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5 de outubro de 2004

Solventes: Petróleo caro ajuda a trocar de solvente

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Pressão ambiental combinada com a alta do petróleo ajuda oxigenados a tirar o lugar de hidrocarbonetos nas formulações de solventes

    Química e Derivados: Solventes: abre_solventes. ©QDA elevação dos preços mundiais do petróleo pressionou para cima as tabelas dos fornecedores de solventes industriais. No caso brasileiro, como boa parte dos segmentos compradores enfrenta dificuldades para repassar a alta de custos, à exceção das indústrias francamente exportadoras, nem sempre foi possível repassar imediatamente os impactos altistas, exigindo amortecer as variações com reduções de margens de lucro.

    Ao mesmo tempo, por contar com oferta abundante de etanol com preço muito abaixo dos padrões mundiais, os formuladores brasileiros buscaram montar sistemas com poder de solvência equivalente aos habituais, porém mais econômicos. Derivados do álcool, como o acetato de etila, também foram beneficiados, substituindo itens concorrentes.

    Aliás, todo o grupo dos solventes oxigenados, a exemplo dos álcoois, cetônicos, glicólicos e outros, vem há alguns anos sendo preferido pelos usuários por motivos ambientais e de saúde ocupacional. Perdem os produtos da destilação de petróleo ou de origem petroquímica, denominados hidrocabonetos e, em especial, os aromáticos. Em abril deste ano foi editada a Portaria Interministerial (Saúde e Trabalho) nº 775, que proibiu a venda de produtos finais que contenham benzeno. O aromático só será admitido como contaminante no teor máximo de 1%, a ser reduzido ano a ano, até chegar ao máximo de 0,1% em volume em 2007.

    Os solventes hidrocarbonetos de cadeia aberta (alifáticos) mereceram atenção especial dos fornecedores. “As especificações ficaram mais rígidas, admitindo teor menor de aromáticos residuais”, explicou João Miguel Thomé Chamma, gerente nacional de negócios da Ipiranga Comercial Química S/A, maior distribuidora de produtos químicos do País. “Com isso, os alifáticos reduziram muito o odor e a cor.”

    Química e Derivados: Solventes: Chamma - Alifáticos apuram qualidade e mantêm vendas. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Chamma – Alifáticos apuram qualidade e mantêm vendas.

    Menos agressivos à saúde humana, esses alifáticos foram rapidamente adotados pelo segmento de limpeza e desengraxe industrial, de modo a evitar problemas advindos do contato direto com a pele dos usuários. Chamma vê como incipiente o uso desse tipo de solvente como insumo para a fabricação de tintas e dissolventes. “Pode se configurar uma tendência para o futuro, mas ainda há poucos interessados, embora o custo da linha ecológica já tenha caído, ficando, hoje, entre 20% e 25% acima das especificações tradicionais”, comentou.

    O uso de iso-parafinas hidro-tratadas, em cortes precisos, está sendo estimulado pela ampliação da oferta, embora os consumidores ainda resistam. “Os compradores querem receber os ecológicos ao preço dos alifáticos convencionais, o que é impossível”, comentou Hélio Cury, diretor-presidente da distribuidora Best Química. Os ecológicos ainda custam quase o dobro dos normais.

    A diretora-comercial da Best, Ana Maria Virginelli, com larga experiência no segmento, salienta a mudança de atitude da principal fornecedora de solventes, a Petrobrás, visando atender melhor esse mercado que representa menos de 1% do volume por ela produzido de derivados de petróleo. “Embora tenham volume menor que os combustíveis, os solventes são importantes por atenderem a uma faixa ampla de mercados, além de contribuírem para o resultado final”, comentou. Na lógica de negócios da estatal, segundo ela, a administração das refinarias conquistou um grau maior de autonomia, cabendo aos superintendentes formar um mix adequado de produtos que ofereça o melhor resultado.

    “Não faltou solvente neste ano, exceto em casos excepcionais”, avaliou a diretora. Ela se referiu à paralisação de uma unidade de obtenção de hexano, muito usado na extração de óleos vegetais. A parada coincidiu com o pico do esmagamento da soja nacional, cuja safra foi das maiores. “A própria Petrobrás importou hexano para suprir o mercado”, afirmou.

    Chamma considera o uso de hexano na extração de soja um mercado de 80 mil t/ano, porém sem grandes perspectivas de ampliação, a despeito do potencial do agro-negócio. “O volume de extração de óleo cresce 5% ao ano, mas isso é feito em unidades novas, mais eficientes, que perdem menos solvente por tonelada processada”, verificou. Ainda na área agrícola, o uso de cicloexano como rompedor do azeótropo álcool-água nas destilarias nacionais também é limitado, de um lado pela melhor recuperação do solvente e, de outro, pela adoção de novas tecnologias, como o uso de monoetilenoglicol ou de peneiras moleculares. A demanda, porém, deve crescer com a inauguração das novas destilarias já anunciadas no Brasil.

    A qualidade dos solventes nacionais está em franco aprimoramento, podendo ser qualificada de excelente no caso da Petrobrás. O aguarrás, um dos produtos mais vendidos no País como diluente de tintas, fornecido pelas refinarias de BetimMG (Regap) e Duque de CaxiasRJ (Reduc), passa por hidro-tratamento, eficiente para remover cor e odor. Já o aguarrás obtido pela Braskem, em Camaçari-BA, ainda exala cheiro forte e apresenta cor perceptível. “A tendência é o mercado preferir o solvente de melhor qualidade”, disse Ana Maria. A refinaria de Paulínia-SP, por exemplo, deixou de fazer o aguarrás. “Não tem problema, a Regap sozinha pode atender todo o mercado doméstico que é de 15 mil m³/mês”, informou. O problema do aguarrás é estar na faixa de composição do querosene de aviação (QAV), sempre considerado prioritário.


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