Petróleo & Energia

15 de novembro de 2011

Seguros – Setor discute a proteção contra riscos ambientais

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    mercado de seguros para grandes riscos, responsável pela cobertura contra sinistros em atividades industriais de grande porte, como a exploração de petróleo e petroquímica, começa a registrar um grande interesse por parte de clientes brasileiros em adquirir proteção contra a repercussão ambiental de acidentes. Como os valores envolvidos são muito elevados, ainda será preciso dialogar muito para se chegar a uma solução satisfatória para ambos os lados.

    É o que comenta Paul O’Neil, chefe mundial para o setor de energia da Allianz Global Corporate & Specialty, do grupo Allianz, uma das maiores cias. seguradoras do mundo. Ele veio ao Brasil apresentar palestras específicas para o setor de óleo e gás, no qual a seguradora tem entre seus clientes algumas operações da Petrobras. “O Brasil representa oportunidades muito significativas para investimentos, especialmente na exploração petroleira”, confirmou.

    Nesse setor, os riscos são sempre grandes, desde a elaboração dos projetos até as perfurações iniciais em alto-mar. “O fato de contarmos com grande experiência internacional nesse setor agrega valor ao cliente e nos ajuda a tomar decisões mais acertadas”, comentou.

    A elaboração de uma apólice exige que a seguradora tenha as melhores informações possíveis sobre cada caso, incluindo uma avaliação precisa da qualidade das operações do cliente e também de seus subcontratados. “Os acidentes sempre envolvem alguma questão sobre pessoas e falhas, por isso é importante para nós sabermos se os profissionais recebem treinamento adequado”, afirmou O’Neil, um engenheiro químico com experiência no setor petrolífero, que depois migrou para o setor de seguros.

    As companhias seguradoras precisam conhecer a fundo cada caso até mesmo para terem uma noção de sua própria exposição a riscos. Cada acidente significa perdas econômicas para elas. O executivo comentou que as petroleiras podem fazer apólices compreensivas, muito amplas. Mas também podem fazer uma apólice básica, à qual vão acrescentando mais operações ao longo dos anos. “São sempre contratos de longa duração”, disse.

    Com os investimentos brasileiros em óleo e gás, a região se tornou um hot spot, um ponto estratégico para os negócios de energia da Allianz, hoje com responsabilidades globais divididas entre os escritórios de Londres, Houston e Cingapura. Há estudos até para implantar uma representação direta no Rio de Janeiro, ainda não confirmados.

    De modo geral, a Allianz costuma ser muito rigorosa na seleção de clientes e de projetos. “Isso é melhor do que ficar fiscalizando depois”, explicou O’Neil. Como os acidentes são sempre imprevistos, é preciso fazer estudos para levantar a situação no pior caso possível e oferecer uma cobertura adequada.

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    O'Neil: prêmios subiram depois do acidente com a Deepwater Horizon

    As coberturas envolvem custos materiais e econômicos (lucros cessantes e outros), mas também responsabilidade social e ambiental. Nesses casos, é muito difícil determinar um valor, dada a multiplicidade de cenários possíveis. “Somos obrigados a impor limites claros de cobertura contratual”, informou.

    O acidente com a plataforma Deepwater Horizon, da BP, no Golfo do México, tornou as negociações mais críticas e os seguros mais caros. “A regulação norte-americana exigia que as companhias tivessem apólice de seguro no valor de US$ 75 milhões para operar, mas os danos verificados após o acidente estão na casa dos bilhões de dólares”, comentou O’Neil. “Temos produtos para coberturas até um bilhão de dólares, mas o prêmio pago pelo cliente é muito caro, nem todos aceitam.”

    Na opinião do especialista, seria preciso estabelecer por meio de acordos internacionais um valor máximo para os seguros ambientais de petróleo e gás em todo o mundo, de forma homogênea. “Essa discussão já começou”, disse.

    O setor de óleo e gás é considerado crítico em todas as suas etapas. Na área de exploração e produção (upstream), a concentração de ativos é muito grande, o que implica perdas enormes em caso de acidentes. Isso é fácil de ser percebido nas plataformas de petróleo em alto-mar. “Nesses casos, as exigências de qualidade dos equipamentos e processos e os cuidados com a segurança e a qualificação do pessoal são bem mais elevados do que em outras atividades”, explicou.

    Para o especialista, a operação normal de qualquer grande empreendimento não traz maiores preocupações. Estas aparecem sempre quando se introduz alguma alteração no processo. “Isso cria uma instabilidade, aumentando as chances de acontecer um imprevisto, por isso, cada modificação precisa ser feita segundo os manuais estabelecidos”, comentou O’Neil.

    Na fase atual da produção de petróleo no mundo, a tendência é partir para profundidades maiores, lidando também com poços com temperatura e pressão mais elevadas. Isso se traduz em maiores riscos e impacta as apólices de seguros. “Como a demanda por óleo e gás seguirá crescendo até 2020, pelo menos, a exploração vai continuar indo mais fundo e mais longe da terra firme, criando novas oportunidades de negócios”, salientou.

    Apesar disso, O’Neil considera que tanto o setor de petróleo quanto o de seguros são globais, seguem conceitos de engenharia adotados em todo o mundo, bem como padrões de qualidade e segurança. “O setor já segue padrões muito elevados, tanto que são raros os acidentes, para o bem de todos nós”, afirmou.



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