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14 de dezembro de 2002

Segurança: Copesul simula novo plano de emergência

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    cena resultou em gargalhadas durante um treinamento e simulação de acidente em indústria petroquímica, realizado em Triunfo, Rio Grande do Sul, em dezembro último. E até certo ponto expôs a necessidade de preparar corretamente as autoridades públicas responsáveis em combater acidentes petroquímicos: um agente do Corpo de Bombeiros do Estado partiu para a respiração boca-a-boca num funcionário da Copesul – a central de matérias-primas do pólo petroquímico gaúcho –, retirado de uma área conflagrada pelo vazamento hipotético de uma substância hipoteticamente tóxica. “Se você tivesse feito isso em uma situação real poderia estar morto agora. A respiração para asfixia química é artificial para que o pessoal de salvamento não se contamine”, advertiu o engenheiro de segurança Rubens César Perez, interrompendo o procedimento.

    Química e Derivados: Segurança: A simulação se baseou em procedimentos restritos ao governo americano.

    A simulação se baseou em procedimentos restritos ao governo americano.

    Perez explicou que a iniciativa equivocada do bombeiro em tentar uma respiração boca-a-boca demonstra a necessidade de especializar as equipes de defesa civil, cujo treinamento convencional leva em conta as situações mais corriqueiras de acidentes, como afogamentos, retirada de populações em áreas alagadas, combates a incêndios domésticos ou florestais. No caso de acidentes químicos, é necessário conhecer as peculiaridades das situações e os procedimentos corretos com substâncias tóxicas. Segundo o instrutor, o objetivo desse tipo de simulação consiste em empregar as metodologias de salvamento em acidente em indústria química ou petroquímica, com treinamentos de alta precisão, usando inclusive os métodos da divisão de combate a sinistros do FBI e da Associação Nacional de Proteção ao Fogo dos Estados Unidos (NFPA), uma vez que no Brasil não existem normas e padronizações para esse tipo de ação.

    De acordo com o instrutor, após os atentados de 11 de setembro, nos EUA, uma série de procedimentos de emergência, antes restritos às autoridades dos EUA, foram repassados às empresas de consultoria como a Task, encarregada do treinamento realizado em Triunfo, que por sua vez estão repassando as instruções às indústrias. Foi o caso da Copesul, que ofereceu sua área de simulação de acidentes petroquímicos, com 20 mil metros quadrados, considerada a mais bem equipada do país. Técnicos das centrais de matérias-primas de São Paulo e da Bahia também participaram do treinamento, envolvendo também pessoal de defesa civil, corpo de bombeiros, polícia rodoviária estadual, e técnicos da Fundação Estadual de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (Fepam).

    Além de cursos e exercícios simulados regulares, a Copesul realiza diversas ações visando à prevenção e o controle de riscos de incêndios, explosões e vazamentos de produtos químicos em suas instalações e nas rotas de transporte de seus produtos. Entre essas ações, existem treinamentos das equipes no Brasil e no exterior, manutenção de equipes especializadas em controle de emergências e sistemáticas de investigação de todos os riscos possíveis em uma planta petroquímica. “O grande problema em acidentes químicos é que, em muitas ocasiões, a catástrofe ocorre por situações paralelas que vão se apresentando junto com o sinistro principal. A repetição de procedimentos é a única forma de prevenir ou diminuir os reflexos terríveis de um acidente em largas proporções”, reconheceu Perez. Os instrutores brasileiros e chilenos da Task são credenciados pela Universidade do Texas (EUA), centro de excelência mundial para controle de emergências.

    Bleve – Cerca de 30 pessoas participaram do acidente simulado na Copesul, que começou com um suposto vazamento de metanol, na área de armazenamento de uma planta petroquímica. O conteúdo de um tambor de metanol vazou para o piso, inflamou e correu por uma canaleta até a área de processo, onde ocorreu um incêndio de grandes proporções. O desafio dos participantes do curso foi controlar o fogo no menor tempo possível, evitando seu alastramento e visando eliminar riscos às pessoas que trabalham na planta, às instalações e ao meio ambiente.

    O ponto alto do treinamento foi a simulação de um boiling liquid expanding vapor explosion, mais conhecido como bleve. Trata-se de explosão de um tanque de material inflamável como gasolina ou metanol a partir de calor provocado de fora para dentro e resultante de uma expansão ultra-rápida e violenta das moléculas voláteis. Perez lembrou que, há 15 anos, morreram 700 pessoas na região de uma refinaria de petróleo no México, em decorrência de um bleve em largas proporções.



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