Tecnologia Ambiental

12 de julho de 2013

Tecnologia ambiental – Recuperação energética: Projetos vão gerar energia do lixo doméstico brasileiro

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Waste-to-energy, em Viena, Áustria, incinera 250 mil t/a de lixo para gerar 60 MW à rede e vapor para um hospital

    Waste-to-energy, em Viena, Áustria, incinera 250 mil t/a de lixo para gerar 60 MW à rede e vapor para um hospital

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    á um clima de esperança no Brasil para colocar o gerenciamento do lixo doméstico nos trilhos nos próximos anos. Muito por causa da estruturação obtida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que teve o mérito de pensar em medidas sérias e técnicas para solucionar o atraso do país na questão. A movimentação de algumas cidades para adotar tecnologias consagradas na Europa e demais regiões desenvolvidas do mundo pode ser o primeiro sinal de novos tempos.

    Química e Derivados, Usina de recuperação energética do lixo em Minato, no Japão

    Usina de recuperação energética do lixo em Minato, no Japão

    O marco da possível nova era é a adoção no país de usinas de recuperação energética do lixo, os chamados sistemas waste-to-energy, que incineram os resíduos e geram energia elétrica e térmica para viabilizar e tornar autossuficiente o empreendimento. Com mais de mil plantas instaladas no mundo – a principal solução adotada por países altamente preocupados com o meio ambiente, como Alemanha, Noruega, Japão e Dinamarca -, o waste-to-energy foi até referendado pela ONU em 2007, em encontro oficial do painel de mudança climática em Bangcoc, na Tailândia, como tecnologia mitigadora dos gases do efeito estufa. Isso porque a recuperação energética, além de substituir a queima de combustíveis fósseis para gerar energia, não produz metano (CH4) com a degradação do lixo, como acontece nos aterros. Bom ressaltar que o CH4 é 25 vezes mais prejudicial ao clima do que o CO2 gerado pela combustão e só pode ser capturado e incinerado nos aterros, de forma viável economicamente, quando em concentração superior a 40%, o que nem sempre ocorre.

    Depois de também recomendada pela PNRS como tecnologia de tratamento a ser adotada, várias prefeituras estão debatendo o uso da recuperação energética e algumas partindo de fato para projetos. A pioneira é a cidade de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, que já obteve licença prévia do órgão ambiental paulista, a Cetesb, e está em via de entrar com o pedido de licença de instalação para o empreendimento. E outras cinco cidades paulistas já entraram em contato com o órgão ambiental para informar a intenção de fazer o mesmo: Osasco, São Bernardo do Campo, São José dos Campos, Mogi das Cruzes e Mauá. Destas, apenas a última ainda não pegou com a Cetesb o termo de referência para a elaboração do EIA-Rima, primeira etapa do processo de licenciamento.

    Barueri na frente – Fruto de uma parceria público-privada (PPP) entre a prefeitura de Barueri e a Foxx Inova Ambiental, a sociedade de propósito específico Foxx URE-BA Ambiental, criada para executar o primeiro projeto, utilizará tecnologia da empresa belga Keppel Seghers, de caldeira de recuperação de calor com fornalha interna e grades móveis, e eficiente corrente de tratamento de emissões, para incinerar 780 t/dia de resíduos domésticos e gerar – por uma turbina a vapor que aciona gerador elétrico – 17,5 MW. A energia deverá ser integrada à rede da Eletropaulo, conforme recente autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

    A licença prévia obtida pela Foxx (empresa que tem como sócios Milton Pilão Junior, da fabricante de equipamentos Pilão, e Ismar Machado Assaly, antigo dono da indústria de sardinhas Gomes da Costa, e que conta ainda com investidores de peso, como George Soros) contempla um projeto básico preliminar. Para conseguir a licença de instalação, cuja entrega da documentação está prevista para o meio do ano, a empresa precisará detalhar melhor o projeto, por exemplo, definindo se também vai gerar vapor (o que pode ser uma opção, visto que a unidade será feita ao lado da ETE Barueri, da Sabesp, onde o vapor pode ser utilizado para secagem de lodo).

    Química e Derivados, Norio: Cetesb vai controlar URE de Barueri on-line

    Norio: Cetesb vai controlar URE de Barueri on-line

    Projeto avaliado entre 300 milhões e 400 milhões de reais, após a licença de instalação a empresa pode começar a montar a usina. Ao ficar pronta, a Cetesb é novamente acionada para autorizar o começo de uma operação de teste acompanhada. “Aí nessa etapa vamos avaliar se o sistema está funcionando corretamente, com o controle das emissões dentro do previsto e exigido por lei”, afirmou o gerente de projetos especiais da Cetesb, Milton Norio Sogabe. Todo esse processo, até a licença de operação ser definitivamente concedida – e se tudo correr dentro do normal –, está previsto para acontecer em um período aproximado de dois anos.

    O estado de São Paulo, para permitir a entrada em operação dessas usinas, baseia-se em uma resolução estadual específica, a SMA-079, de novembro de 2009, que estabelece diretrizes e condições para a operação e o licenciamento da atividade de tratamento térmico de resíduos sólidos em usinas de recuperação de energia (URE). Sua existência faz as empresas interessadas precisarem contemplar no EIA-Rima e no pedido de licença prévia as medidas e tecnologias para atender às determinações rigorosas de emissões atmosféricas, que seguem os padrões mais altos do mundo, adotados na Europa, EUA e Ásia.


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