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7 de novembro de 2001

Solventes pedem regulamentação para reorganizar setor

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Liberalização da atividade facilitou a fraude na gasolina e merece revisão, preocupação ambiental superou excessos iniciais e trouxe avanços

    Química e Derivados: Solventes

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    mercado de solventes industriais acerta o passo em várias contramarchas. Tanto no campo administrativo quanto no aspecto ambiental, foram cometidos vários exageros, durante a década de 1990, a exigir ajustes estratégicos para evitar reflexos na competitividade de vários ramos de atividades, nos quais os solventes apresentam importância decisiva, desde a limpeza e decapagem de superfícies metálicas até na fabricação de tintas.

    O setor aguarda a conclusão dos novos regulamentos oficiais sobre a distribuição de solventes no Brasil, prevista para os próximos meses. Na ressaca dos movimentos de liberalização da economia, no período pós-constituinte de 1988, o País mantinha um sistema de distribuição excessivamente controlado, burocrático. Valiam cotas prefixadas para número restrito de empresas, classificadas como grandes consumidores (indústrias de tintas, por exemplo) ou distribuidores/revendedores. Esse pequeno rol tinha exclusividade na retirada de produtos da Petrobrás e das centrais petroquímicas, ainda hoje fontes primárias de hidrocarbonetos solventes. Delas se exigia manter bases de estocagem e sistemas de transporte qualificados, recebendo, em contrapartida, a possibilidade de auferir ganhos significativos.

    Nessa época, eram freqüentes as acusações de formação de cartel e manipulação de preços. Também circulavam informações de empresas extintas que mantinham ativo apenas o registro junto ao Conselho Nacional de Petróleo para retirar a cota de solventes e depois revendê-la a terceiros. Ante o interesse de vários grupos em participar desse negócio e o desejo dos consumidores de garantir oferta firme de solventes hidrocarbonetos com preços baixos, a regulamentação oficial foi cancelada, passando-se a exigir registros simplificados das empresas compradoras, eliminando o regime de cotas.

    O efeito dessa revisão não foi de todo elogiável. “Não houve desregulamentação, houve avacalhação mesmo”, criticou um antigo distribuidor do setor. Em parte, o relaxamento das exigências burocráticas facilitou a vida de todos os elos da cadeia, das fontes produtoras até os consumidores finais. Porém, nenhum órgão oficial conservou controles mínimos dos solventes a partir do momento da retirada dos produtos da origem. Prova disso foi o crescimento vertiginoso das reclamações de incorporação de solventes à gasolina automotiva, praticada por empresas inidôneas. Esse tipo de ilicitude motivou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) a elaborar novas regras para a venda de solventes hidrocarbonetos.

    “Desde 1998, o mercado de solventes passou a atuar em sistema de cotas estabelecido pela ANP, ao qual todas as distribuidoras se submetem com o objetivo de inibir o uso indevido como combustíveis”, explicou Pedro Caldas Pereira, gerente de produtos especiais da BR Distribuidora. Por ser líder na distribuição de derivados de petróleo, a empresa sofre diretamente os reflexos das práticas irregulares da venda de combustíveis.

    Para complementar as normas da ANP, a empresa criou o programa De Olho no Combustível, garantido a qualidade e certificando os postos de gasolina da rede. “A partir de dezembro de 2001, os solventes receberão um marcador químico nas bases das fontes produtoras para identificar no ponto de venda a adulteração de combustíveis”, informou Pereira. A norma instituiu, a princípio, marcador único para todos os produtores de solventes. Segundo o gerente da BR, no futuro cada produtor poderá ter seu próprio marcador, facilitando a fiscalização. “Essas medidas são necessárias para que o mercado de combustíveis e de solventes volte a operar com tranqüilidade”, justificou.

    Química e Derivados: Solventes: Chamma - cresce demanda por alifáticos mais puros.

    Chamma – cresce demanda por alifáticos mais puros.

    Do ponto de vista ambiental, a postura radical contra a liberação de compostos orgânicos voláteis (VOC) para a atmosfera foi abrandada, retirando-se da discussão boa parte do “emocionalismo”, substituído por argumentos racionais, mais eficazes para o controle da poluição. Até os solventes clorados, apontados como vilões principais contra a camada de ozônio, passaram por um processo de depuração, com a eliminação de produtos como o tetracloreto de carbono e o 1,1,1-tricloroetano, e já recuperam espaço em algumas aplicações industriais.

    A pressão ambientalista produziu melhoras notáveis nos processos produtivos, estimulando o uso racional e comedido de solventes. Dessa forma, em vários grandes usuários de solventes, práticas de manuseio e aplicação desses produtos foram aprimoradas, reduzindo perdas e também a contaminação do ambiente de trabalho, muito prejudicial à saúde dos trabalhadores. Também iniciativas para a reciclagem qualificada e o reuso de solventes apresentam-se em franco desenvolvimento.

    Com vasto campo para aplicações, os solventes industriais podem ser divididos em três grandes grupos: hidrocarbonetos (subdivididos em aromáticos e alifáticos), sintéticos (cetônicos, ésteres, éteres, álcoois e glicóis), e clorados.

    Importante salientar o crescimento recente do uso de sistemas solventes (misturas) formulados especificamente para cada aplicação em substituição aos produtos puros.

    “O ritmo de crescimento do mercado total de solventes acompanha a evolução do PIB industrial do Brasil”, avaliou João Miguel Chamma, gerente nacional de vendas da Ipiranga Comercial Química (ICQ). Alguns produtos crescem um pouco mais, mas isso é compensado pela redução do consumo de outros mercados. “A pintura de peças de madeira de geometria simples migrou quase totalmente para tintas curáveis por ultravioleta, isentas de solventes”, exemplificou. Ele acredita na longa permanência dos solventes na atividade industrial, com especificações mais precisas. Os hidrocarbonetos tendem a apresentar margens de lucro estreitas, enquanto os sintéticos seguem dependendo das flutuações freqüentes do mercado mundial.


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