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5 de agosto de 2015

Segurança: Marco regulatório deve orientar perfuração de poços no setor offshore

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Brasil ainda carece de regulamentação específica para garantir a segurança da atividade, embora desenvolva intensa campanha exploratória, com previsão de perfurar 2 mil poços até o final da década

    Os acidentes que ocorrem na exploração e produção de petróleo em todo o mundo passaram a ser acompanhados de perto não somente por autoridades, seguradoras, sindicatos e organizações ambientais como também por investidores e representantes da sociedade organizada. Afinal, os impactos socioeconômicos e ambientais desses acidentes não geram apenas perdas imediatas, sejam de vidas humanas, recursos financeiros, patrimônio, meio ambiente e ainda de imagem das empresas envolvidas.

    Química e Derivados, Número de incidentes comunicados por segmento ©QD
    Cinco anos depois do acidente da sonda petrolífera semissubmersível de posicionamento dinâmico Deepwater Horizon, no prospecto de Macondo, no Golfo do México, a BP ainda não conseguiu ‘fechar as contas’ desse episódio, que abalou profundamente a reputação e os negócios da operadora britânica, assim como das norte-americanas Transocean, dona da sonda, e Halliburton, empresa que fez serviços de completação.

    Daí a grande preocupação em torno da segurança offshore, principalmente em atividades que podem incorrer em maior risco, como as relacionadas aos poços, em todas as fases do ciclo de vida deles – do projeto, perfuração e completação à intervenção (para manutenção e reparo) e abandono (descomissionamento).

    A segurança offshore inclui também a etapa de produção, quando é maior o risco de acidentes graves (MAH, sigla do inglês major accident hazards), que afetam um grande número de pessoas embarcadas, colocam em risco a unidade e podem resultar em desastre ambiental, principalmente quando ocorrem em unidades de produção que também armazenam óleo (como os FPSO).

    Nova regulamentação – Devido à intensificação das atividades exploratórias no Brasil, com a perfuração de um número expressivo de poços de grande profundidade e em ambientes severos, como o de águas ultraprofundas e da camada do pré-sal, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) vem trabalhando para consolidar um novo marco regulatório da segurança offshore.

    Desde 2012, a agência busca avançar na elaboração de dois novos regulamentos técnicos, relacionados a sistemas de gerenciamento: um de segurança operacional para dutos submarinos e outro para perfuração e gestão de integridade de poços. As resoluções que surgirem desse trabalho deverão estar alinhadas com as boas práticas e tendências internacionais, ainda que a regulamentação de segurança tenha variações, até mesmo pelas características específicas que podem ter a atividade offshore em uma região.

    No caso da perfuração, demandará que as petroleiras, bem como as fornecedoras de bens e serviços, alinhem seus padrões globais de operação aos regulamentos locais. O que implicará também na necessidade de supervisão/fiscalização permanente dessas atividades. Principalmente se o forem concretizadas as previsões para os próximos anos, de perfuração de mais de dois mil novos poços até o final dessa década, somente da Petrobras.

    Essa intensa campanha de perfuração visa acelerar o desenvolvimento do pré-sal, de forma a monetizar reservas e recuperar os investimentos efetuados até agora, como também as metas de produção – a da Petrobras é alcançar 4,2 milhões de barris diários de óleo em 2020. A maior parte, de reservas offshore: hoje, aproximadamente 93,3% da produção de petróleo e 75,5% do gás natural foram explotados de campos marítimos no Brasil, segundo dados da ANP, de março de 2015.


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