Tecnologia Ambiental

28 de novembro de 2013

Tecnologia ambiental – Coprocessamento: Uso de resíduos em fornos de cimento cresce 25%

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Furtado
+(reset)-
Compartilhe esta página

    T

    ecnologia ambiental consagrada mundialmente – ganhou ainda mais força no país com as determinações previstas na Política Nacional de Resíduos Sólidos: fechar lixões até 2014 e eleger a disposição em aterros como última alternativa para resíduos –, o coprocessamento em fornos de cimento continua a crescer de forma considerável.

    Química e Derivados, Cimenteiras licenicadas para coprocessamento (35 unidades*)

    Cimenteiras licenicadas para coprocessamento (35 unidades*)

    Levantamento da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), entidade que congrega as principais cimenteiras do país, registrou em 2012 aumento de 25% no volume de resíduos coprocessados – como substituto de combustível ou de matéria-prima –, o que totalizou 1,45 milhão de toneladas, contra o montante de 1,16 milhão de t atingido em 2011. Desse total, 951 mil toneladas (66%) substituíram a energia térmica de combustíveis fósseis, em específico o coque de petróleo utilizado pelos fornos de clínquer das cimenteiras. Já os 34% restantes, 499 mil t, entraram nos sistemas como substitutos de matérias-primas do cimento, por contarem com calcário e argila.

    O crescimento do mercado é visível já há alguns anos, em virtude das vantagens ambientais e da disponibilidade de oferta. Solução que efetivamente destrói o resíduo nos fornos, que operam a cerca de 1.200ºC, queimando-o como combustível ou incorporando-o ao cimento, o coprocessamento paulatinamente vem ocupando a capacidade total instalada de 2,5 milhões de t. Das 51 fábricas integradas de cimento do país, 36 delas estão licenciadas para a atividade, sendo 17 no Sudeste. Em 2010, foram coprocessadas 870 mil toneladas, número que foi aumentado em 25% no ano seguinte, coincidindo com a época em que o boom da construção civil atingiu de forma muito positiva a indústria de cimento. O ritmo de crescimento, em 2013, segundo revelou o gerente de tecnologia da ABCP, Yushiro Kihara, deve continuar a ser acima de 10%, não no mesmo nível registrado nos últimos dois anos, mas de forma consistente.

    Embora o cenário seja favorável, o potencial de uso da tecnologia é muito maior, na opinião do gerente da associação. Como comparação, na Alemanha, cerca de 70% do combustível utilizado pelas cimenteiras tem origem residual, enquanto, no Brasil, em 2012, esse percentual foi de apenas 10%. “Ou seja, a indústria ainda é muito dependente do coque de petróleo”, disse. Aliás, o Brasil não é autossuficiente nesse combustível residual do refino petroquímico. Nos últimos cinco anos, o déficit comercial foi de US$ 2,2 bilhões, o equivalente a cerca de 19,7 milhões de toneladas.

    Química e Derivados, Unidades de blendagem para coprocessamento (19 unidades)

    Unidades de blendagem para coprocessamento (19 unidades)

    Pode duplicar – Caso a procura aumente, o Brasil tem condições de duplicar sua capacidade de coprocessamento apenas com modificações nos fornos já licenciados, sem precisar recorrer a mais unidades. Porém, quando houver a necessidade de ampliação para além dos fornos atualmente licenciados, o mercado precisará vencer três barreiras: 1) Há regiões no país com indisponibilidade de resíduos com poder calorífico suficiente para entrar nos fornos; 2) O investimento para controle de emissões atmosféricas, que permite o coprocessamento, é muito alto; e 3) O processo de licenciamento é burocrático e rigoroso.

    Para ser apto ao coprocessamento, o resíduo precisa ter poder calorífico de no mínimo 2.900 kcal/kg, para agregar capacidade térmica no processo de combustão acostumado a operar com o coque de petróleo, com 9 mil kcal/kg. “A partir daí ele passa a ser interessante para a cimenteira”, disse Kihara. Mesmo assim, isso não significa que a cimenteira pague pelo combustível, pelo contrário, ela recebe um valor para incluí-lo no forno, em uma faixa de preço mínima de R$ 250,00/t.

    E o resíduo ainda precisa ter sido preparado por unidades de blendagem (mistura) que aglomeram e trituram resíduos líquidos, sólidos e pastosos, na granulometria certa. Há várias no país, nas mãos de empresas de gerenciamento ambiental, que se responsabilizam por resíduos industriais de terceiros.

    As unidades de blendagem misturam e trituram (em granulometria menor do que 50 mm) os rejeitos industriais sólidos e também os deixam impregnados de outros resíduos líquidos e pastosos com poder calorífico. Os mais comuns são: solventes, borras oleosas, equipamentos de proteção individual usados, papéis, madeiras e solos contaminados. Um outro exemplo de material que também está sendo muito utilizado como combustível alternativo são os pneus, cujo poder calorífico é alto, de até 8 mil kcal/kg.

    A destruição de pneus em fornos de cimento se mantém estável no Brasil. O levantamento da ABCP aponta que em 2012 foram destruídas 228 mil t de pneus inservíveis (cerca de 70% do total), contra 220 mil t de 2011. Trata-se de uma média de 45 milhões de pneus, um volume não muito aquém em relação aos países desenvolvidos. Com a mesma tecnologia, na União Europeia anualmente são destruídos 110 milhões; nos Estados Unidos, 62 milhões; e, no Japão, 38 milhões de pneus.


    Página 1 de 41234

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next