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17 de setembro de 2009

Sustentabilidade – Irani gera R$ 5 milhões em créditos de carbono

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    Celulose Irani foi um importante destaque em Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) durante a IX Conferência da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), realizada de 8 a 10 de junho na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). A empresa do grupo gaúcho Habitasul já captou R$ 5 milhões em créditos de carbono por conta de seu bem-sucedido projeto de MDL, implantado a partir de 2006. A Irani registra a remoção de 650 mil toneladas de CO2, em 2008.

    Outras 160 mil toneladas foram convertidas em combustível numa caldeira de cogeração com baixos níveis de emissão de metano, igualmente aprovada por auditores da ONU em 2006, em conformidade com as metodologias 1D versão 7 e 3, e a versão 7 da UNFCCC – Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas. A empresa reduziu um conjunto de agentes coprodutores de CO2, como o GLP, óleo diesel, cavacos de madeira, efluentes, pó de madeira, acetileno, diluentes, entre outros. Em combustíveis, a Irani aumentou a frota própria com veículos abastecidos somente com álcool hidratado.

    Química e Derivados, Leandro Farina, Diretor da Irani, Sustentabilidade

    Leandro Farina: empresa também obteve certificação de mudanças climáticas

    A Irani conseguiu diminuir em 74% o consumo de reagentes empregados na obtenção das placas de celulose. A empresa aumentou em 127% o tratamento de resíduos industriais. O diretor da firma, Leandro Farina, assinalou que por conta de sua trajetória em MDL já em 2006, a empresa conquistou a ISO 14064 e foi a primeira do ramo de celulose em âmbito mundial a obter a certificação internacional para gestão ambiental.

    Outra experiência de sucesso apresentada diz respeito ao grupo paulista Dedini, líder nacional do segmento sucroalcooleiro. A empresa encontrou uma maneira criativa de zerar o consumo de água no processo de obtenção do álcool anidro, empregado no Brasil como aditivo de gasolina. As usinas da Dedini passaram a retirar toda a água necessária à obtenção do produto da casca da cana-de-açúcar, à base de 290 litros por tonelada. Como a água empregada é convertida em vapor e a vinhaça é totalmente separada e reaproveitada, a Dedini zerou o descarte de efluentes na produção de álcool anidro. A vinhaça posteriormente foi direcionada à fertirrigação.

    Fernando Boscariol, executivo do grupo Dedini, explicou que dependendo do percentual a vinhaça serve ainda à compostagem, ou como combustível de um tipo de caldeira projetada especialmente para consumir esse tipo de matéria orgânica. O Brasil importa 18 milhões de t/ano de fertilizantes e produz 26 bilhões de litros de álcool. Para Boscariol, o país poderia se tornar autossuficiente, caso toda a vinhaça gerada no país fosse convertida em biofertilizante.

    Outra empresa destacada foi a Rhodia, pelo lançamento em 2008 da linha de fibras têxteis sintéticas Emana. Trata-se de uma poliamida 6.6 que devolve ao organismo os sais e alguns nutrientes perdidos com o suor, sem efeitos colaterais. Os fi os interagem com a água e melhoram a termorregulação. O principal benefício é a redução do ácido lático depois de esforço, reduzindo os seus efeitos indesejáveis, como as dores e a sensação de fadiga.

    Química e Derivados, Fernando Boscariol, Executivo do grupo Dedini, Sustentabilidade

    Fernando Boscariol: Dedini aproveita água da casca da cana-de-acúcar

    O Emana foi totalmente desenvolvido no Centro Tecnológico de Santo André-SP. A Rhodia também exibiu sua linha de solventes feitos de ésteres, aminas e glicóis, em substituição aos aromáticos, tais como xileno e tolueno. Os produtos são considerados de baixa toxicidade com biodegradabilidade de 100% e chegam ao mercado com nome comercial Rhodiasolv e Green 25.

    Rodrigo Cardoso da Silva, da Oxiteno, por sua vez, mostrou um novo modelo de negócio interessante. Nesse caso, a companhia optou por montar uma unidade oleoquímica para obter tensoativos, solventes e catalisadores, para uso principal na produção de detergentes industriais e domésticos. A principal característica em termos de ecoeficiência é a sua biodegradabilidade.

    Outro destaque da IX Conferência Anpei foi a Braskem. O grupo petroquímico tem projeto interno denominado EcoBraskem. Consiste na racionalização do consumo de água e energia na Unidade de Insumos Básicos da Bahia, sem gerar efluentes. A UNIBBA estava utilizando o equivalente a 1% do consumo energético nacional. O projeto é desenvolvido juntamente com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), e deverá conduzir a unidade industrial a outro patamar de ecoeficiência, com redução de consumo de água e energia.

    Foram divulgados também os casos de sucesso da Altus, empresa de automação industrial avançada, na implantação do gasoduto da Petrobras de 662 km entre Urucu e Manaus-AM, atravessando a Floresta Amazônica, que envolveu as áreas de automação, instrumentação, logística, telecomunicações e energia elétrica. A Innova e o Centro de Pesquisa da Petrobras desenvolveram a família de poliestireno HIPS, um novo tipo de resina de alto impacto, que combina características como mais agilidade de processamento, maior rigidez e flexibilidade para utilização nos segmentos de embalagem, refrigeração e eletroeletrônicos.

    Os participantes da Anpei também debateram o atual cenário econômico. Eles dizem que a inovação e a pesquisa diminuem custos de produção e se constituem numa forma de enfrentar o desempenho econômico negativo de 4,5% para os países da OCDE e de 1% também negativo para o mundo em 2009. Os 700 gestores participantes da Anpei firmaram uma resolução conjunta para apontar que a crise econômica global representa a falência das estruturas econômicas usuais, sendo comparável à da década de 30. Decorre de causas profundas, como a busca da maximização dos ganhos de curto prazo independentemente das consequências e efeitos colaterais ao meio ambiente.



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