Petróleo & Energia

14 de novembro de 2011

Sustentabilidade – Nova Energia processa lixo para obter óleo sintético

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Publicado por: Jose Valverde
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    onverter diariamente 37 toneladas de polietilenos (PE), polipropilenos (PP) e poliestirenos (PS) usados, extraídos de 450 t de lixo, em 31 toneladas de petróleo sintético leve (45º API) será a principal atividade da planta industrial que a Nova Energia instalará no aterro sanitário de Salvador-BA, com partida prevista para 2013. O petróleo sintético, obtido pela tecnologia de processamento térmico, licenciada por uma empresa dos Estados Unidos, depois de refinado por terceiros, resultará em nafta petroquímica (23%), óleo diesel (46%) e óleo combustível (31%), como informa o presidente da Nova Energia, Luciano Coimbra.

    A conversão dos plásticos em petróleo sintético, por termólise, será conduzida em reatores nos quais esses três termoplásticos, previamente reduzidos a pellets, serão aquecidos indiretamente, a baixas temperaturas, até a fusão, e desse estado à gaseificação. Na sequência, os gases chegam a um condensador de contato direto, contendo água gelada. O condensado é o petróleo sintético, depois separado por decantação simples, centrifugado e entancado. Sobre os reatores, Coimbra acrescenta que apresentam um “desenho especial”.

    Os gases não condensados – o segmento C1 a C4 – são filtrados e voltam como combustível para os reatores. “O processo é termicamente autossuficiente”, salienta. A destilação será feita por uma pequena refinaria, instalada no Polo Industrial de Camaçari, a Dax Oil, e as três frações resultantes serão devolvidas à Nova Energia.

    química e derivados, sustentabilidade, lixo, óleo sintético, Luciano Coimbra

    Coimbra: processo térmico converte plástico enviados para aterros

    A nafta, com produção prevista de 2,5 milhões de litros/ano, será integralmente comprada pela Braskem Insumos Básicos, para ser transformada nas matérias-primas da cadeia petroquímica (olefinas e aromáticos), nos seus fornos de pirólise de Camaçari-BA.

    O uso dessa nafta eleva o compromisso corporativo a favor da “sustentabilidade da cadeia produtiva do plástico”, enfatiza o diretor de supply chain da Braskem, Hardi Schuck. Ele elogia o projeto da Nova Energia: “Contribui para a reciclagem pós-consumo nas grandes cidades, o que ainda é um desafio no Brasil.” Coimbra retribui: “O contrato com a Braskem é muito importante, pois atesta a credibilidade do processo que utilizaremos e a qualidade do produto final.”

    Os outros dois produtos – o diesel e o óleo combustível – serão comercializados diretamente no mercado; o diesel com a marca Liesel e o selo ambiental, que garante conter menos de 10 ppm de enxofre.

    Em princípio, na planta de conversão que a Nova Energia instalará no aterro de Salvador, todos os termoplásticos poderão ser convertidos em petróleo sintético, mas os três mencionados são os que oferecem o maior rendimento, acima de 90%. Para melhor esclarecimento, o empreendedor informa que embalagens descartadas de polipropileno biorientado, essas brilhantes que acondicionam batatas fritas e salgadinhos, valem tanto quanto outras sucatas do mesmo termoplástico, como acessórios de automóveis ou revestimentos de geladeiras.

    O maior rendimento do PE, PP e PS é atribuído ao fato de esses termoplásticos apresentarem cadeias puras, formadas exclusivamente por moléculas de hidrogênio e carbono. Dois outros plásticos, o PVC e o PET, que apresentam baixa conversão no processamento térmico, também serão separados das 450 t/dia de lixo, mas apenas para venda a empresas de reciclagem.

    A corporação dos Estados Unidos que transferiu a tecnologia para a Nova Energia, “com direito de exclusividade no Brasil”, é a Agilyx, de Oregon, apresentada por Luciano Coimbra como a única do mundo que diariamente produz e envia petróleo sintético para refinarias. Ele enfatiza que recentemente a Agilyx recebeu subscrição acionária de três grandes corporações, dentre as quais a petrolífera Total. “Engenheiros da Braskem já foram a Oregon conhecer a tecnologia”, ressalta. E comunica que a viabilidade do negócio é plenamente assegurada com o barril do petróleo a mais de US$ 70.

    A Nova Energia esclarece que optou pelo método mais eficaz de extrair do lixo urbano os três plásticos preferenciais, método este procedente da França e da Alemanha, com instalações totalmente automatizadas. O ponto alto são os sensores óticos, combinados por raios na faixa do infravermelho que incidem sobre o lixo conduzido por uma esteira transportadora e são refletidos, com uma refração que é medida pelo sistema e usada para identificar com precisão os materiais presentes, em especial os três termoplásticos citados.

    Feita essa identificação, um jato de ar é automaticamente direcionado, com força e precisão suficientes para deslocar o material escolhido para um recipiente coletor. O passo seguinte é submeter o produto dessa coleta a um processo de lavagem, baseado na exposição a jatos de ar comprimido, de pressões variadas, e à centrifugação, método que, por dispensar água, reafirma o sentimento ambiental e ecológico que permeia o projeto. “Todas as impurezas são removidas”, garante Coimbra. Na sequência, há a transformação da massa plástica em pellets com densidade de 400 kg/m³, condição em que o PE, o PP e o PS chegam aos reatores do processo.

    Processamento do lixo – O processamento de todo o lixo começa com a chegada do caminhão coletor. Em vez de conduzir o conteúdo para o aterro sanitário propriamente dito, esse caminhão o descarregará em uma área da Nova Energia, onde imediatamente três funcionários separam “as peças maiores”, como geladeiras, aparelhos de ar-condicionado, sofás etc.


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      Um Comentário


      1. Tiago santos de Jesus

        Excelente projeto de sustentabilidade, queria muito que um projeto deste tipo fosse implantado em todo o Brasil com parceria dos governantes.

        Tiago – Barra Bonita-SP



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