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6 de outubro de 2015

Saneamento: Águas subterrâneas

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Publicado por: Antonio C. Santomauro
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    Embora pareça ter se tornado mais visível e mais debatida somente com a atual escassez de água em várias regiões do país, a possibilidade de uso das águas subterrâneas como fonte de abastecimento já é, no Brasil e em várias partes do mundo, realizada em larga escala. E, por aqui, esse aproveitamento mantém uma trajetória de acelerada expansão. O maior consumo dessa água coloca, porém, algumas questões que devem ser debatidas caso se pretenda evitar o comprometimento futuro dessa fonte.

    Química e Derivados, Oliveira: perfuração descontrolada ameaça água subterrânea

    Oliveira: perfuração descontrolada ameaça água subterrânea

    Uma delas: no Brasil, mais de 90% dos poços de acesso a águas subterrâneas são clandestinos, como estima Cláudio Pereira de Oliveira, presidente da Abas (Associação Brasileira de Águas Subterrâneas). Ser clandestino, nesse caso, significa principalmente não ter a outorga que deve ser concedida a um poço pelo órgão de controle ambiental do estado onde ele será perfurado. “Não há nenhuma gestão desse recurso, não se sabe exatamente quantos poços são perfurados, nem onde eles estão localizados”, observa Oliveira. “Isso futuramente poderá criar problemas com os volumes das águas subterrâneas.”

    Oliveira aponta como uma das principais causas do elevado índice de clandestinidade dos poços perfurados no Brasil a morosidade e a burocracia inerentes ao processo de obtenção de uma outorga (muitas vezes, até como decorrência de pressões provenientes das empresas de abastecimento de água dos próprios estados, que buscam assim desestimular o fortalecimento dessa alternativa). “Como não dá para ficar sem água e não há confiança no sistema público de abastecimento, os poços seguem sendo perfurados”, explica.

    A demanda crescente também estimulou o forte aumento de empresas dedicadas à perfuração de poços, no Brasil hoje estimadas em cerca de 1,5 mil. “Poucas delas trabalham com as melhores tecnologias e os melhores padrões da atividade”, ressalva o presidente da Abas.

    Há também alguns senões quanto ao uso mais intensivo das águas subterrâneas. Por exemplo, o fato de as principais capitais do país – São Paulo e Rio de Janeiro entre elas – estarem sobre um tipo de rocha do qual, ao menos com as atuais tecnologias, não é possível extrair esse insumo. “Porém, metade do país está sobre terrenos sedimentares, nos quais se pode perfurar poços com sucesso”, argumenta Oliveira.

    Ele prevê que, controlada ou desordenadamente, o aproveitamento das águas subterrâneas seguirá se expandindo no Brasil, também porque sua qualidade é muito boa e geralmente dispensa tratamento (com exceção da adição de cloro, obrigatória pela legislação nacional). “Essa fonte é a única alternativa de baixo custo de obtenção de água hoje disponível no país”, finaliza o presidente da Abas.



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