Petróleo & Energia

5 de junho de 2013

Solventes: Com gás barato, DOW traz mais oxigenados ao Brasil

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    apresentação do fórum de solventes oxigenados, em março, em São Paulo, pela Dow reflete a mudança de ânimo da petroquímica norte-americana com a disponibilidade de gás natural de fontes não convencionais. Com matéria-prima abaixo de US$ 4 por milhão de BTUs, voltam a operar alguns crackers que foram colocados em hibernação há alguns anos. É o caso do cracker da Dow na Louisiana, religado no fim do ano passado e com previsão de receber um segundo cracker até 2014. A companhia também pretende construir um novo cracker de gás de escala mundial até 2017 na região do Golfo do México.

    Esses investimentos reforçarão a oferta de solventes oxigenados da companhia, hoje avaliada em 1,5 milhão de t/ano, gerando US$ 2 bilhões/ano de faturamento. O portfólio de sessenta produtos se divide pelas famílias de ácidos orgânicos (propiônico, valérico, isopentanoico e 2-etilhexanoico), álcoois, ésteres, cetonas, e ésteres de glicol das séries E e P. A produção norte-americana desses produtos, sediada em Freeport (Texas), é a que tem melhores condições de suprir o mercado sul-americano, embora existam unidades produtivas dessa divisão de negócios na Alemanha, Argentina, Malásia e China.

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    “Há um mercado enorme para solventes oxigenados no Brasil, mas ele é atendido em grande parte pelo etanol, que aqui é muito econômico”, afirmou John Davidson, gerente de marketing global desses produtos da Dow. Ele salienta a longa expertise da companhia com os oxigenados, cuja produção comercial começou a ser feita pela Union Carbide em 1923, tendo sido esta adquirida pela Dow em 2001, assumindo o amplo portfólio.

    A influência do etanol barato ficou um tanto quanto comprometida pelo crescimento do seu consumo como combustível automotivo, provocando aumento de preços e, em alguns anos, escassez. “Mesmo em anos normais, há a possibilidade de substituir com vantagem econômica a técnica do etanol por solventes mais específicos por mercado de aplicação”, comentou.

    Segundo informou, essa substituição é feita mediante um trabalho que começa pela identificação das necessidades dos clientes e pelo desenvolvimento de soluções adequadas para eles. Essas formulações contam com o apoio dos laboratórios da Dow no Brasil e no exterior, apoiados por um time de especialistas. Em tempo: a companhia não pretende formular, ela mesma, os produtos solventes, mas fornecer os componentes necessários para a sua obtenção.

    “Nós temos muitas alternativas em solventes, mas nunca encontramos nenhum produto isolado que fosse mais competitivo, tanto técnica quanto economicamente, do que os blends”, explicou Jorge Durval, gerente de mercado de solventes oxigenados para a América Latina da Dow.

    Segundo Davidson, a descoberta do shale gas deve mudar significativamente o panorama de negócios na cadeia de produtos derivada do eteno (C2). E os reflexos devem ir além dela, pois é possível fazer propeno e buteno em unidades on purpose alimentadas pelo gás barato. Mesmo nas condições atuais, ele explica: “o propanol é obtido do eteno, mas ele é muito mais usado nos EUA e no México do que no Brasil”, afirmou.

    Durval comentou que o desafio atual é formar uma estrutura logística capaz de entregar aos clientes os solventes desejados a um custo competitivo. “Freeport é a fonte mais próxima, temos tancagem na Bahia e no Guarujá, mas talvez seja mais interessante trazer os solventes pela Argentina, onde também estamos bem equipados”, avalia Durval. Os recentes problemas com o porto de Santos explicam a preferência pela alternativa.

    Ele também entende que o tamanho da demanda por oxigenados no país, estimada em US$ 500 milhões/ano (a América Latina, sem o México, chega a US$ 1 bilhão), com grande participação do etanol, poderá justificar investimentos futuros em produção local. “A Dow está construindo uma usina de etanol em Minas Gerais, pode ser um começo”, afirmou Durval.

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    Segundo os executivos, a participação da Dow nesses produtos chega a 10% em toda a região, percentual que lhe daria a liderança regional. “Temos presença mais forte nos países ao Norte da América do Sul, mas somos competitivos até no Brasil, apesar das recentes taxas protetivas contra importações químicas”, considerou.

    O fórum promovido pela companhia reuniu os vários segmentos de mercado que usam solventes, ou seja, clientes em potencial. A eles foram apresentadas soluções específicas contendo oxigenados. Para as tintas de impressão, por exemplo, o isopropanol e o acetato de isopropila mereceram destaque. “Não são novos em âmbito mundial, no qual têm demanda crescente, mas são pouco conhecidos no Brasil, que usa mais o etanol e o acetato de etila”, comentou Durval. Esse mercado também recebeu solventes retardantes inovadores.

    Nos campos das tintas arquitetônicas e das industriais, a companhia apresentou alternativas para reduzir o teor de compostos orgânicos voláteis (VOC), melhorando o desempenho ambiental dos produtos finais. Nos coalescentes, por exemplo, a Dow mostrou um substituto idêntico ao Texanol, produto considerado como padrão de mercado. “Temos pelo menos dez novos coalescentes em fase final de estudos”, afirmou Durval. Os fabricantes mundiais de tintas são clientes mais frequentes, pois, quando suas matrizes indicam o uso de um determinado solvente, ele é adotado em todas as unidades de produção delas ao redor do mundo.



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