse. Ele prevê dificuldades em 2015, com ligeira melhora em 2016.

    Mesmo assim, o plano para duplicar o faturamento da Lubrizol no Brasil em um prazo de cinco anos está mantido. “Somando os investimentos de 2014, quando compramos a fábrica de emulsões de Paulínia-SP, a 2018, alcançaremos um valor de R$ 210 milhões”, informou, ao reivindicar apoio do poder público no sentido de melhorar os acessos rodoviários ao distrito industrial de Belford Roxo.


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