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25 de novembro de 2013

Sustentabilidade: Tensoativo “verde” quer entrar nos detergentes

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    m derivado do óleo de palma se apresenta como substituto de origem natural renovável para o alquilbenzeno linear sulfonado (LAS), o tensoativo primário mais importante para a fabricação dos detergentes líquidos e em pó. É o éster metílico sulfonado (MES), que está sendo produzido na Colômbia pelo Grupo Grasco e oferecido aos usuários brasileiros pela trading Aboissa.

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    “O MES é duplamente interessante, porque ele pode melhorar o desempenho ambiental do produto final, por ser de origem renovável, e também representar uma alternativa para ampliar a capacidade produtiva de detergentes sem investimentos em instalações adicionais”, comentou Munir Aboissa, presidente da trading. Isso é possível pelo fato de o MES, apresentado em forma de grânulos, ser adicionado ao detergente em pó depois da secagem (em spray-drier), simultaneamente à adição de fragrâncias e aditivos. Com isso, as etapas mais dispendiosas do processo, com grande consumo de energia, especialmente a secagem, não precisam ser aumentadas para gerar maior volume de produção.

    O MES poderia substituir totalmente o LAS em detergentes, mas a abordagem atual da Aboissa consiste na substituição parcial. “Recomendamos substituir entre 40% e 50% do LAS pelo MES, que apresenta poder de detergência superior e maior compatibilidade com enzimas do que o insumo substituído”, afirmou Heitor Augusto, coordenador da área de óleos de palma e láuricos da Aboissa. Segundo informou, a biodegradabilidade do MES também é mais rápida que a do LAS.

    São oferecidas três diferentes apresentações do MES para o mercado. Duas delas se destinam aos produtos em pó, contendo de 5% a 15% de zeólitas. O terceiro tipo, puro, é indicado para formular detergentes líquidos. “Esses tensoativos limpam muito bem, geram boa quantidade de espuma mesmo em águas duras”, salientou Augusto.

    O grupo empresarial colombiano Grasco atua há mais de 60 anos com alto grau de verticalização no mercado oleoquímico. Possui extensas plantações de palma no Equador e na Colômbia, intensificadas no escopo do plano de erradicação da coca, mas também investe no Brasil, exatamente no Pará, com parceiros locais.

    A produção do MES é conduzida em Bogotá, em unidade construída para usar o processo Ballestra, sendo a única empresa licenciada para usar essa tecnologia na América Latina. Sua capacidade instalada atual é de 12 mil t/ano, em grande parte absorvidas pelas empresas do mesmo grupo, também produtor de sabões em barra, detergentes líquidos e em pó. A Aboissa informa que outra unidade de porte similar da Grasco será construída na Colômbia, porém mais próxima de algum porto, facilitando a exportação. “Os Estados Unidos e a Ásia já usam o MES em detergentes, mas nessas regiões existem outros produtores”, comentou.

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    A ideia do trader é colocar no Brasil aproximadamente 500 t/mês do tensoativo natural, oferecendo-o, inicialmente, para pequenos e médios produtores de detergentes. Os seus planos incluem divulgar o produto e intermediar os negócios, sem formar estoques locais. O atendimento aos grandes fabricantes é mais demorado e será feito quando a segunda planta da Grasco estiver operando e gerando volume maior de excedentes exportáveis. Segundo Aboissa, o preço atual de mercado do MES fica muito próximo do preço do LAS. “O óleo de palma está numa fase de baixa histórica de preços”, justificou. Aliás, a Colômbia desponta como a quarta produtora mundial desse óleo, superada apenas por Malásia, Indonésia e Tailândia. O Brasil não figura sequer entre os dez primeiros desse ranking.

    O processo produtivo do MES guarda algumas semelhanças com o do biodiesel, este também um éster metílico. “O óleo de palma sofre transesterificação com metanol, na presença do catalisador metilato de sódio, gerando um éster metílico que é hidrogenado e posteriormente sulfonado, resultando no MES”, explicou Augusto.

    A disponibilidade de um tensoativo “verde” pode estimular mudanças na formulação dos detergentes e dos sabões brasileiros. “A indústria está numa zona de conforto, segue fazendo seus produtos do mesmo jeito há muito tempo. Contar com insumos de diferentes apelos, como o ambiental, pode ajudar esse mercado a se tornar um pouco mais dinâmico”, comentou Aboissa.



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      Um Comentário


      1. Rivaldo Ramos

        Bem se o mundo estar evoluindo pq não os detergente, temos q renovar os produtos para melhor



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