Produtos Químicos e Especialidades

16 de julho de 2009

Solventes: O verde como meta – Em ascensão, mercado dos oxigenados aproveita preocupação ambiental para ampliar oferta de grades mais avançados

Mais artigos por »
Publicado por: Domingos Zaparolli
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Química e Derivados, Solventes

    C

    uidados ambientais e com a saúde ocupacional têm levado o mercado de solventes industriais a uma contínua evolução. Nos mercados de tintas e tintas para impressão, responsáveis por praticamente 40% do consumo total deste insumo, os solventes hidrocarbonetos estão perdendo espaço para os oxigenados, considerados menos agressivos. Mas a evolução também passa por melhorias dentro do próprio segmento dos oxigenados, que tem privilegiado o lançamento de produtos que primam por reduzir ainda mais os impactos ambientais e à saúde. Também começa a ganhar corpo o conceito de solvente verde, aquele que alia às características amigáveis ao meio ambiente a vantagem de ser obtido de fontes renováveis. A busca de soluções ambientalmente amigáveis já ocupa o espaço central nos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento dos produtores de solventes industriais.

    Química e Derivados, Alexandre Castanho, diretor da Rhodia Solventes América Latina, Solventes

    Alexandre Castanho avalia o mercado mundial em 20 milhões de toneladas/ano

    Em países de desenvolvimento avançado, como Estados Unidos, Japão e os da Comunidade Europeia, a força de legislações que regulamentam a toxicidade dos solventes e as emissões aceitáveis de compostos orgânicos voláteis (VOCs) em produtos como tintas e vernizes gera o impulso necessário a uma rápida migração em direção aos chamados solventes amigáveis. Em países menos desenvolvidos, como o Brasil, não há o estímulo legal para a migração, mesmo assim os solventes oxigenados ganham espaço, por exigência do mercado comprador, principalmente dos fabricantes multinacionais de tintas, tintas para impressão e adesivos. Alexandre Castanho, diretor da Rhodia Solventes América Latina, avalia o mercado mundial de solventes industriais em 20 milhões de toneladas/ano. Segundo os dados da companhia, a participação dos oxigenados passou de 58%, em 1997, para 70%, em 2007, e a estimativa da empresa é de que essa participação alcance 80% em 2017. Por sua vez, os hidrocarbonetos, que detinham uma participação de 25% em 2007, devem recuar para 18%, enquanto os solventes clorados, hoje praticamente banidos na indústria de tintas, devem ter sua participação reduzida de 5% para 2%. Na América Latina, onde o consumo de solventes soma pouco mais de quatro milhões de toneladas anuais, sendo o Brasil responsável por 80% deste consumo, a participação dos oxigenados ronda a casa dos 50%.

    Química e Derivados, Jorge Duval, Executivo de marketing da Dow, Solventes

    Jorge Duval: emergentes consomem mais tintas com base solvente

    Jorge Duval, executivo de marketing para solventes e intermediários e éter glicólico da Dow para América Latina, também calcula que a taxa de crescimento dos oxigenadas supere à dos hidrocarbonetos. Ao analisar o mercado de tintas, o principal consumidor de solventes oxigenados, ele detecta dois perfis de demandas característicos. O perfil das regiões emergentes e o perfil das regiões mais desenvolvidas tecnologicamente, no qual estão Estados Unidos e Europa. “A diferença entre os dois perfis é que nas regiões emergentes o consumo de tintas e vernizes base solvente é ainda bem maior do que o das tecnologias como altos sólidos e base água, eletrodeposição, em pó e curadas por radiação”, disse o executivo. O avanço das tecnologias de tintas sem solventes faz o consumo do insumo no segmento de revestimento diminuir 1% ao ano, enquanto as demais matérias-primas para pinturas crescem 2,6% ao ano. Segundo o executivo, dentro do segmento de solventes, com diminuição anual de 1%, os solventes hidrocarbonetos caem mais de 3% ao ano, enquanto os oxigenados crescem quase 1% ao ano. “A tecnologia base solvente continuará dominando o mercado por muito tempo e os oxigenados, que fornecem as necessidades de desempenho procuradas pelos formuladores, atendendo às mais rígidas regulamentações ambientais, ganharão mercado sobre os outros solventes”, afirmou Duval.

    No mundo, os oxigenados começaram a se destacar a partir dos anos 90, com o Clean Air Act, da Environmental Protection Agency (EPA) dos EUA, que estipulou um processo gradual de redução do uso de solventes que atacam a camada de ozônio, a exemplo dos clorados e hidrocarbonetos. Na mesma época, estudos demonstraram o impacto negativo à saúde do trabalhador gerado pela manipulação de benzeno, tolueno e xileno, itens que, em muitos casos, compõem a rota de produção dos solventes hidrocarbonetos. Os solventes oxigenados também são compostos por carbono e hidrogênio, mas incorporam em suas moléculas átomos de oxigênio que facilitam a dispersão e geram menor impacto à camada de ozônio e à saúde humana. As principais famílias de solventes oxigenados são compostas por álcoois, cetonas, ésteres, glicóis, acetatos e éter glicólicos. Mas os oxigenados não são adequados para todas as aplicações. Seus principais usos estão em sistemas de tinta com altos sólidos, epóxis e poliuretanos. Não são recomendados, por exemplo, para esmaltes sintéticos.


    Página 1 de 3123

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


      ""
      1
      Newsletter

      Receba artigos, notícias e novidades do mercado gratuitamente em seu email.

      Nomeseu nome
      Áreas de Interesseselecione uma ou mais áreas de interesse
      Home - Próximo Destino Orlando
      ­
       Suas informações nunca serão compartilhadas com terceiros
      Previous
      Next