15 de março de 2000

Seguro: Seguro garante atividade química

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Indenizações por danos ambientais ficam mais altas e incentivam o setor químico a reavaliar contratos de seguro

    Química e Derivados, Setor petroquímico costuma contratar cobertura ampla

    Setor petroquímico costuma contratar cobertura ampla

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    mpresários do setor químico, em geral pequenos e médios, vêem os seguros apenas como despesa fixa da companhia e buscam pagar prêmios sempre com valor o mais baixo possível. Em caso de acidentes, porém, essa forma de economia pode custar a falência da empresa, além da montanha de indenizações a saldar.

    O seguro contra incêndio é obrigatório por lei para toda e qualquer empresa, mas há diversas modalidades de coberturas e espécies de seguros capazes de garantir a sobrevivência do empreendimento e suas relações com vizinhos, fornecedores e clientes de forma tranqüila. Além disso, torna-se necessário registrar que o valor das indenizações por responsabilidade civil começam a ganhar vulto no País, exigindo cautela crescente do setor químico, aliás, um dos alvos preferenciais das ações de reparação de dano ambiental. Essa modalidade já provoca calafrios na indústria americana e européia e é de se esperar efeito semelhante abaixo do equador.

    Quanto aos custos dos seguros, ressalta-se a forte mudança pela qual passa o setor nos últimos cinco anos. Antes disso, o mercado segurador apresentava reserva de mercado e rígido controle oficial de preços. Como resultado, havia pouca concorrência, os preços estavam muito acima das médias internacionais e os clientes mantinham relações pouco amistosas com as seguradoras. Atualmente, o mercado está aberto à concorrência internacional, com várias empresas estrangeiras estabelecidas no País e dominando fatia significativa dos negócios, os custos se aproximam dos do exterior, e o relacionamento melhorou muito.

    Em todos os tipos de seguros foi evidente a adoção de práticas compatíveis com o Código de Defesa do Consumidor. Dessa forma, as temíveis cláusulas de exclusão de risco escritas com letras microscópicas passaram a ser redigidas com destaque, os textos gongóricos e complexos dos contratos tornam-se, pouco a pouco, inteligíveis por qualquer mortal. No caso das indústrias, as avaliações de risco hoje são consideradas de alta qualidade pelos próprios clientes, permitindo-lhes corrigir problemas de instalação e operação, além de embasar propostas de contrato de seguro mais adequadas e economicamente aceitáveis.

    Química e Derivados, Nunes: análise de risco bem feita é fundamental

    Nunes: análise de risco bem feita é fundamental

    “Ainda há resquícios de desconfiança entre segurados e seguradoras, por conta de condições nebulosas de contratação e sinistros mal resolvidos no passado”, admite João Pedro O. Nunes, senior underwriter da diretoria de seguros de grandes riscos diferenciados da Itaú Seguros, empresa líder no atendimento ao setor petroquímico nacional, detendo mais da metade dos contratos das grandes companhias. Por isso, a companhia se esforça para redigir as apólices com clareza e objetividade, evitando ambigüidades que possam gerar conflitos em caso de indenização.

    A Itaú Seguros concentrou-se nos grandes empreendimentos químicos, classificados como “riscos operacionais”. Nesse grupo, o valor em risco supera a casa dos US$ 80 milhões, referentes ao custo de reposição do bem segurado. “Nesses casos, a cobertura é total, sendo discriminados apenas os eventos excluídos de cobertura”, explicou Nunes. Segundo ele, o limite mínimo de US$ 80 milhões é estabelecido pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). É possível fazer apólices desse tipo para valores em risco mais baixos, mas é preciso pedir autorização ao órgão estatal (em fase de privatização), nem sempre concedida.

    Há casos de empresas de porte grande com alta previsibilidade de eventos de risco que optam por contratos do tipo risco nomeado. Nesse caso, muito semelhante ao anterior, o contrato prevê os casos nos quais haverá indenização por parte da seguradora. Todos os outros, não indicados na apólice, ficam descobertos.

    Química e Derivados, Cavalcante: responsabilidade civil deve mudar

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    Empresas com patrimônio a proteger na faixa de US$ 10 milhões a US$ 80 milhões dispõem de contratos multirrisco, com coberturas para incêndio, danos elétricos e vendaval, com possibilidade de exclusões e inclusões dentro de um grupo fechado de possibilidades, sempre com limites de importância segurada. Já para empresas na faixa de valor até US$ 10 milhões, a Itaú oferece “produtos empresa” previamente desenhados. “Dispomos de contratos até para valor em risco de R$ 1.000”, afirmou Nunes. Nesse caso se aplicam contratos de adesão, sem a possibilidade de discutir coberturas, preços e outras condições, e sua venda é efetuada pela rede bancária.

    A sinergia com a rede bancária não é o forte dos negócios da seguradora. “Hoje somos fortes nos grandes grupos empresariais, mas pretendemos ampliar a base com clientes de médio porte”, disse Nunes. Essa posição é compatível com o histórico das contratações. Segundo o executivo, as grandes companhias já estão acostumadas ao seguro, possuem até estruturas internas para acompanhar as negociações. Os médios e pequenos clientes também contratam, mas fazem muitas exclusões. “Lucros cessantes, por exemplo, todas as grandes empresas garantem, mas as médias e pequenas dificilmente solicitam”, verificou.


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