Tecnologia Ambiental

16 de outubro de 2011

Saneamento – Fitabes aponta rumos para universalização

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Publicado por: Fernando C. de Castro
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    26º Congresso Brasileiro de Engenharia Ambiental (Abes) e a Feira Inter­nacional de Tecnologias de Saneamento Ambiental (Fitabes), realizados em Porto Alegre, no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), registraram um crescimento de 14% na participação de visitantes e de expositores em relação aos números da feira de 2009, em Recife-PE.

    A presidente do Congresso, Ellen Martha Pritsche, detalhou que a feira recebeu oito mil visitantes, enquanto o congresso teve cinco mil, com destaque para palestrantes e expositores nacionais e estrangeiros, referências nas áreas de saneamento, equipamentos, proteção ambiental, recursos hídricos e resíduos sólidos. Ela destacou que diversos temas relevantes foram abordados nos painéis, facilitando o intercâmbio de conhecimento tecnológico, científico e cultural, necessário para o melhor aproveitamento dos recursos investidos pelo setor.

    Para ela, o encontro mostrou a importância da química no saneamento ambiental, lembrando que, há 20 anos, esse ramo era dominado pela engenharia civil, mudando com o tempo até o atual domínio por parte dos engenheiros químicos e químicos. A presidente do Congresso ressaltou que ainda existe um espaço grande para crescimento da química no segmento, pois o mundo demanda novas técnicas de tratamento, produtos e tecnologias em busca da universalização da oferta da água e do esgoto tratados.

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    Martha destacou a importância da química no saneamento ambiental – Foto: Divulgação

    No congresso, que teve como foco principal a excelência da gestão no caminho para a universalização do saneamento, foram debatidas medidas que contribuam para levar o tratamento de esgotos a diversos pontos do Brasil, bem como evitar o desperdício de água, além da mudança cultural da população em geral. Pritsche lamentou que atualmente 700 milhões de pessoas em todo o mundo ainda sofram com a falta de saneamento. No Brasil, por muitos anos houve falta de investimentos nesse setor, bem como não foram encontradas formas de acompanhar o crescimento desordenado das grandes cidades, gerando sérios problemas socioambientais.

    Um dos temas mais discutidos entre os pesquisadores presentes ao Congresso da Abes foi a qualidade dos produtos químicos utilizados pelas empresas de saneamento. Vasti Ribeiro Facincani, gerente do Departamento de Controle Sanitário e Ambiental da Diretoria de Sistemas Regionais da Sabesp, entende que essa preocupação deve ser constante nas empresas, pois se trata da água para o consumo humano.

    Vasti destacou a importância cada vez maior dos produtos químicos no saneamento e que a crescente oferta de novos insumos vai melhorar a qualidade do serviço prestado pelas operadoras do setor. Na empresa em que ela atua, a Sabesp, os fornecedores passam por um sistema de qualificação rígido. Depois disso, são feitas análises de alguns lotes recebidos e, se ocorrer problema com algum item, o fornecedor é punido com a glosa do pagamento, chegando, nos casos mais graves, a cancelar o atestado de qualificação.

    Vasti ressaltou que as compras obedecem à Portaria do Ministério da Saúde 518/2004, Artigo 9º, Inciso II, que impõe o controle de qualidade por parte dos fabricantes de produtos químicos para tratamento de água, mas que é considerada muito vaga. Essa legislação em breve será alterada incorporando os requisitos da Norma Técnica 15.784 da ABNT, que após cinco anos de debates chegou à definição de critérios mais precisos.

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    Vasti: norma para controlar a qualidade dos produtos químicos

    Segundo a gerente, até o momento nenhuma empresa de saneamento realizou compras com base nos novos critérios técnicos, mas isso deve acontecer tão logo a nova redação da portaria entre em vigor. No momento, as empresas de saneamento discutem internamente como serão os novos modelos dos editais de licitação para aquisição desses produtos, que deverão valorizar a qualidade e, ao mesmo tempo, propiciar uma concorrência mais saudável.

    Para Maria Cristina Coimbra Marodin, bióloga e assessora da Diretoria de Operação e Manutenção da Caesb, a NBR 15.784 tem foco principal na proteção à saúde humana, não sendo específica em relação ao desempenho dos produtos. A norma abrange a coagulação e flutuação, oxidação e desinfecção, combinações, produtos diversos e misturas, estabelecendo como fundamental a necessidade do fornecedor indicar uma Dosagem Máxima de Uso (DMU) do produto, bem como informar a concentração de impureza na água para consumo humano.

    Maria Cristina acrescenta que também deverão ser informados pelo vendedor os limites de impurezas regulamentados e não regulamentados, a concentração de impureza detectada e a permissível por produto. Para tanto, os produtos deverão apresentar laudos anuais, com análises específicas para cada item, elaborados por instituições laboratoriais fiscalizadas pelo Inmetro e que adotem as Boas Práticas de Laboratório (BPL). O produto e o fornecedor poderão ser inspecionados e analisados a qualquer tempo pelo contratante.


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