Economia

2 de dezembro de 2000

Setorial: Máquinas devem crescer mais 10% em 2001

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Publicado por: Marcelo Furtado
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    indústria de máquinas começa a dar sinais de recuperação. Depois de ter amargado queda em seu faturamento real de 11,7% em 1999, o setor comemorou, em recente divulgação de seus resultados de 2000 pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), um acréscimo de 12,8% nas vendas, atingindo receita bruta de R$ 21,08 bilhões.

    Química e Derivados: Setorial: Delben Leite - competitividade depende de reforma tributária.

    Delben Leite – competitividade depende de reforma tributária.

    Para o presidente da Abimaq, Luiz Carlos Delben Leite, o crescimento apenas retomou os níveis da indústria de 1998, quando o setor faturou R$ 21,16 bilhões. “Não podemos ficar também muito exaltados, já que a base para o cálculo de crescimento foi muito baixa em razão da fase de ajuste cambial que afetou 1999”, afirmou Delben Leite. Para ele, a estabilidade da economia, com superávit primário nas contas públicas e inflação controlada, foi responsável pela criação do cenário favorável desse setor formado por 27 segmentos.

    Aspecto positivo também foi o aumento das exportações. Em 2000, as empresas já conseguiram usufruir do câmbio regularizado, e as vendas externas subiram 6,7%, chegando a US$ 3,52 bilhões. Isso resultou num saldo da balança comercial do setor de US$ 2,14 bilhões, ante as importações de US$ 1,38 bilhão em 2000.

    Para Delben Leite, porém, mais do que o ajuste cambial, o aumento de competitividade do setor foi mais importante para o saldo positivo na balança. Isso ele prova com mais dados estatísticos: enquanto o nível de emprego subiu 9%, o que significou mais 13.800 vagas em 31.12.2000, contra o mesmo período de 1999, a produção do setor subiu os já citados 12,8%. Outra prova das conquistas de produtividade tem-se ao saber do destino das exportações, em sua maioria para países desenvolvidos: 36,82% para o Nafta (sendo 32% Estados Unidos), 19,1% para a Europa, 21,81% para o Mercosul e o restante para África, Ásia, etc. “Vendemos para os países mais exigentes em qualidade”, diz.

    De acordo com o presidente, as vendas externas são, na maior parte das vezes, de máquinas rodoviárias, agrícolas, máquinas-ferramenta, de papel e celulose, e algumas delas em equipamentos gráficos e para o setor de plásticos. Se tudo correr dentro do planejado, para este ano a Abimaq espera atingir o patamar de US$ 4 bilhões em exportações.

    Mais competitiva, para Delben Leite a indústria de máquinas deve manter o bom desempenho em sua balança comercial, apesar de as alíquotas de importação, já consideradas por ele uma das menores do País, terem sido reduzidas em dezembro de 2000. A Tarifa Externa Comum (TEC) caiu de 18% para 14% e a dos ex-tarifários, de 5% para 4%. Com isso, as importações de máquinas da economia como um todo devem subir 20% (foram de US$ 6,47 bilhões em 2000) e as internas do setor de máquinas e equipamentos, cerca de 12%. Mesmo assim, o dirigente é otimista .“Temos conseguido abaixar nossos preços num ritmo muito maior do que a de outros setores da economia”, explica.

    Para 2001, o plano de investimentos do setor abrange o total de R$ 3,6 bilhões, 70% a mais do que o ano passado. Desse valor, cerca de R$ 2,8 bilhões voltam-se para a compra de máquinas e equipamentos e o restante em novas unidades, ferramental e ampliações. Esses valores visam suprir principalmente a prevista recuperação do sub-setor de máquinas e equipamentos engenheirados (sob encomenda), que devem atender projetos nos setores de papel e celulose, agricultura, petróleo e, talvez, os da petroquímica e de saneamento.

    A recuperação nas vendas de máquinas pesadas sob encomenda também deve fazer o faturamento total do setor subir em 2001 para R$ 23 bilhões, cerca de 10% a mais do que no ano anterior. Aliás, segundo Delben Leite, se esses grandes projetos se confirmarem, o crescimento pode ser até maior. “Se no ano passado o acréscimo foi de quase 13%, mesmo com as engenheiradas em má fase, este ano o cenário pode ser mais animador”, diz. Em alguns casos, os fabricantes de máquinas sob encomenda ocupavam menos de 40% da capacidade instalada, contra a média de 76% do setor.

    Mas para o ritmo de crescimento se manter, chegando pelo menos aos níveis de 1995, pós Plano Real, quando o faturamento somou R$ 26 bilhões, algumas pendências ainda precisam ser resolvidas. Leia-se aí, em primeiro lugar, a reforma tributária. “Se não reduzirmos nossos impostos em cascata, encabeçados pelo PIS, Cofins e CPMF, não teremos condições de competir com os estrangeiros, por exemplo, quando entrarmos na Alca [Área de Livre Comércio das Américas]”, diz.

    Mas além da reforma tributária, que Delben Leite acredita estar sendo bem encaminhada no Congresso Nacional, discussões mais setorizadas, que englobam sobretudo isonomia de tratamento com importados, também são importantes. Nesse último caso, um exemplo é a alíquota de apenas 3% para o conjunto de importações previstos para a construção das usinas termoelétricas no País. Essa regalia, de acordo com Delben Leite, deveria ser concedida apenas para a importação das turbinas, visto ser este o único equipamento impossível de ser fabricado no Brasil.



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