Tecnologia Ambiental

23 de setembro de 2013

Tecnologia ambiental: Conexões à rede aumentam, mas vergonha continua

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    Química e Derivados, Flagra na praia de Jatiúca em Maceió-AL, uma das dez piores cidades do país em saneamento: imprópria para banho

    Flagra na praia de Jatiúca em Maceió-AL, uma das dez piores cidades do país em saneamento: imprópria para banho

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    percepção de que mais moradias se conectam às redes de abastecimento de água e de coleta de esgoto é confirmada por números do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento 2011 (SNIS), divulgado em julho de 2013. Trata-se de levantamento oriundo de informações obtidas em 4.941 municípios brasileiros sobre abastecimento de água e em 2.925 a respeito de esgotamento sanitário. Estes foram, do total de 5.565 municípios, os que responderam à pesquisa.

    Segundo o SNIS, em 2011, o Brasil contava com 519 mil quilômetros de redes de águas, nas quais estavam 46,3 milhões de ramais prediais conectados. Em esgotamento sanitário, trata-se de 213,4 mil quilômetros de redes, com 23,7 milhões de ramais prediais. Isso representou um crescimento de 1,4 milhão de ramais na rede de água e de 1,3 milhão na de esgotos.

    Já o consumo médio de água no país, segundo o sistema, ficou na faixa de 162,6 litros por habitante ao dia, um aumento de 2,3% em comparação com 2010, quando o volume foi de 159 litros. Regionalmente, vale informar que no Nordeste o consumo foi de 120,6 litros, enquanto que, no Sudeste, o índice chegou a 189,7 l por habitante/dia.

    Em termos financeiros, os serviços de água e esgotos movimentaram em 2011 R$ 76 bilhões, equivalentes a investimentos de R$ 8,4 bilhões, receitas operacionais de R$ 35 bilhões e despesas de R$ 32,6 bilhões. Em empregos diretos e indiretos, foram gerados 642,9 mil postos em 2011. Deste total, 189,9 mil em atividades de prestação de serviços e 444 mil em consequência dos investimentos.

    Apesar dos pequenos avanços, o Brasil está em nono lugar no chamado ranking mundial da vergonha, da Unicef, com 13 milhões de habitantes sem acesso a banheiro. Traduzindo os percentuais do SNIS, e com base nos dados das 100 maiores cidades brasileiras, onde vivem 77 milhões de habitantes, isso significa também um total de 7 milhões de pessoas sem acesso à água potável (população da Suíça) e 31 milhões sem coleta de esgoto (apenas 3 milhões a menos do que a população total do Canadá).

    Ainda há mais motivos para aumentar a vergonha nacional: do volume de esgoto gerado nessas 100 maiores cidades do Brasil, somente 36,28% é tratado, o que representa 8 bilhões de litros de esgoto lançados in natura todos os dias nas águas superficiais brasileiras. E apenas 20 das 100 cidades analisadas pelo SNIS ofereciam água tratada a 100% da população. E somente 34 das 100 contavam com coleta de esgoto superior a 80% da população, com apenas cinco delas com índice de 100%: Belo Horizonte-MG, Santos-SP, Jundiaí-SP, Piracicaba-SP e Franca-SP. Com tratamento de esgoto superior a 80%, o número cai para seis: Sorocaba-SP, Niterói-RJ, São José do Rio Preto-SP, Jundiaí-SP, Curitiba-PR e Maringá-PR.

    Esses 100 municípios investiram em melhorias no saneamento em média 28% da receita e apenas cinco deles  desembolsaram acima de 80% na ampliação e melhoria do sistema de água e esgotos: Ribeirão das Neves-MG, Recife-PE, Teresina-PI, Praia Grande-SP e Vitória-ES. Um dado não menos alarmante diz respeito a perdas de água nessas cidades: média de 40,46%, portanto, abaixo da média nacional, que em 2010 foi de 36%.

    Para finalizar, a conclusão de especialistas é a de que ainda se investe pouco em saneamento no Brasil, tornando a universalização um sonho distante. Segundo o Instituto Trata Brasil, o certo seria o investimento ser de 0,63% do PIB, mas efetivamente são investidos 0,22%. Isso sem falar que menos de 30% das obras do PAC Saneamento foram concluídas até 2010, sem ter havido muitas mudanças até hoje. Estudo do Trata Brasil, que acompanha a execução de 114 grandes obras de saneamento em municípios com população acima de 500 mil habitantes, mostra que somente 7% delas foram concluídas até dezembro de 2011. E 60% estão paralisadas, atrasadas ou ainda nem foram iniciadas.



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