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18 de dezembro de 2010

Saneamento – Tecnologia melhora tratamento nas estações

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    s membranas destinadas a processos como ultrafiltração e osmose reversa parecem definitivamente fadadas a ampliar sua presença no mercado nacional de saneamento. E seu crescente uso se justifica pela combinação entre a queda de seus preços e a percepção dos inúmeros benefícios embutidos nessa tecnologia.

    Química e Derivados, Marcelo Morgado, Sabesp, membranas para potabilizar esgotos

    Morgado: Sabesp vai usar MBR em ETE de Campos do Jordão

    Uma dessas vantagens: “Qualquer que seja a qualidade na entrada, a membrana mantém estável a qualidade do líquido na saída”, especifica Giuliano Dragone, diretor do sindicato interestadual das concessionárias privadas de serviços públicos de água e esgoto e diretor técnico operacional da concessionária CAB Ambiental. Isso, é claro, se a água de entrada for devidamente condicionada para entrar nas sensíveis membranas, por meio de um pré-tratamento físico e/ou químico.

    Além disso, membranas abrem novas possibilidades: por exemplo, na potabilização de água salobra proveniente de poços. Unidades com membranas de osmose reversa já são utilizadas para essa finalidade em algumas regiões do nordeste brasileiro, mas em regiões litorâneas da Europa tal tecnologia serve para ampliar a oferta de água potável nas temporadas turísticas, quando a população dessas localidades cresce acentuadamente (são montadas estações de tratamento de água ativadas somente nessas ocasiões). “Essa é uma opção economicamente mais interessante do que construir uma grande ETA, que teria muita capacidade ociosa fora dos períodos de pico da população”, argumenta Dragone.

    Instaladas em ETEs, “membranas podem gerar água já pronta para reúso em finalidades não potáveis”, lembra Marcelo Morgado, assessor de meio ambiente da Sabesp. Em países como Cingapura e Namíbia, ele detalha, membranas já são empregadas até mesmo para potabilizar a água proveniente de esgotos.

    A Sabesp já trabalha em sua primeira ETE com membranas (no caso, com a tecnologia MBR – membrane bio-reactor –, que integra micro e ultrafiltração a tratamento biológico.). Com vazão de 213 litros por segundo, ela deve entrar em operação em 2012, na cidade paulista de Campos do Jordão.

    Estudo de materiais – Haverá membranas também no projeto Aquapolo, desenvolvido em sociedade entre a Sabesp e a Foz do Brasil para levar água de reúso para as indústrias do polo petroquímico de Capuava, na Grande São Paulo. Essa água – inicialmente 650, e depois mil litros por segundo – começa a ser fornecida em 2012, e será conduzida por meio de uma adutora de 17 quilômetros.

    A água de reúso inicialmente passará por membranas de ultrafiltração e será posteriormente submetida a membranas de osmose reversa, capazes de extrair, por pressão, a alta condutividade e padrões sólidos, a amônia e outros elementos impróprios para a utilização industrial do insumo. “As empresas do polo de Capuava especificaram qual a qualidade da água necessária às suas atividades”, conta Newton Azevedo, da Foz do Brasil.

    Na ETE construída pela Sabesp em Campos do Jordão as membranas de ultrafiltração serão instaladas após o tanque de aeração, mas no Aquapolo serão inseridas em cassetes em um reator satélite, situado ao lado de um novo tanque de aeração da ETE ABC, de onde provirão os esgotos geradores da água de reúso (em ambos os casos, serão utilizadas membranas de fibra oca).

    Química e Derivados, Tabela, Mapa das concessões privadasOutras tecnologias – E a Sabesp, afirma Marcelo Morgado, hoje pesquisa também a possibilidade de utilização de novos materiais e modalidades mais modernas de realização de suas obras. Assim, o trecho até a arrebentação do terceiro emissário do município paulista de Praia Grande foi escavado por um equipamento similar ao tatuzão utilizado em obras do metrô, evitando incômodos aos banhistas da cidade litorânea. “Também estamos adotando aeradores tipo cachoeira para melhorar o desempenho de lagoas, e estudando poços de visita rotomoldados de PEAD (polietileno de alta densidade): eles chegam já prontos aos locais das obras, em vez de serem ali concretados e montados”, destaca Morgado.

    No ano passado, a Sabesp firmou um convênio com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para aportar, nos próximos cinco anos, R$ 50 milhões em sete linhas de pesquisa de tecnologias relacionadas a saneamento. Entre elas, a tecnologia de membranas, a reciclagem de resíduos das estações, eficiência energética e monitoramento da qualidade da água.


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