Economia

31 de agosto de 2004

Rio Oil: Setor em alta gera boa expectativa de negócios

Mais artigos por »
Publicado por: Marcelo Furtado
+(reset)-
Compartilhe esta página

    Química e Derivados: Rio: rio_oil_gas_abre2. ©QD Foto - DivulgaçãoUm cenário especialmente feliz para o mercado de petróleo deve justificar o investimento feito pelos 800 expositores para garantir um estande na Rio Oil and Gas Conference, marcada para 4 a 7 de outubro, no Centro de Convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro. O barril a preço recorde, na casa dos 40 dólares, e os lucros estratos­féricos da principal compradora da feira, a Petrobrás, que apenas no primeiro semestre ganhou mais que os sete maiores bancos brasileiros juntos (R$ 7,8 bilhões), são apenas os fatores mais evidentes para suscitar a previsão de bons negócios no evento, que ocupará 30 mil m2 do tradicional centro de exposições do bairro do Jacarepaguá, na zona oeste carioca.

    Uma outra motivação não tão clara como as anteriores, mas de mesma importância, é o recente sucesso da sexta rodada de leilão de áreas para exploração de petróleo no Brasil, realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) nos dias 17 e 18 de agosto, também no Rio. Por uma simples razão: o mercado nacional de óleo e gás vai receber ainda mais aportes nos próximos anos. Ao bater final do martelo, os vencedores do conturbado leilão, que esteve sob risco de não ocorrer em virtude de numerosas ações na Justiça, se comprometeram a investir, no mínimo, mais R$ 2 bilhões na fase exploratória. Nada mal para uma licitação que arrecadou para a União R$ 665,3 milhões, também cifra recorde desde que o primeiro leilão para flexibilização do monopólio foi realizado em 1998.

    Se o leilão foi positivo para o governo, certamente também o será para os fornecedores de equipamentos, produtos e serviços da indústria do petróleo presentes na Rio Oil & Gas. Para começar, a concessão de mais 154 áreas leiloadas para exploração aumenta os planos de investimento da estatal brasileira que, sozinha ou com parceiros, foi responsável pelo desembolso de R$ 437 milhões do total arrecadado e pela participação em 107 áreas. Some-se a esse novo montante o planejamento da Petrobrás até 2010 de aplicar US$ 32,1 bilhões em E&P (exploração e produção) e mais US$ 20 bilhões em refino, transporte, petroquímica, gás, energia e distribuição, e fica possível se ter uma idéia do quanto a estatal vai ainda render em negócios.

    Aliás, o propósito de flexibilização do monopólio desses leilões é o outro lado positivo a ser aproveitado pelos 800 expositores, oriundos de 35 países além do Brasil. Nesta última rodada, afora a Petrobrás, mais 17 empresas nacionais e estrangeiras conseguiram áreas para exploração. Isso significa mais compradores potenciais, entre os 35 mil visitantes aguardados pela organização, passeando pelos corredores do Rio­centro. Um novo tempo para a Rio Oil & Gas, que deixa de ser uma feira para apenas um comprador, a Petrobrás, como era em suas primeiras edições. (Mas mesmo assim é bom lembrar que o maior estande da exposição é o da estatal, com 984 m2, o que reitera a sua importância ).

    E nesse aspecto de flexibilização o sexto leilão foi também coincidentemente positivo para a 12ª edição da Rio Oil & Gas. Isso porque desde a quarta rodada, em 2002, os investidores estrangeiros, com mais peso econômico, não participavam dos leilões. Dessa vez, 11 grupos transnacionais, desde a gigante anglo-holandesa Shell, ou a norueguesa Statoil, até as pequenas SK Corpo­ration, da Coréia, e a australiana PortSea, ganharam lotes e passam a ser investidores no promissor mercado brasileiro de petróleo, que caminha para a auto-suficiência em 2005.

    Entre os investidores do exterior, os portugueses foram os maiores vencedores do leilão e, em virtude desse interesse, devem circular com freqüência no Riocentro. As petroleiras lusitanas Partex e Petrogal ganharam 24 blocos, todos em bacias terrestres e em parceria com a Petrobrás. Também foi agressiva na rodada a canadense EnCana, responsável pelo arremate de oito blocos nas bacias de Campos, Espírito Santo e Alagoas.

    A internacionalização do mercado não fica visível apenas nas concessões de explorações e no provável aumento de compradores estrangeiros que passaram a visitar mais a feira. Há nessa edição da Rio Oil um número considerável de pavilhões específicos de alguns países. Já reservaram áreas onde várias empresas de mesma nacionalidade dividirão espaço a Áustria, Dinamarca, Estados Unidos, França, Holanda, Reino Unido, Itália e Noruega. Merecem destaque o pavilhão britânico, com 630 m2 e 30 empresas, e o norueguês, com 400 m2. Acrescentem-se a esses pavilhões os estandes próprios de corpora­ções estrangeiras e a feira com certeza será uma torre de babel com bastante negócios a se discutir.

    Para ter uma amostra do que será apresentado na Rio Oil & Gas, Química e Derivados publica a seguir os lançamentos de alguns importantes expositores.

    Conferência vai debater uso do gás natural

    A conferência da Rio Oil & Gas tradicionalmente tem um alto nível técnico e atrai um grande número de interessados em apresentar trabalhos. A próxima edição não ficou por menos: depois de avaliar mais de 700 sinopses de trabalhos técnicos, o comitê organizador, coordenado pelo Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP), precisou fazer uma filtragem severa e selecionar “apenas” 276 trabalhos (cujos títulos estão disponíveis no site www.ibp.org.br).

    As palestras da conferência e os trabalhos técnicos serão divididos em quatro blocos: Exploração e Produção; Abastecimento; Gás Natural; e Responsabilidade Sócio-Ambiental. Elas serão apresentadas em sessões técnicas diárias, das 13 as 15:30 horas. A conferência, com o tema “Gás Natural: A Energia do Século XXI”, terá painéis de debates também todos os dias, apresentados logo na seqüência das sessões técnicas, estendendo-se até o fim da tarde.


    Página 1 de 512345

    Compartilhe esta página







      0 Comentários


      Seja o primeiro a comentar!


      Deixe uma resposta

      O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *