Petróleo & Energia

27 de julho de 2003

Tecnologia: Petrobrás investe em usina de biodiesel

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Petrobrás investe R$ 3 milhões em uma usina-piloto de biodiesel em Estreito, Rio Grande do Norte, região de prospecção petrolífera em terra. A unidade de teste irá produzir, até o final de 2004, 10 toneladas por dia do combustível a partir de processo inovador desenvolvido nos laboratórios da estatal.

    Nesse caso, o diferencial é a inexistência da etapa de extração do óleo antes do refino. Embora a patente já tenha sido obtida, o sistema de reação ainda é guardado a sete chaves. Mesmo assim, o engenheiro Luiz Fernando de Oliveira Gutmann, gerente da área de pesquisa em fontes renováveis da empresa, dá uma pista ao admitir tratar-se de um processo semelhante ao da fabricação do café solúvel.

    Química e Derivados: Tecnologia: Gutmann - processo semelhante ao do café solúvel.

    Gutmann – processo semelhante ao do café solúvel.

    Num reator, as sementes são submetidas a um bombardeio poderoso de pressão e calor por vapor. Transformada em pasta oleosa, a matéria-prima entra para uma reação propriamente química com etanol, de onde sai na forma de biodiesel. O anúncio oficial da Petrobrás sobre seu projeto foi feito em 24 de julho, durante o Primeiro Fórum de Energia da Região Sul, realizado na cidade gaúcha de Novo Hamburgo. A experiência com o novo processo derivou de vários tipos de sementes, como gergelim, amendoim e girassol. Mas na planta piloto os caroços da mamona serão a matéria-prima, na proporção de 650 litros para cada tonelada de semente processada. O subproduto irá gerar ainda 300 quilos de ração animal e 50 quilos de glicerina.

    Vitimada pela seca endêmica do semi-árido nordestino, a região de Estreito foi escolhida para o plantio dos cinco mil hectares iniciais de mamona porque a água proveniente da perfuração de poços petrolíferos, embora inadequada ao uso humano, é perfeita para irrigar as lavouras da planta. O projeto da Petrobrás se interliga com um programa de geração de emprego e renda, envolvendo a população regional. Assim, novas plantações irão aparecer no Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão e Ceará, preferencialmente nos municípios atendidos pelo Programa Fome Zero do governo federal, de modo a substituir, futuramente, os carnês de acesso aos R$ 50,00 do projeto assistencial por salários de 250,00 para cada um dos cadastrados daquela região. Outro critério a favorecer o semi-árido para liderar a implantação é o grande número de geradores de energia movidos a óleo diesel. A Petrobrás quer diminuir o impacto ambiental dessas usinas, utilizando o combustível vegetal inofensivo após queima.

    A Petrobrás prevê para 2005 o começo da etapa industrial do biodiesel brasileiro. Até lá, a empresa precisa alcançar uma escala agrícola de dois milhões de hectares de mamona plantada, capaz de se tornar 300 toneladas/dia de biodiesel. Seriam necessárias ainda 30 usinas a um custo total de R$ total de 30 milhões por unidade processadora. A Petrobrás estuda ainda a montagem de mini-usinas em caminhões para percorrer as lavouras e processar o biodiesel no local de plantio, como forma de suprir a carência inicial de usinas fixas, cuja construção irá depender, também, de investimentos privados.

    “O Nordeste será pioneiro, mas se os plantadores de girassol do Mato Grosso quiserem produzir o biodiesel não tem problema”, assinala o engenheiro químico Carlos Nagib Khalil, diretor do projeto, ao antecipar a decisão da Petrobrás de vender a tecnologia ao setor privado. “O processo estará disponível para indústria no nosso departamento comercial”, reforçou o pesquisador. Nas contas da estatal, com essa alternativa tecnológica, o combustível poderia chegar, na bomba, a R$ 1,20 o litro. Os técnicos envolvidos consideram os atuais processos convencionais de fabricação do biodiesel inviáveis porque as etapas de extração e refino tornam o produto demasiadamente caro.

    “O diesel mineral custa ao consumidor final aproximadamente R$ 1,50 o litro, a mesma quantidade do biodiesel pelo processo atual ficaria em R$ 3,00, inviabilizando a comercialização do produto”, comparou Khalil. De acordo com ele, o biodiesel no processo da Petrobrás atinge 60% de cetanagem – unidade de medida da qualidade da combustão do diesel – contra 42% do óleo proveniente do petróleo. A pesquisa da Petrobrás na busca da tecnologia nacional e competitiva para o biodiesel é relativamente nova. Saiu do papel em 1998. A estratégia de governo é fazer o produto vegetal responder por 20% do óleo combustível consumido no país até 2010. Em números de hoje, corresponderia a 8 milhões de litros, comparados com os 40 milhões de óleo diesel derivado petróleo, de acordo com os dados da Petrobrás.



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