Produtos Químicos e Especialidades

12 de setembro de 2014

Solventes: Mercado retraído acirra luta pelos negócios com oxigenados

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Química e Derivados, Solventes: Mercado retraído acirra luta pelos negócios com oxigenados
    As vendas de solventes hidrocarbonetos no Brasil sofreram uma redução de mais de 4% em volume na comparação do primeiro quadrimestre de 2014 com igual período do ano anterior, em volume, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em seu relatório mais recente. Dados dos volumes produzidos pelas refinarias nacionais indicam uma redução de quase 10% entre os meses de maio e junho deste ano em relação aos mesmos meses de 2013.

    Os números são compatíveis com o desempenho da atividade industrial do Brasil neste ano, trágico como a derrota da seleção brasileira para a da Alemanha por 7×1, no Mineirão, em Belo Horizonte-MG, na semifinal da Copa do Mundo. O PIB industrial (geral) deste ano acumulou uma redução de 2,9% nos primeiros seis meses do ano, como atesta o IBGE. O comportamento da demanda por solventes – insumos usados em vários setores produtivos, do agronegócio aos automóveis – serve como um termômetro da economia nacional.

    O desempenho dos solventes sintéticos também acusa depressão. Nesse caso, a pressão das importações provoca os fabricantes nacionais ao combate em clara situação de desvantagem: enquanto os concorrentes internacionais se valem de gás natural de baixo custo, a produção local precisa digerir os derivados de nafta cara, temperados pelo famigerado custo Brasil.

    Química e Derivados, Coelho: fabricantes locais adotaram postura agressiva

    Coelho: fabricantes locais adotaram postura agressiva

    “A economia fraca afeta as vendas de solventes hidrocarbonetos e de oxigenados, e o problema não está na oferta, mas na demanda que não reage”, comentou André Coelho, gerente de suprimentos e produtos da quantiQ, maior distribuidora de produtos químicos do país, subsidiária da Braskem.

    A companhia oferece os hidrocarbonetos produzidos por refinarias de petróleo e centrais petroquímicas nacionais, em geral para clientes industriais, a exemplo dos produtores de tintas e adesivos, bem como solventes oxigenados importados, consumidos por segmentos mais próximos ao mercado de consumo final, como flexografia e embalagem. Ambas as linhas apontam retração. “Já sabíamos que seria um ano desafiador, mas esperávamos um comportamento melhor da construção civil e da indústria automotiva”, avaliou. Coelho se apressa em informar que a quantiQ, como um todo, está conseguindo aumentar suas vendas neste ano, atuando em outros segmentos de mercado mais ativos, caso das atividades vinculadas ao agronegócio, por exemplo.

    Responsável pelo contato com as distribuídas internacionais de solventes, Coelho verifica que o mercado global desses produtos está bem suprido e com preços estáveis. “O mercado local está desalinhado, os fabricantes nacionais adotaram uma postura muito agressiva de preços para enfrentar a entrada de novos atores no mercado”, comentou, citando os casos da acetona e do isopropanol.

    Em relação ao abastecimento do mercado, Coelho vê um equilíbrio de oferta e demanda muito sólido, que não será afetado pelas paradas programadas de centrais petroquímicas deste ano. Isso se explica mais pela tibieza da demanda interna. Tanto que tem havido exportações de solventes.

    Química e Derivados,Gabriel: demanda americana eleva preço dos aromáticos

    Gabriel: demanda americana eleva preço dos aromáticos

    “O mercado norte-americano está puxando mais aromáticos para aditivar combustíveis durante a driving season”, explicou Rodrigo Gabriel, diretor de desenvolvimento da Carbono Química. Historicamente, a demanda por combustíveis automotivos aumenta entre maio e setembro e os aromáticos atuam como melhoradores de octanagem. “E, como eles estão direcionando a petroquímica para o gás natural, o suprimento interno de aromáticos está mais curto e isso puxou para cima as cotações do mercado global desses itens”. Porém é um fenômeno localizado, tanto geograficamente quanto no portfólio dos solventes, pois os alifáticos não foram afetados.

    Especialista nesse mercado, Gabriel classifica como heterogêneo o comportamento comercial dos solventes neste ano. “Há uma briga forte nos oxigenados, em especial no acetato de etila, os demais produtos da linha estão normais, houve um ataque dos importados no butilglicol, mas o produtor local reagiu, apenas o etilglicol está com muitas variações, causadas por importações pontuais”, comentou.

    No campo dos solventes hidrocarbonetos, as posições de mercado não sofreram alterações. “Houve um aumento de preços dos aromáticos em junho e julho e entrou um pouco de xileno de fora, nada muito relevante”, afirmou Gabriel. Fora a elevação sazonal da demanda americana por aromáticos, ele não vê mudanças no cenário global desses solventes. “Os fabricantes brasileiros tendem a acompanhar as variações dos preços internacionais, por isso o tolueno ficou mais caro, apesar de a demanda estar fraca neste ano”, comentou. Ele apontou que os preços atuais são semelhantes aos verificados no final de 2013, antes de sofrerem uma queda no começo deste ano. Limitados ao mercado interno, os alifáticos estão com preços estáveis.


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