Petroquímica

27 de setembro de 2003

Segurança: Software usa análise de risco para gerenciar manutenção

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Publicado por: Quimica e Derivados
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    A indústria petroquímica tem à sua disposição uma nova ferramenta de software aplicada à gestão de segurança em áreas de risco, sendo capaz de inspecionar equipamentos em plantas de eteno, propeno, butadieno, polipropileno, polietileno, cloro, amônia, metanol e derivados. Trata-se do Rb.eye petroquímico, software produzido pela consultoria Bureau Veritas a partir de metodologia criada em quase dez anos de pesquisa sob coordenação do American Petroleum Institute (API).

    Química e Derivados: Segurança: Prestes - petroquímica tem versão específica.

    Prestes – petroquímica tem versão específica.

    “O trabalho da API se fundou na constatação de que era necessário incluir a variável risco no plano de manutenção das empresas, porque até então os planos de manutenção eram feitos de forma não-científica e apenas pela experiência dos técnicos”, explicou o diretor-adjunto de química e petroquímica do Bureau Veritas, Eduardo Prestes. Essa demanda identificada pelo API fez com que se formasse nos Estados Unidos um grupo de trabalho com representantes das maiores empresas do ramo, como Dow, Exxon, Shell e BP
    Amoco para discutir o tema. Isso foi em 1993. Em maio de 2000, depois de muito trabalho, os especialistas criaram um caudaloso documento de 400 páginas, denominado Base Resource Document API-581, onde está a metodologia do Risk Based Inspection (RBI).

    A metodologia inclui as variáveis dos processos químicos em vasos e tubulações, desde os materiais de construção, fluidos e condições de processo (pressão e temperatura) até os modos de falha e corrosão. Mas o principal é que foram criados algoritmos, um sistema de modelagem matemática que consegue calcular o grau de risco de todas as etapas do processo, classificando-os conforme a necessidade de manutenções e inspeções. Esses cálculos dão origem a uma matriz de risco de cada equipamento e seu grau de criticidade.

    “Foi a partir desse trabalho que surgiu a necessidade de simplificar a adoção do RBI, com a criação do software, que diminuiu o tempo dos cálculos drasticamente”, explicou o diretor do BV. Em 2001, a própria API desenvolveu o seu, denominado RBI. O Bureau Veritas veio logo na seqüência, criando o RB.eye e, em 2003, fez a versão da petroquímica, o RB.eye petroquímico, voltado para a segunda geração da indústria. Este último, aliás, foi feito pela subsidiária brasileira da consultoria, a pedido da matriz desse grupo transnacional de origem belga, e em cooperação com o Coppe, da UFRJ, responsável pela modelagem de corrosão. A idéia é expandir seu uso para todo o mundo.

    Por enquanto, no Brasil, cinco empresas já utilizaram o sistema voltado para a primeira geração: algumas refinarias da Petrobras (Regap e Relan), Prosint (metanol) e a central gaúcha Copesul. O serviço de instalação e da criação do programa de manutenção é feito pelos técnicos do BV. O cliente fica apenas com o banco de dados e, ao precisar fazer alguma alteração, recorre ao site da consultoria para mudar os parâmetros.

    A Companhia Petroquímica do Sul (Copesul) começou a estudar sua implantação em 2000 e elogia o produto adquirido no ano passado. De acordo com Luiz Carlos Greggianin, da equipe de engenharia de manutenção e avaliação de sistemas da empresa, algumas falhas não detectadas nas diversas paradas e inspeções feitas na Copesul foram sanadas após a instalação do Rb.eye.

    Também auxiliou na definição pela compra do programa informações obtidas de indústrias petroquímicas do exterior. “Estamos contribuindo com a segurança operacional evitando problemas futuros de vazamentos. Até o momento não percebemos nenhum bug que interrompesse o serviço. Nos parece que o software está muito bem projetado e testado”, assinalou o especialista em manutenção da Copesul. O Rb.eye permite também a busca de outras informações sobre compatibilidade de projetos com a condição de operação, identificando as tubulações, eventualmente, não constantes na lista de linhas, taxas de corrosão elevadas não previstas nos projetos e planos originais de inspeção. Detecta ainda a ocorrência de corrosão externa.

    Conforme Greggianin, a montagem deste tipo de sistema exige compromisso das áreas operacional e de engenharia de processo, em conjunto com a inspeção. Para ele, o Rb.eye é um programa de preservação da integridade dos equipamentos e segurança operacional, específico das áreas de inspeção. “Este sistema tem um grau de complexidade pela quantidade de informações necessárias. Algumas informações não estão disponíveis e necessitam ser encontradas em outros locais, por exemplo a pesquisa de contaminantes, o balanço de materiais em unidades com alterações de capacidade, entre outras, bem como na validação e verificação da coerência dos resultados obtidos. Salientamos também que é muito importante que os profissionais envolvidos neste projeto tenham vivência com inspeção de equipamentos e operação das unidades”, detalhou Greggianin. Segundo ele, a qualidade das informações utilizadas é fundamental para o resultado da análise realizada pelo software.

    Depois de validadas as informações, o banco de dados processa as inspeções, cruzando os resultados com os procedimentos anteriormente cadastrados pelos inspetores e engenheiros. Dessa forma, o sistema representa a condição atualizada do risco nas unidades, funcionando como referência e fornecendo subsídios operacionais das unidades em procedimentos futuros. Além disso, o software preserva a matriz de risco atualizada, a lista dos equipamentos e os pontos mais vulneráveis onde devem se concentrar os recursos de inspeção.


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